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O mistério em pauta é a dicotomia entre os preços dos ativos negociados na Bolsa e os números preocupantes vindos da economia real
Escrita pelo italiano Luigi Pirandello em 1917, a comédia “Assim é (se lhe parece)” conta a história de um homem recém-chegado a uma cidadezinha da Sicília. Sua rotina incomum logo vira assunto na vizinhança, por alternar os dias entre a casa da esposa e a casa da sogra — que, estranhamente, nunca eram vistas juntas.
O título da peça faz referência à forma como a narrativa é conduzida, baseada nas versões idealizadas pelos vizinhos para explicar o mistério. Fica para o leitor a tarefa de questionar o que é verdade e o que se trata de pura ilusão.
Dando um salto diretamente para os dias atuais, o mistério em pauta é a dicotomia entre os preços dos ativos negociados na Bolsa e os números preocupantes vindos da economia real.
Embora hoje o nível de risco e as incertezas sejam muito maiores do que no início do ano, nenhum dado tem sido suficiente para inibir a esperança em uma recuperação global em formato de “V”, ou seja, com um rápido retorno da atividade após a parada forçada pela pandemia do coronavírus.
“A verdade é que contra fluxo não há argumento”, gosta de justificar um amigo operador. Ele se refere à expansão monetária sem precedentes coordenada pelos grandes bancos centrais desde o início do ano. Pelos cálculos do FMI, os estímulos já somam US$ 10 trilhões em todo o mundo.
Esse dinheiro inevitavelmente flui pelo mercado financeiro e acaba ajudando a sustentar a onda de otimismo que presenciamos nas últimas semanas, que levou as principais Bolsas americanas a zerarem as perdas em 2020, apesar de o Federal Reserve projetar uma queda de 6,5% para o PIB dos EUA neste ano.
Mas até que ponto a disposição dos grandes bancos centrais de continuar bancando a festa justifica esse otimismo exagerado e inabalável? Curiosa sobre como os gestores de fundos estão vendo esse cenário, passei a última semana devorando as cartas mensais divulgadas pelas gestoras.
Além do contato contínuo com os gestores, nós da série Os Melhores Fundos de Investimento nos dedicamos a acompanhar de perto as cartas — e fazemos questão de enviá-las prontamente aos nossos assinantes. Nos empenhamos em ler todas elas, sejam os respectivos fundos sugeridos nesta série ou não.
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E o que temos visto? Poderia dividir os gestores hoje em dois grupos. No primeiro, estão os que têm assumido uma postura cética diante do rali dos mercados. Eles questionam a hipótese de uma saída rápida da recessão e chamam a atenção para a piora da relação entre risco e retorno dos ativos. Já adianto que consideramos esses os melhores profissionais para gerir o seu patrimônio.
Importante dizer: o fato de questionarem se o rali da Bolsas é sustentável não os impede de ganhar com a alta. O que os melhores gestores fazem é procurar uma forma responsável e diligente de aproveitar a tendência, mas sem nunca abrir mão de proteções na carteira diante do elevado nível de incerteza no cenário econômico.
Do outro lado, temos visto a figura do “gestor torcedor”. Aquele que, estimulado pelo rali recente e com receio de desperdiçar a chance de melhorar seu retorno de curto prazo, acaba relegando o risco que corre. Sobretudo no Brasil, onde o descontrole sobre a pandemia e a deterioração econômica somam-se à fragilidade fiscal e à constante turbulência política. Sem coragem de ir contra a manada, ele aumenta o risco da carteira e vira um torcedor.
Mesmo com o tombo em Wall Street ontem (e que implicará um ajuste por aqui hoje), os ativos de risco podem até continuar subindo no curto prazo. Mas nem de longe é hora de baixar a guarda. Algumas lições que ficam para o investidor:
– Momentos como esses são bons termômetros para identificar quem está mais apto a cuidar da preservação do seu capital;
– Desempenho de curto prazo é o pior critério para avaliar um gestor. Em geral, quem entrega retorno acima da média hoje é justamente aquele que está correndo riscos além do que consideramos adequado.
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