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POLÍTICA MONETÁRIA

Copom segura Selic em 13,75% e interrompe ciclo de cortes iniciado há cinco reuniões

A decisão era amplamente esperada diante da piora das projeções econômicas locais e da pressão por aumento de juros internacionalmente

Selic Copom Gabriel Galípolo
Na imagem: presidente do Banco Central do Brasil, Gabriel Galípolo. Imagem: iStock/Agência Brasil/Montagem Seu Dinheiro

Era bola cantada. As projeções não indicavam 99% de chances — mas algo em torno de 70% — de manutenção da taxa Selic nesta quarta-feira (4). Ainda assim, a decisão era dada como certa e amplamente esperada pelos agentes financeiros.

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Com isso, ao optar pela continuidade dos juros no nível de 13,75% ao ano, o Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central atendeu às expectativas do mercado.

Foram cinco cortes consecutivos, entre março e setembro deste ano, que diminuíram a taxa básica de 15% para 13,75% ao ano. O comitê, entretanto, não sinalizou se a pausa se estenderá ou se pretende fazer mais cortes na última reunião deste ano, em 8 e 9 de dezembro.

Segundo o comunicado do Copom, um combinado de questões locais e globais justificaram a decisão de manutenção nesta quarta.

Logo no começo do texto, os diretores do BC evidenciaram a deterioração do cenário global:

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"​O ambiente externo tornou-se mais adverso em função do prolongamento dos conflitos armados no Oriente Médio, com impactos altistas sobre o preço do petróleo e derivados, e da política monetária mais restritiva nas economias avançadas", diz o comunicado.

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Já no cenário local, o Copom joga luz a piora da inflação. "Nas divulgações mais recentes, a inflação cheia e a média das medidas subjacentes aceleraram, situando-se acima do limite superior do intervalo de tolerância da meta [4,5%]", diz o texto.

Virada nas expectativas

Entretanto, há poucas semanas, o corte de 0,25 ponto percentual na taxa Selic era dado como certo pelos agentes financeiros. Todas as projeções apontavam nesse sentido, inclusive o Boletim Focus do próprio BC.

Mas tudo mudou em 25 de outubro. O resultado eleitoral apagou todas as expectativas positivas que o mercado traçou para o Brasil nas semanas anteriores — o corte nos juros incluso.

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O último Focus, divulgado nesta terça-feira (3), mostrou uma piora relevante das expectativas de inflação e juros de longo prazo.

A projeção do IPCA para 2028, data mais próxima do período avaliado pelo Copom, subiu de 3,75% para 4%, enquanto a de 2029 avançou de 3,50% para 3,98%.

No caso dos juros, a mediana de projeção dos economistas para a Selic subiu de 11,75% para 12,50% em 2027, de 10% para 11% em 2028 e de 10% para 10,25% em 2029.

Em outras palavras, o mercado passou a esperar inflação mais alta e juros elevados por mais tempo.

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A justificativa do Copom para a Selic

De acordo com o comunicado do Copom, a decisão tem como base a piora recente do cenário inflacionário local devido a pressões globais.

Mesmo antes do resultado do pleito eleitoral, economistas já apontavam que os determinantes de inflação têm se mostrado voláteis recentemente.

No aspecto global, o preço do petróleo — que oscila na faixa de US$ 100 o barril — e o impacto do El Niño para as safras de grãos são os principais fatores de pressão.

Em seu comunicado, o BC afirma que "tal cenário exige cautela por parte de países emergentes em ambiente marcado por elevação da volatilidade de preços de ativos e commodities".

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Já os determinantes locais são o aumento da taxa de câmbio, a incerteza fiscal com a reeleição do presidente Lula e o mercado de trabalho apertado, que sustenta a renda média da população e pressiona os preços.

O câmbio é o aspecto mais recente. Foi depois do pleito eleitoral que a taxa subiu, de uma cotação na faixa dos R$ 5 para os atuais R$ 5,50.

Para os diretores do BC, esses fatores locais exigem acompanhamento para avaliar até onde eles podem impactar a economia por meio de um aumento significativo da inflação ou mesmo na deterioração nas expectativas futuras de preço.

"As expectativas de inflação para 2026 e 2027 apuradas pela pesquisa Focus distanciaram-se em relação à meta desde a última reunião, situando-se em 5,2% e 4,8%, respectivamente. A projeção de inflação do Copom para o segundo trimestre de 2028, atual horizonte relevante de política monetária, elevou-se para 3,5% no cenário de referência, com a incorporação dos choques de oferta materializados desde a última reunião", diz o texto.

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Além disso, o Copom avalia que os riscos para a inflação pendem para o lado altista, e não em direção a uma queda nos próximos meses.

O comunicado deixa em aberto as decisões futuras do colegiado: "o Comitê seguirá acompanhando a evolução do cenário, para manter a restrição adequada de forma a assegurar a convergência da inflação à meta."

Neste ano, o Copom tem apenas mais uma reunião, nos dias 8 e 9 de dezembro. Segundo o Boletim Focus, a Selic terminal de 2026 seria de 13,50%. Para este cenário se confirmar, o comitê teria que fazer mais um ajuste de 0,25 ponto percentual.

Mas, até lá, quem sabe como as expectativas estarão.

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