Menu
Dados da Bolsa por TradingView
2020-01-29T18:51:43-03:00
Victor Aguiar
Victor Aguiar
Jornalista formado pela Faculdade Cásper Líbero e com MBA em Informações Econômico-Financeiras e Mercado de Capitais pelo Instituto Educacional BM&FBovespa. Trabalhou nas principais redações de economia do país, como Bloomberg, Agência Estado/Broadcast e Valor Econômico. Em 2020, foi eleito pela Jornalistas & Cia como um dos 10 profissionais de imprensa mais admirados no segmento de economia, negócios e finanças.
Mercados azedos

Mau humor: Ibovespa cai quase 1% e destoa do exterior; dólar vai à máxima em dois meses

A manutenção dos juros dos EUA no patamar de 1,50% a 1,75% foi pouco repercutida pelo Ibovespa, que fechou em queda firme e voltou ao nível dos 115 mil pontos — o dólar subiu a R$ 4,22

29 de janeiro de 2020
18:48 - atualizado às 18:51
Selo Mercados FECHAMENTO Ibovespa dólar
Imagem: Montagem Andrei Morais / Shutterstock

Desde o começo da semana, os mercados brasileiros têm mostrado uma certa indisposição. O bull market conseguiu suportar as instabilidades no Oriente Médio e os primeiros dias do surto de coronavírus, mas, agora, parece sem forças para continuar avançando.

O Ibovespa, que chegou a flertar com o nível dos 120 mil pontos, entrou numa maré negativa: nesta quarta-feira (29), fechou em queda de 0,94%, aos 115.384,84 pontos e, com isso, já acumula perdas de 2,53% na semana — no ano, tem leve baixa de 0,23%.

O dólar à vista também foi pressionado na sessão de hoje, terminando em alta de 0,62%, a R$ 4,2193. É a maior cotação de fechamento em dois meses: no dia 29 de novembro do ano passado, a moeda americana valia R$ 4,2407.

E o que explica esse mau humor? Em primeiro plano, há a disseminação do coronavírus, que tem ocorrido num ritmo mais veloz que o esperado pelos mercados — jogando por terra as apostas de que a nova doença não se tornaria um problema global.

Além disso, a sessão desta quarta-feira foi marcada por um evento importante no exterior: a decisão de juros do Federal Reserve, o banco central americano — um acontecimento que, no entanto, não trouxe maiores surpresas aos investidores.

Assim, sem um fator que pudesse resgatar a confiança dos agentes financeiros, o Ibovespa segue em sua trajetória de correção, afastando-se das máximas recentemente obtidas. O dólar também ficou mais agitado, rompendo novamente a barreira dos R$ 4,20.

Sem novidade no front

Em decisão unânime, o Fed manteve as taxas inalteradas na faixa entre 1,50% e 1,75% ao ano — um movimento que já era aguardado pelos investidores.

 No comunicado, a instituição disse que a atual política monetária é "apropriada para suportar a expansão econômica", dadas as condições mais fortes do mercado de trabalho e o retorno da inflação para perto dos 2%.

O comitê disse ainda que vai considerar as condições do mercado de trabalho, indicadores de pressão inflacionária e expectativa de inflação, além de leituras sobre o desenvolvimento do mercado financeiro e internacional para futuros ajustes.

Dada a falta de novidades na postura da autoridade monetária americana, os mercados globais mostraram-se pouco impactados. Nos Estados Unidos, o Dow Jones (+0,04%), o S&P 500 (-0,09%) e o Nasdaq (+0,06%) ficaram perto do zero a zero.

E o coronavírus?

O noticiário referente à disseminação da doença continua inspirando cautela aos mercados. No mundo, já são 133 mortos e mais de seis mil casos confirmados, a maioria na China — a Finlândia e os Emirados Árabes Unidos registraram as primeiras ocorrências do vírus.

No Brasil, subiu para nove o número de casos suspeitos do coronavírus — ainda não há nenhuma confirmação da doença no país.

E mesmo o presidente do Fed, Jerome Powell, mostrou-se preocupado com o vírus. Em coletiva de imprensa após a decisão de juros, ele afirmou que o surto é uma questão séria, que resultará em breve em impactos econômicos à China — o que, em última instância, pode prejudicar o nível de atividade no mundo.

Dólar forte

No mercado de câmbio, o dia foi de valorização do dólar em escala global, tanto em relação às moedas fortes quanto as de países emergentes, em meio à expectativa com a decisão de juros nos EUA.

O dólar se valorizou em relação ao peso mexicano, ao rublo russo, a peso colombiano, ao rand sul-africano e ao peso chileno, entre outras moedas. Assim, o real seguiu a tendência global, embora tenha apresentado um dos piores desempenhos do grupo.

O posicionamento do Fed mexeu de maneira mais firme com o mercado de juros: as curvas se afastaram das mínimas, com os investidores acreditando que a manutenção das taxas nos EUA poderá influenciar a decisão do Copom, na semana que vem.

Veja como ficaram as curvas mais líquidas nesta quarta-feira:

  • Janeiro/2021: de 4,33% para 4,34%;
  • Janeiro/2023: de 5,50% para 5,49%;
  • Janeiro/2025: de 6,21% para 6,18%;
  • Janeiro/2027: de 6,60% para 6,58%.

Balanços em foco

No front corporativo, destaque para as units do Santander Brasil (SANB11), que fecharam em queda de 1,86% — mais cedo, chegaram a subir 3,01%.

Nesta manhã, o banco reportou um lucro líquido gerencial de R$ 3,726 bilhões no quarto trimestre de 2019, alta de 9,43% na base anual — no acumulado do ano, os ganhos totalizaram R$ 14,55 bilhões, avançando 17,4% em relação a 2018.

Ainda falando em balanços, Cielo ON (CIEL3) caiu 4,00% e apareceu entre as maiores baixas do Ibovespa. A empresa reportou números trimestrais considerados fracos, mas, ainda assim, os papéis avançaram 3,57% — desta forma, boa parte dos ganhos é devolvida hoje.

Confira abaixo as cinco ações de melhor desempenho do Ibovespa nesta quarta-feira:

  • MRV ON (MRVE3): +4,67%
  • Raia Drogasil ON (RADL3): +2,98%
  • Hypera ON (HYPE3): +2,78%
  • Localiza ON (RENT3): +2,55%
  • BB Seguridade ON (BBSE3): +1,74%

Veja também as maiores baixas do índice no momento:

  • Fleury ON (FLRY3): -4,12%
  • Azul PN (AZUL4): -4,07%
  • Marfrig ON (MRFG3): -4,06%
  • Cielo ON (CIEL3): -4,00%
  • Braskem PNA (BRKM5): -3,86%
Comentários
Leia também
OS MELHORES INVESTIMENTOS NA PRATELEIRA

Garimpei a Pi toda e encontrei ouro

Escolhi dois produtos de renda fixa para aplicar em curto prazo e dois para investimentos mais duradouros. Você vai ver na prática – e com a translucidez da matemática – como seu dinheiro pode render mais do que nas aplicações similares dos bancos tradicionais.

seu dinheiro na sua noite

Ibovespa recupera mais um degrau – e outros destaques do dia

Os monstros que assombravam o mercado financeiro no começo da semana foram ficando mais dóceis e domesticados com o passar dos dias. E isso graças à atuação dos bancos centrais ao redor do mundo. O Banco do Povo da China (PBoC, o BC chinês) segue injetando bilhões de dólares na economia para minimizar os impactos […]

RH do governo

Reforma administrativa deslanchou? Confira destaques do texto-base aprovado em comissão da Câmara

A proposta traz alguns pontos polêmicos, como a possibilidade de parcerias entre governo e iniciativa privada para a execução de serviços públicos

fique de olho

Dividendos: Equatorial Pará (EQPA3) define data e Marfrig (MRFG3) altera valor

Além disso, Equatorial Maranhão definiu data do pagamento dos proventos e Banco Modal definiu valores para juros sobre capital próprio; confira

Eletrobras, Correios e mais

Ativos na mesa: nova proposta para precatórios pode incluir ações de estatais em acordos de pagamento

Além das estatais, na lista de ativos que poderiam entrar na negociação estão imóveis, barris de petróleo do pré-sal e concessões de rodovias e ferrovias, por exemplo

fala, vale

Vale (VALE3): a receita para a queda das ações, segundo a própria empresa

Empresa teve de emitir um comunicado em resposta a um ofício da B3 que solicitava justificativas para a oscilação das ações da mineradora entre os dias 6 e 20 de setembro

Carregar mais notícias
Carregar mais notícias
Fechar
Menu

Usamos cookies para guardar estatísticas de visitas, personalizar anúncios e melhorar sua experiência de navegação. Ao continuar, você concorda com nossas políticas de cookies