Ibovespa acompanha exterior e perde força, mas segue em alta; dólar cai a R$ 4,99
Movimento reflete as ações de bancos centrais e governos em todo o mundo, que anunciaram medidas para lidar com a crise do novo coronavírus

O mercado financeiro global começou a sessão desta sexta-feira (20) mais calmo, mas essa tranquilidade logo perdeu embalo. O Ibovespa e as bolsas americanas, que abriram o dia em alta, perderam força e se afastaram das máximas; o dólar à vista segue em baixa, mas se distanciou das mínimas.
Mais cedo, o Ibovespa chegou a bater os 71.851,17 pontos (+5,15%), mas, às 15h05, exibia um tom menos positivo: avançava 2,14%, aos 69.794,44 pontos. Lá fora, o Dow Jones (-0,89%), o S&P 500 (-1,27%) e o Nasdaq (-0,23%) viraram para queda.
No câmbio, o dólar à vista recuava 2,14% no mesmo horário, a R$ 4,9932, após chegar aos R$ 4,9837 na mínima (-2,32%). Lá fora, o dia é marcado por uma relativa estabilidade da divisa americana em relação às demais moedas de países emergentes.
- Eu gravei um vídeo para falar do tom mais ameno do Ibovespa e do dólar nesta sexta-feira. Veja abaixo:
Por mais que o noticiário referente ao coronavírus continue trazendo enorme preocupação — já são mais de 10 mil mortos no mundo e quase 250 mil contaminados —, os investidores assumem uma postura menos pessimista, aproveitando os preços mais baixos das ações para recompor parte de suas carteiras
Mas, segundo o analista de investimento da Mirae Asset, Pedro Galdi, as altas nos mercados acionários hoje são parte de um ajuste técnico. "É um repique. Mas a situação já está dada: o cenário econômico vai piorar".
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E, de fato, muitos bancos e casas de análise cortaram suas projeções para o PIB do Brasil e do mundo nos últimos dias — caso do Goldman Sachs, Santander e UBS, entre outras.
A equipe econômica do governo federal divulga hoje, às 15h, uma revisão do Produto Interno Bruno (PIB). Segundo reportagem do Estadão, a estimativa oficial deve ser derrubada para zero, ante projeção de mais de 2% de poucos dias atrás.
Há pouco, o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, anunciou mais medidas para conter o avanço do coronavírus no país e mitigar os impactos à economia. Entre outros pontos, ele anunciou a suspensão temporária do pagamento de empréstimos estudantis.
BCs agindo em conjunto
Entre as iniciativas anunciadas pelo BC nos últimos dias, está a redução da taxa Selic ao nível de 3,75% ao ano, num movimento que ficou em linha com o novo ciclo de alívio monetário visto no exterior.
Hoje, a autoridade monetária faz operações compromissadas em moeda estrangeira mediante venda de títulos soberanos por instituição financeira. Por parte do Tesouro, há leilões extraordinários de compra e venda de LTN, NTN-F e NTN-B — posturas que ajudam a trazer alívio ao mercado de câmbio.
Nos Estados Unidos, o Federal Reserve (Fed) anunciou uma ação coordenada com outros cinco bancos centrais para garantir a oferta de liquidez por meio de operações de swap cambial.
As entidades envolvidas são o Banco do Canadá, o Banco da Inglaterra (BoE, na sigla em inglês), o Banco do Japão (BoJ), o Banco Central Europeu (BCE) e o Banco Nacional da Suíça.
Em meio às iniciativas, o mercado de juros futuros continua mostrando um comportamento errático, oscilando entre perdas e ganhos na ponta curta — os DIs longos, por outro lado, seguem com viés de baixa:
- Janeiro/2021: de 3,93% para 3,98%;
- Janeiro/2022: de 5,77% para 5,47%;
- Janeiro/2023: de 6,96% para 6,75%;
- Janeiro/2025: de 7,98% para 7,89%.
[captacao]
Olho nas áreas
Nesta sexta-feira, as ações que registram maiores altas na bolsa brasileira são a de companhias aéreas, que sofreram uma queda brusca nos últimos dias. As empresas do setor estão entre as mais afetadas com as medidas de isolamento social e restrição de governos.
Nesta quinta-feira, por exemplo, o Executivo brasileiro anunciou a restrição da entrada de visitantes de países da União Europeia, Ásia, entre outros. Mas o governo também publicou uma medida provisória que alivia o caixa das aéreas, com prazo estendido para reembolso das passagens e postergação do pagamento das outorgas dos aeroportos concedidos.
Com a medida e diante de fortes perdas dos últimos dias, os papéis do setor sobem forte: Azul PN (AZUL4) dispara 25,31%, enquanto Gol PN (GOLL4) avança 22,88%.
Altas e baixas
Veja abaixo os cinco papéis de melhor desempenho do Ibovespa às 15h05:
| CÓDIGO | NOME | PREÇO (R$) | VARIAÇÃO |
| SMLS3 | Smiles ON | 11,52 | +27,72% |
| AZUL4 | Azul PN | 15,00 | +25,31% |
| GOLL4 | Gol PN | 7,68 | +22,88% |
| WEGE3 | Weg ON | 34,55 | +20,26% |
| CVCB3 | CVC ON | 8,68 | +16,51% |
Confira também as cinco maiores perdas do índice:
| CÓDIGO | NOME | PREÇO (R$) | VARIAÇÃO |
| YDUQ3 | Yduqs ON | 22,33 | -8,03% |
| VIVT4 | Telefônica Brasil PN | 53,37 | -7,87% |
| EMBR3 | Embraer ON | 9,00 | -6,74% |
| TIMP3 | Tim ON | 13,99 | -6,11% |
| SBSP3 | Sabesp ON | 34,65 | -6,07% |
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