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controvérsias

Brasil não pode caminhar para juro zero, diz Senna, ex-BC

Para o especialista, a economia brasileira tem risco mais elevado, principalmente por causa do desequilíbrio fiscal

José Júlio Senna, chefe do Centro de Estudos Monetários do Instituto Brasileiro de Economia da Fundação Getulio Vargas (IRB-FGV)
José Júlio Senna, chefe do Centro de Estudos Monetários do Ibre-FGV - Imagem: Divulgação

O Banco Central (BC) deveria ter parado o ciclo de queda na taxa básica de juros (Selic) em 3,0% ao ano, afirmou nesta quinta-feira (18) o chefe do Centro de Política Monetária do Instituto Brasileiro de Economia da Fundação Getulio Vargas (Ibre/FGV), José Júlio Senna.

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Para o especialista, que foi diretor do BC, a economia brasileira tem risco mais elevado, principalmente por causa do desequilíbrio fiscal, o que deveria estar refletido em taxa básica de juros maior.

"O Brasil se distingue por ter prêmio de risco mais alto. Isso deveria ser incorporado na política monetária. Não podemos caminhar para (juro) zero, como os (países) desenvolvidos", afirmou Senna, em palestra durante o "II Seminário de Análise Conjuntural", que ocorre em transmissão ao vivo na internet, numa parceria com o Estadão.

Para o pesquisador do Ibre/FGV, ir abaixo de 3,0% com a Selic poderá gerar desequilíbrios no câmbio. Além disso, não há ganhos numa redução, porque os obstáculos para uma recuperação mais rápida da economia, após a crise causada pela pandemia de covid-19, com destaque para a questão fiscal - que poderá piorar, diante da necessidade de o governo gastar mais para mitigar a crise.

"O risco é muito significativo. Pode acontecer de a liquidez internacional abundante, que ajudou as bolsas (no mundo todo), não fazer o mesmo com a nossa (bolsa)", disse Senna, lembrando que, mesmo com a elevada liquidez desde a crise de 2008, os ativos no mercado brasileiro, já que a economia entraria em recessão e crise fiscal, não avançaram tanto quanto nos Estados Unidos.

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*Com Estadão Conteúdo

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