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divulgada hoje

Carta de ex-ministros e ex-presidentes do BC cobra do governo desmatamento zero

Documento propõe diretrizes para o alcance da chamada economia de baixo carbono, como o investimento em novas tecnologias e o aumento da cooperação internacional

Pedro Malan, ex-ministro da Fazenda, ex-presidente do Banco Central e um dos pais do Plano Real
Evento "20 anos depois do Plano Real: um debate sobre o futuro do Brasil" realizado pelo Instituto Fernando Henrique Cardoso no Conjunto Nacional, na Avenida Paulista. Na foto Pedro Malan - Imagem: Clayton de Souza/Estadão Conteúdo

Carta ambiental assinada por 17 ex-ministros da Fazenda e ex-presidentes do Banco Central cobra do governo brasileiro ações para que o desmatamento tanto da Amazônia como do Cerrado caia para zero. Divulgado nesta terça-feira, 14, o documento propõe diretrizes para o alcance da chamada economia de baixo carbono, como o investimento em novas tecnologias e o aumento da cooperação internacional.

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Como mostrou o Broadcast (sistema de notícias em tempo real do Grupo Estado) na semana passada, o objetivo da carta é propor uma virada na gestão ambiental para uma haja uma "recuperação verde" da economia brasileira após a crise decorrente da pandemia de covid-19.

"Nós, ex-ministros da Fazenda e ex-presidentes do Banco Central do Brasil, defendemos que critérios de redução das emissões e do estoque de gases de efeito estufa na atmosfera, e de resiliência aos impactos da mudança do clima sejam integrados à gestão da política econômica. Esses critérios já são, e serão cada vez mais, baseados em tecnologias compatíveis com o aumento da produtividade da nossa economia, a geração de empregos e a redução da desigualdade no Brasil", afirma a carta, coordenada pelo Instituto Clima e Sociedade (iCS) e pelo Instituto O Mundo Que Queremos.

Os antigos membros de equipes econômicas de diversos governos das últimas três décadas alertam que os custos de se "descuidar" dos eventos climáticos poderão ser bem maiores que os custos da atual pandemia de covid-19. Enquanto o governo de Jair Bolsonaro sofre a pressão de investidores internacionais contra o aumento do desmatamento da Amazônia, a carta lembra que os mercados financeiros sabem precificar os riscos de longo prazo na área ambiental.

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"O prejuízo do desmatamento tem levado diversos parceiros comerciais importantes e investidores estrangeiros no Brasil a expressarem veementemente seu descontentamento e preocupação, que certamente se traduzirão em menores fluxos de comércio e investimentos no País", destaca o documento. "A crescente disciplina da precificação dos riscos ambientais, inclusive sistêmicos, deverá fortalecer o compromisso com os objetivos de governança, sociais e ambientais", completa o texto.

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Na avaliação dos economistas signatários da carta, a saída da crise pós-covid-19 oferece as oportunidades para essa guinada ambiental na economia, com investimentos públicos e privados nessa direção. Eles lembram as vantagens comparativas do Brasil na área e recomendam a eliminação de subsídios a combustíveis fósseis, a emissão criteriosa de ativos financeiros verdes, a mobilização de fontes de financiamento provado para iniciativas de mitigação e a ampliação da cooperação internacional.

Entre os signatários estão os ex-ministros da Fazenda: Luiz Carlos Bresser-Pereira (1987), Maílson da Nóbrega (1987-1990), Zélia Cardoso de Mello (1990-1991), Marcílio Marques Moreira (1991-1992), Gustavo Krause (1992), Fernando Henrique Cardoso (1993-1994, depois presidente da República entre 1995 e 2002), Rubens Ricupero (1994), Pedro Malan (1995-2003, também presidiu o BC entre 1993 e 1994), Joaquim Levy (2015), Nelson Barbosa (2015-2016), Henrique Meirelles (2016-2018, também presidiu o BC entre 2003 e 2011) e Eduardo Guardia (2018).

Entre os ex-presidentes do Banco Central que assinaram a carta estão Gustavo Loyola (1992-1993 e 1995-1997), Pérsio Arida (1995), Armínio Fraga (1999-2003), Alexandre Tombini (2011-2016) e Ilan Goldfajn (2016-2019).

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