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O rotativo do cartão, juntamente com o cheque especial, é uma modalidade de crédito emergencial, muito acessada em momentos de dificuldades.

Com as famílias em dificuldades para fechar as contas durante a pandemia do novo coronavírus, em meio à retração da atividade e ao desemprego, o juro médio total cobrado pelos bancos no rotativo do cartão de crédito subiu 2,4 pontos porcentuais de outubro para novembro, informou nesta quarta-feira o Banco Central (BC). A taxa passou de 317,4% para 319,8% ao ano.
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Os dados apresentados hoje pelo BC são influenciados pelos efeitos da pandemia, que colocou em isolamento social boa parte da população, reduzindo a atividade das empresas e elevando o desemprego. Com a carência de recursos, as famílias aumentaram a demanda por algumas linhas de crédito nos bancos. O rotativo do cartão, juntamente com o cheque especial, é uma modalidade de crédito emergencial, muito acessada em momentos de dificuldades.
O juro do rotativo é uma das taxas mais elevadas entre as avaliadas pelo BC. Dentro desta rubrica, a taxa da modalidade rotativo regular passou de 285,7% para 292,1% ao ano de outubro para novembro. Neste caso, são consideradas as operações com cartão rotativo em que houve o pagamento mínimo da fatura.
Já a taxa de juros da modalidade rotativo não regular passou de 339,4% para 339,8% ao ano. O rotativo não regular inclui as operações nas quais o pagamento mínimo da fatura não foi realizado. No caso do parcelado, ainda dentro de cartão de crédito, o juro passou de 148,6% para 146,5% ao ano.
Considerando o juro total do cartão de crédito, que leva em conta operações do rotativo e do parcelado, a taxa passou de 60,8% para 57,4%.
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Em abril de 2017, começou a valer a regra que obriga os bancos a transferir, após um mês, a dívida do rotativo do cartão de crédito para o parcelado, a juros mais baixos. A intenção do governo com a nova regra era permitir que a taxa de juros para o rotativo do cartão de crédito recuasse, já que o risco de inadimplência, em tese, cai com a migração para o parcelado.
Atualmente, porém, o risco de inadimplência aumentou, justamente porque muitas famílias estão enfrentando redução de renda, na esteira da pandemia.
O chefe do Departamento de Estatísticas do Banco Central, Fernando Rocha, citou a recuperação do saldo de crédito para pessoas físicas na modalidade cartão de crédito à vista, que registrou elevação de 7,8% em novembro. A rubrica atingiu um saldo de R$ 218,007 bilhões no mês passado, o que é o maior para a série histórica iniciada em 2007. O saldo de crédito do cartão à vista é considerado um termômetro para o desempenho da economia brasileira na retomada, após os efeitos mais intensos da pandemia do novo coronavírus.
Rocha lembrou que, no fim de ano, o saldo do cartão à vista costuma subir em função do pagamento do 13º salário. Além disso, a Black Friday contribui para o aumento de gastos no cartão à vista. Ao analisar a rubrica de crédito para compra de veículos, Rocha pontuou que o resultado de novembro, de R$ 216,009 bilhões de saldo, também é o maior da série histórica.
Fernando Rocha também afirmou que uma das razões para a baixa inadimplência em operações de crédito no Brasil, em meio à crise provocada pela pandemia do novo coronavírus, é o fato de os bancos terem promovido nos últimos meses renegociações e repactuações de dívidas.
"Com as renegociações, evita-se que o saldo fique em atraso. Só que o crescimento do saldo total de crédito também contribui para reduzir a taxa de inadimplência", pontuou. Em novembro, a taxa total de inadimplência no crédito livre atingiu 3,0%. Em fevereiro, antes do acirramento da pandemia, ela estava em 3,8%.
Rocha disse, ainda, que não há informações sobre restrição, por parte dos bancos, do acesso de clientes aos cheque especial. O comentário foi feito, durante a coletiva de imprensa, em um contexto de redução de 20% do saldo de operações com cheque especial em 2020 até novembro, apesar da pandemia do novo coronavírus.
Em tese, a crise provocada pela covid-19 poderia levar a um aumento da busca das famílias por crédito em linhas emergenciais, como o cheque especial. Mas isso não ocorreu. "Temos comentários, nos bancos, de uma menor demanda de cheque especial. Algumas instituições disseram que a procura de clientes por cheque especial não tem sido grande", afirmou. "Podemos pensar na hipótese de o auxílio emergencial estar ajudando nisso."
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