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2020-04-13T18:13:18-03:00
Victor Aguiar
Victor Aguiar
Jornalista formado pela Faculdade Cásper Líbero e com MBA em Informações Econômico-Financeiras e Mercado de Capitais pelo Instituto Educacional BM&FBovespa e UBS Escola de Negócios. Trabalhou nas principais redações de economia do país, como Bloomberg, Agência CMA, Agência Estado/Broadcast e Valor Econômico.
Dualidade

Otimismo e pessimismo na mesma sessão: o Ibovespa fechou nas máximas, mas o dólar também subiu

O Ibovespa e o dólar à vista fecharam em alta nesta segunda-feira, numa sessão marcada por um noticiário cheio de incertezas no front doméstico e uma postura mais cautelosa no exterior

13 de abril de 2020
18:13
Yin Yang mercados Ibovespa dólar bull bear
Imagem: Shutterstock

Na filosofia chinesa, o Yin-yang é o princípio que exprime a dualidade da existência. Ele parte do princípio de que todos os elementos do universo são compostos por duas energias opostas e complementares — e a interação dessas forças é responsável por gerar transformação.

É um conceito que pode ser aplicar a tudo: desde questões filosóficas, como a paz interior, até temas mais concretos, como a cotação do dólar à vista ou o comportamento do Ibovespa — e a sessão desta segunda-feira (13) deixou clara a inclinação taoista do mercado financeiro.

Por um lado, tivemos uma ala otimista e que mostra confiança numa recuperação relativamente rápida da bolsa. Por outro, vimos um grupo mais pessimista e que busca proteção para dias mais duros adiante.

Mas, ao contrário do que se poderia imaginar, a interação entre Yin e Yang não resulta em zero. O Ibovespa, por exemplo, fechou em alta de 1,49%, aos 78.835,82 pontos, na máxima do dia — dando vazão à postura confiante. Já o dólar à vista avançou 1,75%, a R$ 5,1833, extravasando a descrença.

Essa é uma estratégia clássica em tempos de forte incerteza: os investidores continuam posicionados na bolsa, mas, ao mesmo tempo, correm para a segurança do dólar. A ideia é diversificar a carteira, de modo a estar bem alocado independente do que acontecer no futuro.

Se o cenário mais duro se concretizar, a tendência é de queda nas bolsas e alta no dólar; caso o panorama mais tranquilo se consolide, é provável que o comportamento dos mercados seja o oposto: bolsa em alta, câmbio em baixa.

  • Eu gravei um vídeo para explicar a dinâmica por trás dos mercados nesta segunda-feira. Veja abaixo:

Ou seja: quem não quer vender ações e correr o risco de perder um rali no futuro, faz essa manobra. Se tudo der errado, o dólar se valoriza e as perdas na bolsa são parcialmente amenizadas; se a alta no mercado acionário ocorrer como planejado, os ganhos vão se sobrepor à desvalorização do câmbio.

Yin-yang. A interação das forças gera fluidez — e o Ibovespa e o dólar à vista não ficaram parados hoje.

Otimismo e pessimismo

Pode-se dividir a sessão de hoje em dois fronts, o externo e o doméstico — e ambos trouxeram elementos preocupantes à mesa. Por aqui, os olhos e ouvidos estiveram atentos a Brasília, buscando qualquer informação de bastidor referente ao governo e ao Congresso.

Em primeiro plano, há a discussão acalorada em relação ao auxílio emergencial aos Estados e municípios. Um projeto em tramitação na Câmara pode destinar bilhões aos governadores e prefeitos sem a exigência de contrapartida — e, por isso, vem sendo chamado de 'bomba fiscal'.

No entanto, o governo tenta reverter a situação: já encaminhou às lideranças partidárias no Congresso uma contraproposta que destinaria até R$ 40 bilhões em recursos diretos aos Estados e municípios — uma quantia relevante, mas menor que a do projeto que pode ser votado pela Câmara.

Ao longo do dia, não houve grandes avanços nesse front: o cenário permanece incerto e não é possível cravar qual será o desfecho da questão — o que abre espaço para projeções otimistas e pessimistas por parte do mercado.

E esse não foi o único foco de apreensão em Brasília nesta segunda-feira. Há também a nova escalada nos atritos entre o ministro da Saúde, Luiz Henrique Mandetta, e o presidente Jair Bolsonaro — ontem, Mandetta deu entrevista à TV Globo e voltou a criticar a falta de alinhamento nos discursos oficiais do governo.

Informações de bastidores dão conta de um descontentamento por parte do governo em relação à postura do ministro. No entanto, nenhuma declaração oficial nesse sentido foi dada até o fechamento dos mercados — o que apenas contribuiu para aumentar a incerteza no ar.

Exterior defensivo

Lá fora, o tom foi de maior prudência: no front do coronavírus, 1,9 milhão de pessoas já foram infectadas no mundo, com 118 mil mortes, de acordo com dados da universidade americana Johns Hopkins.

Além disso, o rápido avanço da doença nos EUA colocou o país no topo da lista de contaminações, com mais de 570 mil pessoas diagnosticadas com a Covid-19, e de óbitos, com cerca de 22 mil falecimentos em decorrência da doença — informações que, embora esperadas, diminuíram o ânimo dos investidores.

A cautela no front da pandemia se sobrepôs ao otimismo em relação ao acordo fechado pelos membros da Organização dos Países Exportadores de Petróleo (Opep), que decidiu cortar a produção da commodity em 9,7 milhões de barris ao dia, por dois meses, a partir de 1º de maio.

No entanto, relatos de que a Arábia Saudita reduziu os preços da commodity vendida no exterior reduziram a animação dos investidores em relação ao acordo da Opep. E, nesse contexto, o petróleo fechou sem direção única: o Brent subiu 0,95%, mas o WTI caiu 1,54%.

Além disso, há a percepção de que muitos países aumentaram os estoques ao longo de março e, assim, a demanda internacional deve continuar fraca — o que, na prática, reduz os efeitos do corte de produção anunciado pela Opep, ao menos no curto prazo.

Juros em baixa

No mercado de juros futuros, o dia foi de pouca movimentação. Os investidores seguem apostando em novos cortes na Selic para estimular a economia — e a projeção de recuo mais intenso do PIB em 2020 pelo boletim Focus dá sustentação a essa tese.

Mas, considerando os níveis já bastante baixos dos DIs, o espaço para novas correções negativas nas curvas é limitado. Veja abaixo como ficaram os contratos mais líquidos nesta segunda-feira:

  • Janeiro/2021: de 3,14% para 3,09%;
  • Janeiro/2023: de 5,02% para 4,90%;
  • Janeiro/2025: de 6,63% para 6,56%.

Top 5

Confira as cinco ações de melhor desempenho do Ibovespa:

CÓDIGONOMEPREÇO (R$)VARIAÇÃO
COGN3Cogna ON4,87+6,33%
MRFG3Marfrig ON9,39+5,98%
VVAR3Via Varejo ON5,43+5,44%
BRAP4Bradespar PN30,37+5,10%
GOAU4Metalúrgica Gerdau PN4,96+5,08%

Saiba também quais são as maiores baixas do índice:

CÓDIGONOMEPREÇO (R$)VARIAÇÃO
SMLS3Smiles ON13,51-5,52%
BPAC11BTG Pactual units40,00-4,19%
LAME4Lojas Americanas PN20,69-2,86%
YDUQ3Yduqs ON26,30-2,77%
HGTX3Cia Hering ON14,06-2,70%
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