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2020-06-15T19:26:15-03:00
Victor Aguiar
Victor Aguiar
Jornalista formado pela Faculdade Cásper Líbero e com MBA em Informações Econômico-Financeiras e Mercado de Capitais pelo Instituto Educacional BM&FBovespa e UBS Escola de Negócios. Trabalhou nas principais redações de economia do país, como Bloomberg, Agência CMA, Agência Estado/Broadcast e Valor Econômico.
Ibovespa reduz as perdas

Fed abre a caixa de ferramentas e anima as bolsas, mas não consegue aliviar o câmbio

O Ibovespa cravou a quarta baixa seguida, mas terminou o pregão distante das mínimas da sessão — e tudo graças ao anúncio de que o Fed vai comprar títulos de empresas. O câmbio, no entanto, não se empolgou com a novidade

15 de junho de 2020
18:03 - atualizado às 19:26
Caixa de ferramentas Ibovespa dólar
Imagem: Shutterstock

Na semana passada, quando decidiu manter a taxa de juros dos EUA estável na faixa de 0% a 0,25% ao ano, o Federal Reserve (Fed, o banco central americano) também sinalizou que estava disposto a usar "todos os instrumentos" para dar suporte à economia do país. Pois a caixa de ferramentas começou a ser aberta nesta segunda-feira (15) — e as bolsas globais, incluindo o Ibovespa, gostaram do que viram.

O pregão de hoje pode ser dividido em duas etapas: antes das 15h, o tom era de cautela generalizada, em meio à maior percepção de risco entre os investidores; depois das 15h, o clima era de alívio com as novidades anunciadas pelo Fed.

Dando uma dimensão numérica à sessão: durante a manhã, o Ibovespa chegou a cair 2,85%, indo aos 90.147,92 pontos na mínima — lá fora, os mercados da Europa e dos EUA também apareciam no campo negativo. Mas, ao fim da sessão, o índice brasileiro recuava "apenas" 0,45%, aos 92.375,52 pontos.

  • Eu gravei um vídeo para falar um pouco da dinâmica dos mercados na primeira metade desta sessão de segunda-feira — ou seja, antes do anúncio do Fed, quando a cautela era bem mais intensa. Veja abaixo:

Ok, ainda foi a quarta baixa seguida do Ibovespa — e isso depois de sete altas consecutivas. Mas, considerando o tom amplamente negativo visto durante a manhã, as perdas moderadas do fechamento tiram um peso das costas do índice.

O Fed anunciou no meio da tarde que vai começar a comprar diretamente um "portfólio amplo e diversificado" de títulos de dívida de empresas privadas que são negociados no mercado — ao todo, foram destinados US$ 75 bilhões ao programa.

O objetivo é dar sustentação às empresas, fornecendo liquidez e crédito para enfrentar a crise — e injetando mais recursos na economia americana. A novidade também provocou uma virada em Wall Street: o Dow Jones (+0,62%), o S&P 500 (+0,83%) e o Nasdaq (+1,43%) fecharam em alta após passarem boa parte do dia em queda.

A notícia, assim, foi capaz de neutralizar a forte cautela vista durante a manhã, quando temores em relação a uma segunda onda do coronavírus na Ásia e nos EUA empurraram os mercados acionários globais ao campo negativo.

Afinal, um eventual avanço da Covid-19, se confirmado, tende a atrasar o processo de recuperação econômica do mundo. China, Europa e EUA já estão relaxando as regras de isolamento, em maior ou menor grau, e uma nova onda da Covid-19 poderia causar retrocessos nesse movimento.

O mercado de câmbio, por outro lado, não se mostrou muito contagiado pela novidade do Fed. O dólar à vista fechou em forte alta de 1,98%, a R$ 5,1422, cravando a quarta alta seguida. A divisa também se afastou do momento de maior estresse — na máxima, foi a R$ 5,2252 (+3,62%) — mas não conseguiu ter um alívio tão intenso quanto o da bolsa.

Afinal, o cenário doméstico também trouxe fatores de preocupação aos investidores e, por mais que o exterior tenha melhorado, os agentes financeiros preferiram não se expor tanto ao risco. Assim, por mais que o Ibovespa tenha suavizado as perdas, o dólar serviu como proteção — e, com isso, furou novamente o nível de R$ 5,10.

Deixando o governo

Por aqui, os agentes financeiros domésticos precisaram lidar com um novo foco de preocupação: a saída de Mansueto Almeida do cargo de secretário do Tesouro Nacional — ele deixará o posto até agosto, ajudando no processo de transição.

Mansueto é bastante respeitado pelo mercado e tido como um dos pilares dos ajustes econômicos que vêm sendo conduzidos nos últimos anos no país — e, considerando isso, sua saída é vista como um mau sinal em relação ao futuro das reformas.

Esse aumento na percepção de que os ajustes econômicos tendem a ser deixados de lado sem o secretário do Tesouro elevou a aversão ao risco por parte dos investidores, por mais que o próprio Mansueto tenha destacado que o ministro Paulo Guedes é o grande fiador das reformas.

No fim da tarde, o ministério da Economia confirmou que o economista Bruno Funchal vai assumir o cargo em 31 de julho — ele foi secretário da Fazenda do Espírito Santo em 2017 e 2018, atuando diretamente no processo de saneamento das contas do estado.

Alívio nos juros

Durante a manhã, o mercado de juros futuros mostrou-se mais estressado, reagindo ao ambiente mais cauteloso em termos domésticos e externos. No entanto, a novidade do Fed provocou uma onda de alívio nos ativos globais — o que ecoou especialmente sobre os DIs curtos.

Os vencimentos de menor prazo também ficaram de olho na decisão do Copom, na próxima quarta-feira (17), e na expectativa de corte de 0,75 ponto na Selic:

  • Janeiro/2021: de 2,15% para 2,12%;
  • Janeiro/2022: de 3,07% para 3,05%;
  • Janeiro/2023: de 4,12% para 4,13%;
  • Janeiro/2025: de 5,68% para 5,71%.

Cielo dispara

No front corporativo, destaque para as ações ON da Cielo (CIEL3), em forte alta de 14,01%, a R$ 4,80. Mais cedo, o Facebook anunciou que começará a viabilizar transações de pagamento via WhatsApp no Brasil, tendo fechado parceria com a Cielo para o serviço.

Today we're starting to launch payments for people using WhatsApp in Brazil. We're making sending and receiving money as...

Posted by Mark Zuckerberg on Monday, June 15, 2020

Confira abaixo as cinco maiores altas do Ibovespa nesta segunda-feira:

CÓDIGONOMEPREÇO (R$)VARIAÇÃO
CIEL3Cielo ON4,80+14,01%
VVAR3Via Varejo ON15,62+6,69%
GOLL4Gol PN19,51+5,23%
SUZB3Suzano ON38,49+4,00%
MRVE3MRV ON16,87+3,18%

Veja também as maiores baixas do índice:

CÓDIGONOMEPREÇO (R$)VARIAÇÃO
IRBR3IRB ON10,35-9,92%
ELET3Eletrobras ON28,86-3,61%
BPAC11BTG Pactual units60,81-3,49%
ELET6Eletrobras PNB30,45-3,12%
EMBR3Embraer ON8,58-2,72%
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