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2020-05-19T16:57:55-03:00
Victor Aguiar
Victor Aguiar
Jornalista formado pela Faculdade Cásper Líbero e com MBA em Informações Econômico-Financeiras e Mercado de Capitais pelo Instituto Educacional BM&FBovespa e UBS Escola de Negócios. Trabalhou nas principais redações de economia do país, como Bloomberg, Agência CMA, Agência Estado/Broadcast e Valor Econômico.
Mercados hesitantes

Ibovespa vira para queda e dólar tem leve alta, acompanhando o exterior

O menor otimismo quanto ao desenvolvimento de uma vacina contra o coronavírus acentuou as perdas nas bolsas dos EUA e fez o Ibovespa se firmar em baixa

19 de maio de 2020
10:40 - atualizado às 16:57
Selo Mercados AGORA Ibovespa dólar
Imagem: Montagem Andrei Morais / Shutterstock

Passado o rali da última segunda-feira (18), os ativos domésticos mostram um viés mais cauteloso nesta terça (19). O Ibovespa virou para queda na reta final do pregão e o dólar à vista passou a subir, num movimento em linha com o visto lá fora.

Mais cedo, o Ibovespa chegou a subir 1,21%, aos 82.174,55 pontos, mas, às 16h50, operava em baixa de 0,47%, aos 80.816,63 pontos. Essa piora ocorreu em paralelo ao enfraquecimento das bolsas americanas: o Dow Jones (-1,26%), o S&P 500 (-0,78%) e o Nasdaq (-0,22%) também perderam força.

No câmbio, o dólar à vista até ensaiou um movimento de alívio, recuando 0,64% logo depois da abertura, a R$ 5,6842. No entanto, a divisa caminha para terminar o dia em alta: agora, sobe 0,61%, a R$ 5,7549.

  • Eu gravei um vídeo para explicar melhor a dinâmica dos mercados nesta terça-feira. Veja abaixo:

O cenário para os mercados não teve grandes alterações de ontem para hoje: a possibilidade de novos pacotes de estímulo financeiro nos EUA e a reabertura das economias na Europa continuam mantendo os agentes financeiros de bom humor.

No entanto, considerando os fortes ganhos de ontem — o Ibovespa e as bolsas da Europa subiram mais de 4%, enquanto os mercados americanos avançaram mais de 3% —, os investidores preferem realizar parte dos ganhos ou, ao menos, evitam continuar na ponta compradora.

A grande novidade desta tarde foi a diminuição no otimismo quanto à vacina contra o coronavírus que está sendo desenvolvida pela empresa americana Moderna: ontem, a companhia disse ter obtido avanços nos testes, mas, hoje, uma publicação científica afirmou que não há dados críticos para avaliar o tratamento.

Assim, toda a animação resultante da possível vacina — e que foi um dos motores da sessão passada — se esvaiu, acentuando a cautela nos mercados e desencadeando o movimento de queda nas bolsas americanas e no Ibovespa

Feriado?

No Brasil, uma dúvida incomum movimentava os mercados durante a manhã: teríamos sessão nos próximos dias, considerando o decreto que antecipa os feriados em São Paulo? As incertezas só foram respondidas nesta tarde, quando a B3 e o Banco Central finalmente deram pareceres oficiais sobre a questão.

E sim, o mercado funcionará normalmente no restante dessa semana: a bolsa disse que os pregões continuarão acontecendo nos dias 20, 21, 22 e 25 de maio, apesar dos recessos em São Paulo. O BC foi pelo mesmo caminho, optando por não antecipar o feriado de Corpus Christi, no dia 11 de junho.

Assim, tanto o mercado de ações quanto o de câmbio e juros terão sessões regulares até o fim dessa semana — os feriados permanecerão nas datas originais, ao menos no sistema financeiro.

Incerteza doméstica

Ainda há toda uma camada de incerteza em relação ao cenário político: o ministro do STF Celso de Mello começou a analisar o vídeo da reunião ministerial do dia 22 de abril, afirmando que tomará uma decisão a respeito do veto ao conteúdo até sexta-feira (22).

Por fim, segue a indecisão quanto à PEC de auxílio financeiro emergencial a estados e municípios: o presidente Jair Bolsonaro ainda não deu seu parecer quanto ao tema — e, assim, o imbróglio envolvendo o reajuste dos salários dos servidores continua sem solução.

Esse clima de cautela também é verificado no mercado de juros futuros: os DIs acompanham os demais ativos domésticos e operam perto da estabilidade, sem se afastar muito dos fechamentos de ontem:

  • Janeiro/2021: inalterado em 2,53%;
  • Janeiro/2022: de 3,42% para 3,41%:
  • Janeiro/2023: de 4,58% para 4,54%.

Marfrig em alta

No lado corporativo, as ações ON da Marfrig (MRFG3) chegaram a subir 8,70% mais cedo — agora, avançam 2,14%. Apesar de ter fechado o primeiro trimestre no vermelho, a empresa reportou uma evolução no lado operacional, com crescimento de dois dígitos na receita e no Ebitda.

Veja abaixo as cinco maiores altas do índice no momento:

CÓDIGONOMEPREÇO (R$)VARIAÇÃO
BTOW3B2W ON91,33 +8,57%
CSNA3CSN ON8,80 +6,28%
VVAR3Via Varejo ON9,40 +5,98%
ECOR3Ecorodovias ON10,76 +5,91%
CCRO3CCR ON12,44 +5,16%

Confira também as cinco maiores quedas do Ibovespa:

CÓDIGONOMEPREÇO (R$)VARIAÇÃO
GOLL4Gol PN11,95 -3,86%
EQTL3Equatorial ON17,68 -3,39%
ITUB4Itau Unibanco PN21,92 -3,31%
TIMP3Tim ON12,51 -3,10%
CPFE3CPFL Energia ON29,32 -3,07%
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