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Com saída de Moro do governo, Ibovespa opera em queda de mais de 5%; dólar dispara a R$ 5,70

Pedido de demissão de Sergio Moro amplia a tensão em Brasília e faz a bolsa despencar; dólar dispara e chega a R$ 5,73 na máxima

24 de abril de 2020
10:06 - atualizado às 15:26
Selo Mercados AGORA Ibovespa dólar
Imagem: Montagem Andrei Morais / Shutterstock

O dólar à vista dispara e renova as máximas e o Ibovespa aprofunda a queda nesta sexta-feira (24), com os investidores mostrando enorme cautela após a confirmação da saída do ministro Sergio Moro do governo Bolsonaro.

Por volta das 15h20, o índice brasileiro operava em forte baixa de 5,67%, aos 75.158,13 pontos. Na mínima, o índice tocou os 72.040,82 pontos (-9,80%) e ficou a um triz de acionar mais um circuit breaker — em março, o botão do pânico da bolsa foi pressionado seis vezes.

No câmbio, a situação é igualmente nervosa: o dólar à vista disparava 3,15% no mesmo horário, a R$ 5,7029. Com o desempenho do momento, a moeda americana já acumula ganhos de quase 9% na semana; no ano, o salto supera os 42%.

  • Confira a edição desta sexta-feira do Podcast Touros e Ursos! Os repórteres Victor Aguiar e Julia Wiltgen comentaram sobre a saída de Moro do governo e as consequências do turbilhão político para os mercados:

Em coletiva que durou pouco mais de 40 minutos, o agora ex-ministro lembrou que o convite para integrar o governo incluía a promessa de "carta branca" nas nomeações. Moro citou a tentativa de uma interferência política na Polícia Federal como gatilho para sua renúncia. "Falei que seria uma interferência política ao presidente e Bolsonaro disse: 'seria mesmo'".

Moro disse ainda que não assinou a saída do diretor-geral da PF e que ficou sabendo da demissão oficialmente pelo decreto publicado no Diário Oficial.

O dólar já havia avançado 2,22% no dia anterior, cotado a R$ 5,5287, e o Ibovespa havia registrado baixa de 1,26%, aos 79.673,30 pontos pela mesma razão. O mercado doméstico destoou do movimento de alta moderada no exterior após as primeiras informações sobre a possível demissão de Moro.

"No meio de uma incerteza fiscal enorme, temos uma crise política que parece que não poderá ser revertida mais", diz Solange Srour, economista-chefe da ARX Investimentos, ponderando ainda que Moro fez acusações graves contra Bolsonaro e que justificariam um impeachment.

Mais cedo, o ministro da Economia, Paulo Guedes, cancelou a participação em uma live promovida pelo Itaú — parte do mercado teme que Guedes também poderá deixar o governo, considerando a perda de protagonismo do ministro nos últimos dias.

Ainda em relação ao câmbio, o Banco Central promove nesta sexta-feira leilões de linha de dólar e de contratos de swap cambial para rolagem de vencimentos em ambos os instrumentos. A oferta é de US$ 3,5 bilhões.

Pessimismo lá fora

No exterior, as bolsas de Nova York também aumentaram a aversão ao risco durante a manhã. Em primeiro plano, aparece a incerteza quanto aos impactos econômicos do coronavírus, o que limitou a alta dos mercados acionários americanos.

No mesmo horário, o Dow Jones subia 0,60%, o S&P 500 tinha alta de 0,87% e o Nasdaq avançava 1,07%, afastando-se das máximas registradas no início da sessão.

Esse leve tom positivo visto em Wall Street deixa claro que a forte queda do Ibovespa e o novo salto do dólar à vista possuem relação com o panorama doméstico e a instabilidade política vista em Brasília.

Juros sobem forte

Considerando esse cenário turbulento no front político e a disparada do dólar, as crvas de juros passam por um forte ajuste positivo — os investidores, que antes apostavam alto num corte firme da Selic na reunião de maio do Copom, agora assumem uma postura mais cautelosa.

Ainda assim, o cenário-base é de continuidade no ciclo de alívio monetário, como os DIs curtos deixam claro:

  • Janeiro/2021: de 2,71% para 3,15%;
  • Janeiro/2023: de 4,53% para 5,65%;
  • Janeiro/2025: de 6,26% para 7,32%.

Quase tudo em queda

Apenas três ativos do Ibovespa operam em alta nesta sexta-feira: Suzano ON (SUZB3), com ganho de 4,18%; as units da Klabin (KLBN11), com avanço de 1,53%; e Vale ON (VALE3), com valorização de 0,80% — as três são exportadoras e, assim, se beneficiam com o salto do dólar.

Veja abaixo as dez maiores quedas do índice no momento:

CÓDIGONOMEPREÇO (R$)VARIAÇÃO
CYRE3Cyrela ON13,51-15,56%
ECOR3Ecorodovias ON9,77-15,19%
ELET6Eletrobras PNB24,60-14,32%
SBSP3Sabesp ON36,46-13,97%
ELET3Eletrobras ON21,64-13,61%
BRML3BR Malls ON9,18-13,48%
AZUL4Azul PN14,37-12,22%
IRBR3IRB ON8,89-12,15%
BBAS3Banco do Brasil ON24,67-12,05%
HGTX3Cia Hering ON13,12-11,77%
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