Os Forty-Niners na era dos juros baixos
Felipe Paletta compartilha com você como a comparação da febre do ouro é pertinente com o momento atual.

O ano era 1849 quando milhares de pessoas, de todo o mundo, aventuraram-se pela pouco explorada rota que levava à costa oeste dos Estados Unidos.
Sendo mais preciso, para a região da Califórnia.
Após confirmação de rumores em dezembro de 1848 propalados pelo então presidente James K. Polk, milhares de pessoas passaram a se arriscar na procura por grandes quantidades de ouro encontradas no hoje conhecido como The Golden State (o estado dourado).
A busca pelo ouro representava, para aquelas pessoas, a busca por liberdade e uma chance de mudarem suas vidas.
Apelidados de “Os Forty-Niners”, a região recebeu imigrantes da América Latina, Europa e de muitos países asiáticos, especialmente chineses, que tinham acesso marítimo rápido à região pelo Oceano Pacífico.
Eventos como a febre do ouro (Gold Rush) na California atuam como catalisadores para dramáticas mudanças na cultura, na rotina das pessoas e, em especial, na economia.
Leia Também
Para você ter uma ideia, de 1850 até 1860, a população da California se multiplicou por 4, de 90 mil para quase 390 mil habitantes.
Vale ressaltar que muitas dessas pessoas, especialmente os imigrantes, não iam para essa região na expectativa de conseguir colocar as mãos em uma pepita, mas para aproveitar o boom econômico que aquele ecossistema criou.
Os primeiros a chegar lá, claro, indiscutivelmente conseguiram as melhores taxas de retorno e realmente mudaram de vida.
No entanto, com o tempo, conforme a commodity se tornou cada vez mais escassa, a tensão passou a aumentar e extrair retorno se tornou uma tarefa bastante complexa.
Aqueles que trabalhavam nas minas, em busca do ouro, por exemplo, passaram a enxergar os imigrantes como usurpadores, estimulando a aprovação de uma série de leis para afastar os imigrantes da China e da América Latina em meados dos anos 1870.
Bom, quaisquer semelhanças com o que se passa no mundo nos dias de hoje não é mera coincidência.
Com as taxas de juros no mundo todo estabilizadas nos menores patamares históricos, temos visto um verdadeiro rush for yield (corrida por retorno), com investidores saindo do conforto da renda fixa e buscando alternativas.
Obviamente, como aconteceu na Califórnia entre os anos de 1848 e 1849, os primeiros a chegar já têm colocado no bolso as pepitas maiores, mas certamente ainda existem oportunidades.
Nos próprios Estados Unidos, por exemplo, note como se valorizaram as empresas que compõem o índice S&P 500 em razão da queda e estabilização dos juros desde a década de 1980:
No Brasil, olhando para a realidade atual, um exemplo claro para mim de oportunidade pouco explorada vem da indústria de fundos imobiliários.
Hoje, a indústria dos fundos imobiliários listados em Bolsa de Valores (na B3) soma patrimônio próximo de R$ 99 bilhões. A valor de mercado, todos os fundos juntos valem alguma coisa perto de R$ 85 bilhões.
Destes, 74,4% estão na mão de investidores individuais (pessoas físicas, como eu e você), com apenas 19,7% na mão dos grandes investidores profissionais/institucionais.
E por que isso é importante?
Pelo simples fato de que o investidor individual tem, hoje, oportunidades de investir em fundos que muitas das vezes valem frações do que seus fundamentos de longo prazo sugerem.
Isto é, estamos falando de um mercado muito mais ineficiente do que é o mercado de ações.
Só que, assim como na corrida pelo ouro na Califórnia, essa oportunidade não ficará aí por muito tempo.
À medida que essa indústria se desenvolve e vai ganhando relevância, em termos de tamanho, a tendência é que vejamos subir o número de investidores profissionais neste mercado.
E isso é importante porque o investidor profissional tem maior controle das informações e faz mais contas.
Ou seja, quando chegarem na mina, saberão exatamente aonde procurar as maiores pepitas, o que tornará muito mais complexa a tarefa de achar boas oportunidades de multiplicar o capital e gerar altas rendas com FIIs.
Hoje, apenas 844 investidores institucionais possuem FIIs no país. É realmente muito pouco. Mas isso deve começar a mudar.
Felizmente, todos os 265 FIIs listados na Bolsa, não representam, em volume financeiro, algo como 1,4% do tamanho da indústria de fundos de investimento no Brasil (sem contar com os FIIs), o que vai tornar esse processo lento, nos dando alguma vantagem aqui.
Fazendo uma simulação simples com base no tamanho da indústria de fundos multimercado no país, imaginando que estes comprem toda a participação das pessoas físicas em FIIs (algo perto de R$ 63 bilhões), esse montante representaria apenas 5,2% do patrimônio total dos fundos multimercado.
Isso significa que não existem, hoje, incentivos para que o grande investidor saia comprando esses fundos, assumindo o passivo de administrar todos os empreendimentos dentro desses fundos.
Por isso, é razoável que continuemos a ver essa indústria crescendo até que os rumores das pepitas da Califórnia atraiam os grandes tubarões para esse mercado.
Portanto, se você já investe em FIIs e está com medo da aprovação da tributação sobre dividendos, que deve gerar bastante volatilidade no curto prazo, vale lembrar que a região que abriga a Califórnia foi comprada pelos Estados Unidos do México meses antes da descoberta do ouro.
Desta forma, estude bem o que tem em mãos para não entregar o ouro de graça como fez o México e se lamentar depois, acusando os tubarões de tornarem escassas as boas oportunidades.
Minha sincera recomendação de hoje: dê uma olhada no novo método de ações que meu colega André Barros lançou. Sua performance já é muito superior ao Buy and Hold tradicional e infinitamente melhor que fazer Day Trade. Ainda restam alguns lugares para investidores de ações que querem QUADRUPLICAR seu dinheiro com esta nova rota. Dá uma olhada aqui e me diga o que achou.
Gostou dessa newsletter? Então me escreva no e-mail ideias@inversa.com.br.
Um abraço e até a próxima!
EQUILIBRANDO PRATOS
Palmeiras, ciclope e doping: as metáforas de Galípolo para falar de juros, crédito e driblar perguntas espinhosas
24 de setembro de 2026 - 17:30EDUCAÇÃO NOS HOLOFOTES
Cogna (COGN3) ainda pode subir 35%, mas Bradesco BBI faz um alerta para quem está de olho na ação
24 de setembro de 2026 - 16:45FIN4SHE 2026
Onde as mulheres investem? Presença feminina na B3 cresce 83%, mas ativo favorito ainda é outro
24 de setembro de 2026 - 15:49VISÃO DO GESTOR
O que Luis Stuhlberger espera de um governo Lula 4 e de um governo Flávio Bolsonaro
24 de setembro de 2026 - 13:39CAFEÍNA NA VEIA
Preço do café cai, consumo aumenta: brasileiros voltam a encher a xícara em 2026
24 de setembro de 2026 - 10:57ENGENHARIA FINANCEIRA
Banco Genial na mira: Operação Crédito Oculto investiga suposto esquema para esconder donos de distribuidora de combustíveis
24 de setembro de 2026 - 9:51NA TRAAAAAVE!
368 apostadores ficam no quase na Lotofácil 3787; Lotomania e +Milionária pagam mais de R$ 100 mil por bolas na trave
24 de setembro de 2026 - 6:53É HOJE
INSS e BPC/LOAS são pagos hoje; confira datas de setembro de 2026 e regras dos benefício
24 de setembro de 2026 - 5:05IRPF 2026
Receita Federal abre consulta a lote de restituição do Imposto de Renda para quem caiu na malha fina
23 de setembro de 2026 - 8:50ATENÇÕES DIVIDIDAS
Lotofácil 3786 e Dia de Sorte 1304 pagam prêmio principal; Mega-Sena 3061 acumula e agora promete R$ 38 milhões
23 de setembro de 2026 - 6:41BARGANHA GEOPOLÍTICA
Xi Jinping tem arma contra Trump que pode beneficiar uma empresa no Brasil, defende BTG
22 de setembro de 2026 - 16:35MUITO CUIDADO
Suzano (SUZB3) ou Klabin (KLBN11)? Bradesco BBI analisa setor de papel e celulose e apresenta sua “top pick”
22 de setembro de 2026 - 15:55ATÉ ONDE A SELIC VAI?
Copom vê a economia esfriar, mas não dá ao mercado a resposta que ele mais quer sobre os juros
22 de setembro de 2026 - 11:28ASSEMBLEIA VIRTUAL
Greve na Caixa: funcionários votam proposta do banco para o fim da paralisação; conheça a decisão
22 de setembro de 2026 - 7:10DEZENAS DE GANHADORES
Lotofácil 3785 premia aposta simples e bolão com 35 participantes; Mega-Sena promete R$ 32 milhões
22 de setembro de 2026 - 6:38ESTÁ NO PREÇO
O Brasil vai quebrar? Entenda por que o risco fiscal mexe com a renda fixa, as ações e até o dólar
22 de setembro de 2026 - 6:03DEPOIS DO ALERTA
Nvidia e outras empresas de IA enfrentam o “vale das sombras” após alerta da Anthropic; o que fazer com as ações?
21 de setembro de 2026 - 19:30MAIS SELETIVO
Safra pisa no freio e corta preço-alvo de 5 ações do setor imobiliário — e uma destoa ainda mais das outras
21 de setembro de 2026 - 16:30A ORDEM IMPORTA
Como fazer um ajuste fiscal de R$ 80 bilhões em 4 passos antes mesmo de mexer no salário-mínimo, segundo Felipe Salto, da Warren
21 de setembro de 2026 - 7:08DANÇA DAS CADEIRAS