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Selic parada?

Banco Central sinaliza pausa, mas coronavírus deve forçar outro corte, diz Mizuho

Banco Central poderá cortar Selic novamente se verificar impacto maior que o estimado do coronavírus na economia, diz o banco Mizuho. Retomada da agenda de reformas e deterioração de ativos financeiros, no entanto, são obstáculos

O presidente do Banco Central (BC), Roberto Campos Neto - Imagem: Fabio Rodrigues Pozzebom/Agência Brasil

O Banco Central sinalizou, a princípio, que não pretende voltar a cortar a Selic, mas ao mesmo tempo reconheceu haver incertezas no horizonte, deixando a porta aberta para alteração no plano de voo. O autor da análise é o estrategista-chefe do banco Mizuho, Luciano Rostagno.

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"A razão do corte de 0,5 ponto sem dúvida é o impacto do coronavírus na economia, que deve levar a uma desaceleração acentuada. BC agiu pra tentar minimizar o impacto", afirmou Rostagno, que também disse que a redução do juro se deu para atender as expectativas do mercado.

Segundo o economista, a autoridade buscou preservar os graus de liberdade da política monetária ao sinalizar que não quer realizar um corte na próxima reunião do Copom, em maio.

Rostagno menciona que o comunicado reconhece que outro corte pode ser negativo para ativos — como o real — em um ambiente de grande deterioração das condições financeiras e elevação de prêmios de risco, além das incertezas acerca da continuidade da agenda de reformas.

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"Acho que o BC também reforçou a necessidade de retomar a agenda de reformas e de perseverar um ajuste fiscal", disse ele. "É uma mensagem que BC deu para indicar que seriam condições importantes para abrir espaço para novos cortes."

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Flexibilização adicional da taxa de juros virá também se a autoridade reavaliar a evolução do cenário e reparar que os efeitos da pandemia são mais profundos do que os estimados atualmente, disse Rostagno.

O desempenho da atividade econômica futura, e não a perspectiva de inflação para 2021 (de 3,6%), bem próxima do centro da meta de inflação (de 3,75%), será o determinante para outro corte, afirmou ele. A aposta dele é que a Selic termine 2020 em 3,5% ao ano.

"Nas próximas semanas vai haver piora substancial do problema do coronavírus no país", disse ele. "Com esse cenário de crescimento prospectivo, a tendência é do BC continuar a cortar."

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[captacao]

Para a abertura dos mercados amanhã, o economista espera que o movimento do dólar seja ditado pelos rumos externos, o mesmo valendo para os juros futuros. "Vai ser assim, porque o mercado já tinha precificado esse corte", disse Rostagno.

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