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Com a desvalorização do real, as exportações ficaram mais atraentes ao agricultor; setor é resiliente na crise e preço das commodities se mantém firme
A agricultura vai colher este ano um dos seus melhores resultados no campo. Se, da porteira para fora, os impactos do coronavírus na economia se revelam desastrosos para os balanços de grandes empresas, no agronegócio o ano será de recorde de receita. Levantamento feito pela Confederação Nacional da Agricultura e Pecuária (CNA) mostra que o Valor Bruto da Produção atingirá R$ 728,6 bilhões, aumento de 11,8% sobre 2019, maior cifra em reais da história do setor.
Em meio à pandemia, a expectativa é que o PIB do agronegócio passe a responder por 23,6% do total do País - no ano passado, ficou em 21,4%. "O dólar alto e os preços firmes das commodities beneficiaram a agricultura", disse Renato Conchon, coordenador econômico da CNA. A entidade prevê que o PIB nacional caia 5,8%, previsão que ainda pode ser revista para um número maior.
Com a desvalorização do real, as exportações ficaram mais atraentes ao agricultor. "Na crise, ninguém deixa de comer", afirmou Conchon. No ano em que os produtores colheram sua maior safra de grãos - de 250 milhões de toneladas -, a expectativa é de que o desempenho possa se repetir em 2021. Mais capitalizados, parte dos produtores rurais já começou a adquirir insumos para o próximo plantio.
"Neste mês de maio, os produtores já travaram o preço de 32% da safra do ano que vem, que ainda nem foi plantada. No passado, na mesma época, apenas 8% da produção tinha sido vendida antecipadamente. Em 2017, esse volume era praticamente zero", disse José Carlos Hausknecht, diretor da MB Agro, uma da principais consultorias de agronegócio do País.
A soja e o milho foram os grandes carros-chefes da agricultura, explicou Conchon. Da ganho previsto de R$ 728,6 bilhões, R$ 175 bilhões vão corresponder à receita com a oleaginosa (alta de 13% sobre 2019) e R$ 90 bilhões com o milho (32,9% maior que no ano anterior). Já a carne bovina vai registrar R$ 139 bilhões da receita, queda de 19,5% sobre 2019. "Veremos a soja avançando sobre outras áreas de cultivo no ano que vem", disse Hausknecht.
Com este cenário, a cana deverá perder espaço. Dados da CNA mostram que a receita com cana-de-açúcar ficará em R$ 47,4 bilhões, estável sobre o ano anterior.
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É no Centro-Oeste que o agronegócio dá sinais de maior vitalidade. Um quarto do valor adicionado bruto (receita menos despesas) da agropecuária brasileira está concentrado em 165 municípios do País, de acordo com dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).
No topo das principais cidades com maior contribuição para o PIB do setor, estão Sapezal e Sorriso, no Mato Grosso; Rio Verde (GO); e Três Lagoas (MS). Na ponta, a cidade de São Desidério, no oeste baiano. Juntas, elas somaram 2,2% do valor adicionado bruto da agropecuária em 2017 (último dado consolidado).
"Se você for analisar friamente, Rio Verde não tem as melhores condições de solo e clima do Brasil. Os bons resultados no campo refletem o espírito empreendedor dos agricultores da região e dos migrantes que vieram do Sul e Sudeste do País, que investiram muito em pesquisa e no cooperativismo aqui na região", afirmou Ênio Fernandes Júnior, engenheiro agrônomo e um dos principais agricultores de Rio Verde.
Em Três Lagoas, a pecuária está cedendo cada vez mais espaço para os grãos. Na fazenda Mateberi, administrada por William Costa, o plantio do grão está avançando sobre as pastagens. "Pegamos gosto pela soja, que deixa ganho de até R$ 1 mil por hectare e retorna um pasto de alta qualidade", disse Costa.
O plano é ampliar a lavoura na fazenda, que tem 31 anos de tradição em pecuária de corte. As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.
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