Direto ao ponto: comprar ou não comprar dólar?
A verdade é que ninguém sabe se o dólar vai cair, subir, andar de lado, dar cambalhota ou mortal carpado. Diante disso, quando me perguntam "comprar ou não comprar dólar”; eu devolvo com um segunda questionamento: “depende, você já tem dólar?”

Devo confessar que sempre fui contra abordagens mais deterministas a assuntos complexos. Necessariamente, quando tratamos de ativos financeiros, não podemos nos esquecer que o objeto de estudo não obedece a um comportamento previsível; ou seja, muito dificilmente consegue preservar suas capacidades e características estatísticas.
Evidentemente, existem fundamentos que podem nos nortear em horizontes mais dilatados de tempo, mas será sempre necessário a passagem de tempo per se para que tenhamos uma aderência maior entre fundamentos e valor representado nos ativos financeiros.
Breve parêntese: hoje, o mundo vive um aparente descolamento entre fundamento e ativos financeiro. Costumeiramente, antes, o natural seria que o preço no mercado financeiro convergisse para o valor intrínseco do ativo subjacente. Já agora, a expectativa é que a realidade convirja para o que está na tela, em um claro processo de contratação de crescimento, em especial no EUA quando estudamos as FAAMGs.
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Abaixo, disponibilizo um gráfico do Goldman Sachs que reflete esse "gap" crescente entre o setor de tecnologia e demais segmentos listados em Bolsa.
Em linhas gerais, existe um aprofundamento do movimento já verificado desde o pós crise de 2008 no sentido de ações de tecnologia - notadamente, as FAAMGs (Facebook, Amazon, Apple, Microsoft e Google) - ficarem mais caras no relativo.
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Atualmente, tais empresas perfazem boa parte do índice S&P 500, gerando a distorção mercadológica verificada desde 23 de março, em uma recuperação do índice americano, em paralelo à injeção de liquidez do Fed. Note abaixo como cresceu a participação do market cap das cinco maiores companhias.
Feito o parêntese, por mais que o presente seja minimamente estranho, ainda existe a expectativa de que, no longo prazo, as coisas convirjam - seja por um aprimoramento dos ativos reais, seja por uma outra grande correção (ainda é válido dizer que renovaremos as mínimas).
Contudo, quando entramos na discussão cambial… Bem, aí o jogo é outro. Felipe Miranda, estrategista-chefe e sócio fundador da Empiricus, a maior casa de análise de investimentos independente do Brasil, talvez seja uma das pessoas aplicadas à estratégia de investimentos com maior gabarito para falar de câmbio (sua tese de mestrado foi sobre prêmio de risco cambial). O economista é conhecido por dizer “ninguém sabe para onde vai o câmbio”.
Ora, se mesmo os mais gabaritados para o assunto admitem que, em vias de humildade epistemológica (da qual já tratamos neste espaço como sendo fundamental para o processo bem-sucedido de investimento), é impossível prever a taxa de câmbio, por que nós, mortais, deveríamos incorrer do erro (ou da arrogância) de tentar prevê-la? A verdade é que ninguém sabe se o dólar vai cair, subir, andar de lado, dar cambalhota ou mortal carpado.
Diante disso, quando me perguntam "comprar ou não comprar dólar”; eu devolvo com um segunda questionamento: “depende, você já tem dólar?”. A partir do momento que consideramos inviável a compra de dólar por acreditar que o mesmo vai subir ou cair, acabamos caindo no que realmente importa: uma abordagem estrutural para a posição.
Nesse sentido, sempre devemos carregar um pouco de moeda forte conosco. Preferencialmente dólar, pois mais de 80% do comércio mundial está em cima dela. Outras como franco suíço, libra esterlina, euro e iene, porém, também servem. Idealmente, ter uma cesta de moedas fortes é muito válido - algo como 5% do total investido em moeda forte, sendo 75% dos 5% em dólar e os outros 25% nas outras supramencionadas.
Claro, o processo de dolarização da carteira é muito importante na sofisticação patrimonial. Não só via dólar puro, mas também com ouro (preferencialmente dolarizado) e demais posições no exterior. Ficaria mais ou menos assim: 5% em moeda forte (75% dólar e 25% diversificado em outras moedas também fortes no mundo), 5% em ouro dolarizado e, em um início de internacionalização, 15% em uma carteira no exterior, comprando ativos lá fora (outra carteira mesmo, com renda fixa e renda variável). O processo de internacionalização é muito importante é já o defendi muito aqui.
Tudo isso, claro, feito sob o devido dimensionamento das posições, conforme seu perfil de risco, e a devida diversificação de carteira, com as respectivas proteções associadas.
Então, se é para comprar dólar, respondo-lhes: sim, é preciso ter dólar.
“Ah Matheus, mas eu já tenho dólar na carteira. Devo comprar mais?”. Novamente, depende do quanto você já tem. 5% seria importante sempre carregar em moeda forte, excesso sobre isso seria mais direcional. Como ninguém sabe para onde o dólar vai, fica difícil ter algum insight sobre o tema.
Entretanto, dada as condições atuais, fica bem claro que é mais provável que haja uma deterioração da moeda brasileira do que um aprimoramento; isto é, é mais fácil o dólar ficar como está ou subir do que cair com mais veemência.
Essas e outras ideias, todas ensinadas a mim pelo Felipe Miranda, podem ser acessadas no nosso best-seller na Empiricus, a série Palavra do Estrategista.
Trata-se da principal série de ideias do Felipe, com todos as sugestões que o investidor precisa para os momentos mais difíceis do mercado. Lá, também disponibilizamos as melhores formas de dolarizar seu patrimônio.
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