Dirigentes do Fed esperam manter juros até que meta de emprego e inflação seja atingida, mostra ata
Grupo avaliou que a atual crise sanitária continuará impactando a atividade econômica, a inflação e o emprego no curto prazo

Os dirigentes do Federal Reserve (Fed, o banco central americano) esperam manter a taxa de juros entre 0% e 0,25% até que seja atingida a meta de inflação e emprego, mostra ata da mais recente reunião de política monetária, divulgada nesta quarta-feira (25).
O grupo avaliou que a atual crise sanitária continuará impactando a atividade econômica, a inflação e o emprego no curto prazo, segundo ata divulgada hoje. A médio prazo, segundo eles, a covid-19 oferece "riscos consideráveis" ao panorama econômico.
A demanda mais fraca e a baixa nos preços da energia foram responsáveis por levar a níveis mais fracos a inflação aos consumidores, aponta ao documento.
Recuperação
Os dirigentes avaliaram que a atividade econômica nos Estados Unidos continuou se recuperando, mas que ainda segue abaixo dos níveis de antes da pandemia.
A covid-19 causou "tremendo" impacto nos EUA e no mundo, segundo os dirigentes, que apontam que o nível da recuperação dependerá do curso que seguir o vírus.
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Segundo a ata do Fed, os dirigentes avaliam que a economia dos EUA segue acomodatícia, em parte refletindo as políticas de apoio a famílias e negócios.
Estímulos
Vários dirigentes manifestaram preocupação com a ausência de novos estímulos fiscais nos Estados Unidos e alguns acreditam que o suporte fiscal pode estar em "risco", segundo ata. A maioria dos participantes não vê as atuais condições como suficientes para sustentar famílias, negócios e governos locais.
A ausência de novos estímulos foi vista com "preocupação" por vários participantes, com famílias de baixa e média renda sendo obrigadas a reduzir seus gastos quando suas poupanças acabarem.
Por outro lado, alguns participantes esperam que a economia feita pelos consumidores nos últimos meses possa providenciar estímulo econômico quando as condições possibilitarem mais gastos. A recuperação recente no consumo foi devida, parcialmente, aos apoios fiscais, segundo o documento.
Os participantes, na sua maioria, esperam que o fortalecimento dos gastos das famílias continue, especialmente em bens duráveis e no setor imobiliário. Os orçamentos familiares foram descritos como "saudáveis" por alguns dirigentes.
Reservas
Segundo ata, dirigentes do órgão se mostraram preocupados com a possibilidade de que o nível mais alto de reservas do Fed possa pressionar os balanços do setor bancário e jogar para baixo taxas do mercado monetário.
Para os dirigentes, porém, o Fed dispõe de ferramentas que podem adereçar a situação, como ajustar as taxas administradas, expandir o programa de acordo de recompra reversa overnight ou implementar um programa de extensão de maturidade.
De acordo com a ata, muitos participantes da reunião enfatizaram que os bancos devem manter níveis altos de capital, uma vez que baixas reservas estão associadas com uma disponibilidade reduzida de crédito.
Apesar das preocupações, alguns dos participantes da reunião consideraram que o sistema bancário mostrou "resiliência considerável" até o fim do terceiro trimestre deste ano, o que refletiu balanços mais fortes do que o esperado no período, com taxas de inadimplência diminuindo ou apresentando aumentos apenas moderados.
Linhas de crédito
Os dirigentes do Fed consideraram importante estender as linhas emergenciais de crédito para além do fim de 2020. Para eles, esse instrumento foi essencial para restaurar o funcionamento do mercado e continua a ser importante âncora para a economia.
Dois participantes da reunião ainda expressaram preocupação de que um período prolongado de juro baixo possa levar à uma excessiva busca por risco do mercado e, consequentemente, a um aumento de falências e do desemprego em uma eventual desaceleração da economia.
Títulos
Em ata, o Fed afirmou que deve aumentar sua participação na compra de títulos do Tesouro americano e títulos de hipotecas para "sustentar o funcionamento regular do mercado e ajudar a promover condições financeiras acomodatícias, apoiando assim o fluxo de crédito para famílias e empresas".
Embora os dirigentes do órgão não considerem necessária uma mudança imediata na política de compra de títulos, a qual eles consideram "apropriada", os participantes da última reunião sobre política monetária do Fed concordaram que o cenário econômico "poderia mudar para justificar os ajustes".
Segundo a ata, os dirigentes entenderam também que a política de afrouxamento quantitativo (QE, na sigla em inglês) deixou de ter uma função acomodatícia para, ao invés disso, apoiar os objetivos de inflação do órgãgo, que estabelece o alvo de 2% ao ano em média . A avaliação se dá por conta do sucesso dessa política em apoiar o funcionamento regular dos mercados. O comitê prevê que a política de compra de títulos pelo Fed deve terminar antes do órgão aumentar a sua taxa de juros.
Segundo o documento, a maior parte dos dirigentes concorda com a necessidade de uma mudança no forward guidance para o QE, com exceção de alguns participantes da reunião que se mostraram hesitantes em atualizar a posição do Fed sobre o instrumento. Outros afirmaram estar preocupados com a expansão significativa das compras de títulos, por entenderem que a capacidade de acomodação econômica do Fed pode estar perto do limite.
Setor imobiliário
Os juros baixos têm sustentado a atividade do setor imobiliário, avalia a equipe de economistas do Federal Reserve (Fed), de acordo com a ata da última reunião de política monetária da instituição. A área residencial, segundo o documento, avançou no terceiro trimestre e as vendas de bens duráveis também foram beneficiadas. A expectativa é de que os gastos nestas áreas sigam aumentando.
*Com Estadão Conteúdo
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