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Confira o que disseram Candido Bracher, do Itaú, Octavio de Lazari, do Bradesco, e Sérgio Rial, do Santander, em uma transmissão no YouTube
A crise do coronavírus promoveu um raro encontro público – no caso, virtual – dos presidentes dos três maiores bancos privados brasileiros. Candido Bracher, do Itaú Unibanco, Octavio de Lazari, do Bradesco, e Sérgio Rial, do Santander, participaram de uma transmissão no YouTube promovida pelo Credit Suisse.
Na transmissão, que contou também com Ilan Goldfajn, ex-presidente do Banco Central e atual presidente do conselho do banco suíço no país, eles falaram sobre os impactos da disseminação do coronavírus na economia e fizeram propostas para lidar com a crise.
Eu acompanhei a "live" e trago para você alguns dos temas abordados pelos executivos. O link para a íntegra da transmissão está no final do texto:
“Agora em maio faz 39 anos que trabalho em banco. Na minha experiência, a crise que a gente está vivendo sempre parece ser a mais difícil. Mas essa crise realmente é realmente diferente e muito mais complexa. É uma crise simultânea de oferta e demanda, a economia é afetada pelos dois lados. E não se resolve apenas com medidas financeiras.”
“A crise provavelmente levará ao pior ano de queda do PIB em qualquer época. O que essa crise tem de melhor que as outras? É a situação em que o Brasil está. Há 2 elementos que nos torna muito mais capazes de resistir. Um deles é a [menor] dependência externa. A outra, que é muito mais recente, é a taxa de juros. Se tivéssemos hoje taxa de juros de 14% ao ano, teria um efeito destruidor na economia terrível.”
“Quando nós – Bradesco, Itaú e Santander – sentimos o problema, fomos os primeiros a bancar a prorrogação dos contratos por 60 dias para os nossos clientes para que eles pudessem ter um prazo maior para pagar suas obrigações, então acho que foi uma medida importante que foi tomada logo no início.”
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“Depois levamos ao Banco Central a sugestão a respeito das folha de pagamento, porque era importante para que a gente colocasse esses recursos, principalmente para as empresas menores.”
“Lembrando que é a operação tem custo zero, ou seja, é só Selic (3,75% ao ano). Não tem spread, os bancos não estão ganhando dinheiro, pelo contrário, estão assumindo uma parte do risco e todos os custos operacionais. Agora temos que tomar medidas para setores mais específicos.”
“Não dá para deixar de reconhecer que temos milhões de pessoas com um nível de ansiedade enorme, seja por conta do próprio vírus como também com suas finanças pessoais.”
“Nós como um todo fomos capazes de evitar a discussão de risco. Tem duas coisas que estão dadas: recessão e inadimplência. Nós não sabemos o tamanho da inadimplência, mas nós não podemos descartar o surgimento de um medicamento e o mundo reagir a essa crise de forma completamente diferente.”
“Mas assumindo a premissa da recessão e da inadimplência, os bancos não perderam tempo com discussão de risco para fazer [na linha de folha de pagamento] com que o dinheiro chegasse na mão das pessoas.”
“Há uns 15 dias houve muita crítica de que os bancos estavam retendo liquidez, de que o dinheiro não chegava na ponta. Eu brinquei na época que era como uma pessoa que entra no supermercado e quer comprar 100 litros de álcool em gel. O que aconteceu com a liquidez foi exatamente a mesma coisa.”
“O mercado de capitais fechou fechou e as empresas começaram a buscar dinheiro no crédito bancário. No Bradesco eu recebo R$ 1,5 bilhões a R$ 2 bilhões por dia de tíquete do banco corporativo. Houve dia em que a gente recebeu R$ 20 bilhões. O que nós fizemos foi distribuir essa liquidez para atender a todos. Foram três dias, mas já se normalizou.”
“Todas as empresas brasileiras fizeram um trabalho espetacular de fortalecimento da sua estrutura de capital nos últimos 18 meses. Todas chegam nessa crise melhor do que estavam na média últimos três anos anos. Então as grandes empresas me preocupam menos, salvo um setor aqui e ali.”
“A pequena e média empresa sai claramente machucada. Dado que a inadimplência é real, ter a Selic que nós temos hoje nos permite de falar de prazo. Nós não tínhamos essa possibilidade em 2008.”
“Prazo vai ser uma das grandes soluções. A outra é que vão existir oportunidades dos bancos de montarem seus fundos de private equity [que compram participações em empresas]. Às vezes o que o indivíduo precisa é de uma infusão na sua estrutura de capital de equity [ações].”
“A linha do governo de financiamento da folha de pagamento para salários de até dois salários mínimos para empresas de R$ 360 mil a R$ 10 milhões de faturamento foi extremamente engenhosa. [O governo] pode fazer por dois meses ou por mais tempo, e acho até que deveria estender para empresas com faturamento acima de R$ 10 milhões por ano.”
“De qualquer forma, não dá pra fugir do fato de que será necessária grande injeção de recursos públicos. Não vejo como isso não ocorrer. O ministro falou em R$ 750 bilhões, o que é 10% do PIB. Acho que pelo menos isso será necessário. Não vejo como atravessar essa crise com R$ 40 a 50 bilhões, não é realista.”
“O mais importante será a credibilidade da austeridade que será colocada depois da crise. Desejo muito fortemente que haja entendimento entre executivo e legislativo para que se possa transmitir ao mercado essa segurança de que, passada a crise, teremos unidade e consenso entre os órgãos para ter controle de crescimento da dívida e manter a taxa de juros baixa.”
“A taxa de juros pode chegar a 2%, e com juro baixo você ganha tempo para administrar a situação.”
Assista à integra da fala dos presidentes de Itaú, Bradesco e Santander Brasil:
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