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presidente do banco central

Campos Neto diz não ser contra transferência de recursos do BC ao Tesouro

Como informou o Broadcast (sistema de notícias em tempo real do Grupo Estado) na semana passada, o Conselho Monetário Nacional (CMN) vai decidir sobre o repasse, ao Tesouro Nacional, de parte das reservas de resultado cambial do Banco Central, hoje em R$ 521,1 bilhões. O ministro da Economia, Paulo Guedes, estaria de olho em R$ […]

Presidente do Banco Central, Roberto Campos Neto, sentado em frente a um microfone
(Brasília - DF, 07/04/2020) Presidente do Banco Central, Roberto Campos Neto. - Imagem: Foto: José Dias/PR

Como informou o Broadcast (sistema de notícias em tempo real do Grupo Estado) na semana passada, o Conselho Monetário Nacional (CMN) vai decidir sobre o repasse, ao Tesouro Nacional, de parte das reservas de resultado cambial do Banco Central, hoje em R$ 521,1 bilhões. O ministro da Economia, Paulo Guedes, estaria de olho em R$ 400 bilhões deste total (76,8%) para abater a dívida pública, sendo que a sobra de R$ 121,1 bilhões ainda seria mais do que suficiente para o BC, no exercício seguinte, não precisar receber aportes do Tesouro para cobrir eventuais prejuízos no câmbio.

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Essa possibilidade de repasse ao Tesouro deve ser avaliada já no próximo encontro ordinário do Conselho Monetário Nacional (CMN), marcado para a próxima quinta-feira, 27.

"É importante entender que quando você tem uma reserva que é financiada por dívida, é como se tivesse olhando uma empresa que, de um lado, tem uma dívida que você emitiu, e do outro lado você tem os dólares", explicou nesta segunda-feira Campos Neto. "Então, quando você vende os dólares, sobra para a dívida que você contraiu inicialmente para comprar aqueles dólares."

Assim, de acordo com o presidente do BC, o ganho com as reservas pode ser transferido para o Tesouro, que usará isso para pagar a dívida pública que está vencendo. "Na hora em que ele (Tesouro) usa aquilo para pagar uma dívida que está vencendo, é como se ele tivesse alguém que tivesse papel do Tesouro e não houve uma emissão. Então, sobra dinheiro na economia", disse Campos Neto.

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Conforme o presidente da autarquia, como o BC precisará enxugar este dinheiro que sobra na economia, a instituição "pega título no Tesouro e faz uma compromissada". Na prática, a operação faz com que o Tesouro não tenha que ir ao mercado para se financiar e passe os títulos para o BC para se financiar da mesma forma. "Se a gente olhasse de forma agregada, você elimina a necessidade do Tesouro de ir ao mercado", afirmou Campos Neto.

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Campos Neto pontuou ainda que, como grande parte do ganho com reservas não é de fato realizado - já que o BC pode perder com as reservas no exercício seguinte, a depender do movimento do câmbio - "a ideia era fazer uma transferência, mas deixar algum colchão para absorver estes possíveis movimentos". "Se faz a transferência, mas se deixa colchão para absorver este impacto. Seria ruim fazer a transferência e depois ter que pedir o auxílio do Tesouro através de título no mesmo período", acrescentou.

Nota de R$ 200

O presidente do Banco Central fez também nesta segunda-feira uma defesa da nota de R$ 200, cujo lançamento oficial está programado para o fim deste mês. Segundo ele, a nova cédula não terá impacto sobre a inflação, nem vai favorecer a corrupção. "É consenso entre os economistas que a nota de R$ 200 não tem impacto na inflação", afirmou, para completar: "A melhor forma de combater a corrupção é a digitalização. Achamos que a digitalização é algo que vai continuar."

Campos Neto reconheceu que a nota "vai, de fato, contra algumas coisas que o BC está pregando", como o avanço da digitalização nos meios de pagamento. No entanto, ele ponderou que o lançamento da cédula vai ocorrer em função de "circunstâncias do momento".

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Entre essas circunstâncias, ele citou o fato de mais parcelas do auxílio emergencial estarem sendo pagas - e não apenas duas, como previsto originalmente - e o movimento de entesouramento de dinheiro pelas famílias na pandemia, algo que acontece não apenas no Brasil.

Um terceiro fator é que muitos bancos têm optado por manter as cédulas em suas estruturas, e não nos cofres do BC, por questão de custo. "O dinheiro começou a voltar ao menos para o BC, porque a taxa de custódia ficou baixa", disse.

Ao tratar de uma das principais iniciativas na área de digitalização - o PIX, o sistema brasileiro de pagamentos instantâneos -, Campos Neto afirmou que ele faz parte de um grande projeto, de mudança dos meios de pagamento no futuro. Ele lembrou que o sistema, com lançamento marcado para 16 de novembro, já conta com acordos para o pagamento de impostos à Receita Federal e de contas de energia elétrica.

Campos Neto participou nesta segunda-feira do Estadão Live Talks, ciclo de debates dedicado a compreender os desafios e identificar as alternativas para o Brasil reaquecer sua economia, após a passagem da pandemia do novo coronavírus.

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