Desemprego pode ir a 17% em 2021, dizem economistas
Percentual resulta de uma questão metodológica, uma vez que com reabertura da economia e fim do auxílio emergencial, mais gente voltará a procurar emprego

Apesar dos sinais de recuperação da economia, a taxa de desemprego chegou a 14,6% no terceiro trimestre, uma alta de 1,3 ponto porcentual na comparação com o período anterior (13,3%). Foi o pior resultado na série histórica da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios Contínua (Pnad Contínua), iniciada em 2012 pelo IBGE. O total de desempregados no País é estimado em 14,1 milhões de pessoas. Dos Estados pesquisados, a taxa subiu em dez, com destaque para o Nordeste.
Pelos dados do IBGE, foram fechadas 883 mil vagas no terceiro trimestre. Ao mesmo tempo, a flexibilização das medidas de distanciamento social para conter a covid-19 levou um número maior de pessoas a procurar por novo trabalho. A combinação desses dois movimentos fez com que o número de desempregados aumentasse em 1,302 milhão de pessoas na comparação com o final do segundo trimestre.
Segundo economistas ouvidos pelo Broadcast/Estadão, houve melhora na passagem de agosto para setembro, mas o cenário do mercado de trabalho ainda é de "fragilidade". Os dados divulgados pelo IBGE confirmam o aumento da taxa de desemprego, já esperado por causa de peculiaridades da pandemia.
Uma delas é que muitos trabalhadores que perderam seus trabalhos, formais ou informais, haviam desistido de procurar uma atividade. Pela metodologia internacional, seguida pelo IBGE, só é considerada desocupada a pessoa que tomou alguma atitude para buscar trabalho. Com a redução do isolamento social, é natural que, mês a mês, cada vez mais trabalhadores voltem a procurar trabalho. Quem não encontra, é considerado desocupado.
O movimento se intensificará à medida que mais restrições ao contato social forem sendo retiradas. Com a redução do auxílio emergencial de R$ 600 para R$ 300 por mês, e sua posterior retirada a partir de janeiro, mais pessoas serão impelidas a procurar trabalho. Economistas projetam que a taxa de desemprego deve subir para perto de 17% no ano que vem.
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"No trimestre móvel até outubro, que captura mais ao menos a perspectiva de redução da parcela (do auxílio), o retorno deve ser maior e o desemprego deve subir com mais força", disse João Leal, economista da Rio Bravo Investimentos.
O estrago da pandemia já era captado na taxa composta de subutilização, espécie de indicador ampliado de desemprego, que considera também os trabalhadores que não procuraram uma vaga, mas gostariam de trabalhar. No terceiro trimestre, essa taxa ficou em 30,3% - também recorde. Na prática, 33,179 milhões de brasileiros estão sem trabalho, o equivalente à população de Angola, um salto de 20,9% sobre o terceiro trimestre de 2019. Por isso, alguns economistas dizem que, na prática, o desemprego já está aí. O crescimento da taxa se dará apenas por uma questão metodológica.
Para reverter o quadro, seria preciso recuperar as vagas, formais e informais, perdidas na crise, mas, conforme os dados do IBGE, o terceiro trimestre ainda foi de perdas. Na passagem do primeiro trimestre para o segundo, a pandemia abateu 8,876 milhões de postos, entre formais e informais, como sinaliza a variação da população ocupada total, que tombou 9,6%. Já no terceiro trimestre, o total de ocupados ficou em 82,464 milhões, 1,1% abaixo do segundo trimestre, indicando o corte de mais 883 mil vagas.
Economistas especializados fazem contas para chegar a dados "mensalizados", que mostram criação de vagas em agosto e setembro, ainda que em escala insuficiente para recuperar as perdas, ressaltou Daniel Duque, do Instituto Brasileiro de Economia da Fundação Getulio Vargas (Ibre/FGV). Só que, com os dados de julho, isso não aparece no trimestre como um todo.
Mesmo assim, para Adriana Beringuy, gerente da Pnad Contínua, a redução no ritmo trimestral de fechamento de vagas já pode ser considerada um processo de melhora. Na passagem do segundo para o terceiro trimestre, são 870 mil trabalhadores informais a mais ocupados, indicando que a flexibilização do isolamento social permitiu que uma parte dos informais voltasse às ruas.
Sem essa alta, o número total de fechamento de vagas no terceiro trimestre seria ainda maior. A variação da população ocupada aponta para o fechamento de 788 mil postos formais ante o segundo trimestre. (Colaborou Cícero Cotrim)
As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.
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