Menu
2020-01-06T18:50:22-03:00
Victor Aguiar
Victor Aguiar
Jornalista formado pela Faculdade Cásper Líbero e com MBA em Informações Econômico-Financeiras e Mercado de Capitais pelo Instituto Educacional BM&FBovespa. Trabalhou nas principais redações de economia do país, como Bloomberg, Agência Estado/Broadcast e Valor Econômico. Em 2020, foi eleito pela Jornalistas & Cia como um dos 10 profissionais de imprensa mais admirados no segmento de economia, negócios e finanças.
Cautela global

Tensão entre EUA e Irã mexe com os mercados e faz o Ibovespa cair 0,7%; dólar sobe a R$ 4,06

A escalada nos atritos entre americanos e iranianos trouxe cautela aos mercados e fez o Ibovespa engatar a segunda baixa consecutiva, retornando ao nível de 116 mil pontos

6 de janeiro de 2020
18:43 - atualizado às 18:50
EUA Estados Unidos Irã tensão Ibovespa dólar
Imagem: Shutterstock

Redes sociais, canais de TV, bancas de jornal, mesas de restaurante, não importa: o assunto do momento é a escalada nas tensões entre Estados Unidos e Irã. E é claro que os mercados também repercutiram o novo foco de tensão, trazendo uma nova rodada de baixas ao Ibovespa nesta segunda-feira (6).

O principal índice da bolsa brasileira terminou a sessão em queda de 0,70%, aos 116.877,92pontos — é o segundo pregão consecutivo de perdas para o Ibovespa. O dólar à vista também foi pressionado: a moeda americana fechou em alta de 0,18%, a R$ 4,0629.

O mercado acionário do Brasil, assim, ficou em linha com o resto do mundo: na Ásia, as principais bolsas tiveram quedas firmes, impactadas pelas incertezas no Oriente Médio; na Europa, o tom foi igualmente negativo, com quase todas as bolsas encerrando no vermelho.

A exceção foi o mercado americano: após abrirem em baixa, o Dow Jones (+0,24%), o S&P 500 (+0,35%) e o Nasdaq (+0,56%) ganharam força e terminaram a sessão em alta, impulsionados pela divulgação de dados econômicos favoráveis ainda durante a manhã.

Mas, apesar desse otimismo visto em Nova York, fato é que os agentes financeiros acompanharam de perto os desdobramentos dos atritos entre americanos e iranianos, temendo qualquer ação mais enfática por qualquer uma das partes.

Cautela

A tensão entre os países chegou ao ápice na semana passada, após uma ação militar dos Estados Unidos culminar na morte de Qassim Suleimani, principal liderança do exército do Irã. Desde então, o clima é cada vez mais pesado no Oriente Médio.

Embora nenhuma ação concreta tenha sido tomada nesta segunda-feira, declarações via redes sociais contribuíram para aumentar ainda mais a cautela dos mercados. A começar pelo presidente americano, Donald Trump, que usou o Twitter para fazer novas provocações ao Irã:

"O Irã nunca terá armas nucleares", escreveu Trump, referindo-se à decisão do governo de Teerã de retirar-se do acordo nuclear — o que, na prática, permite que os iranianos voltem a enriquecer urânio, matéria-prima para esse tipo de armamento.

Mais tarde, o presidente do Irã, Hassan Rouhani, também usou o Twitter para responder o republicano:

"Nunca ameace a nação iraniana", escreveu o presidente do país.

Em meio à troca de farpas e ao clima belicoso que toma conta do Oriente Médio, os agentes financeiros preferiram adotar uma postura mais defensiva, vendendo ações e comprando dólares. Além disso, o petróleo voltou a subir, dando continuidade ao movimento dos últimos dias.

O Brent com vencimento em março terminou a sessão com ganho de 0,45%, enquanto o WTI para fevereiro subiu 0,35% — é o terceiro pregão consecutivo de alta dos contratos.

Otimismo nos EUA

Dito tudo isso: por que as bolsas dos EUA fecharam em alta, destoando do resto do mundo?

A resposta está na agenda econômica do país: mais cedo, foi reportado um avanço no índice de gerentes de compras (PMI) do país, passando de 52 em novembro para 52,7 em dezembro — o indicador engloba os setores de indústria e serviços.

O PMI, assim, dá continuidade à percepção de que a economia dos EUA está ganhando força, afastando os temores de uma eventual recessão gerada pela guerra comercial com a China — fator que foi suficiente para compensar as preocupações referentes aos atritos com o Irã.

Petrobras se recupera

A valorização do petróleo acabou beneficiando as ações da Petrobras: os papéis PN (PETR4) subiram 1,18%, enquanto os ONs (PETR3) avançaram 3,25% — na sessão passada, as ações da estatal fecharam nas mínimas.

Mas, apesar da menor pressão vista nesta segunda-feira, a Petrobras continuou sendo acompanhada de perto pelos investidores, que temem pelo futuro da política de preços da companhia num cenário de disparada do petróleo.

O presidente Jair Bolsonaro declarou estar atento à movimentação da commodity e deu a entender que será necessário adotar algum mecanismo para compensar uma eventual alta nos preços dos combustíveis — uma fala que não foi bem recebida pelos mercados.

Assim, o mercado aguarda manifestações oficiais por parte da Petrobras quanto à política de preços num possível ambiente de alta da cotação do petróleo.

Juros em alta

A possibilidade de elevação no preço dos combustíveis, somada à leve alta no dólar e ao ambiente mais cauteloso visto nos mercados globais, desencadeou movimentos de ajuste positivo nas curvas de juros. Veja abaixo como ficaram os principais DIs nesta segunda-feira:

  • Janeiro/2021: de 4,51% para 4,52%;
  • Janeiro/2023: de 5,78% para 5,82%;
  • Janeiro/2025: de 6,42% para 6,47%;
  • Janeiro/2027: de 6,75% para 6,79%.

BR Distribuidora e aéreas caem

BR Distribuidora ON (BRDT3) recuou 5,01% e teve o pior desempenho do Ibovespa, em meio às notícias de que a Petrobras pretende vender toda a sua participação na empresa ainda no primeiro trimestre de 2020.

Quem também fechou em queda foram as ações de companhias aéreas: Gol PN (GOLL4) teve baixa de 4,60% e Azul PN (AZUL4) teve perda de 3,10% — a alta do petróleo implica em maiores gastos com combustível de aviação.

Você pode ler mais sobre os destaques do pregão desta segunda-feira nesta matéria. Confira abaixo as cinco ações de melhor desempenho do Ibovespa hoje:

  • Braskem PNA (BRKM5): +5,20%
  • Qualicorp ON (QUAL3): +4,10%
  • Petrobras ON (PETR3): +3,25%
  • Fleury ON (FLRY3): +2,96%
  • Yduqs ON (YDUQ3): +1,92%

Veja também as cinco maiores quedas do índice:

  • BR Distribuidora ON (BRDT3): -5,01%
  • Gol PN (GOLL4): -4,60%
  • Carrefour Brasil ON (CRFB3): -4,36%
  • NotreDame Intermédica ON (GNDI3): -4,12%
  • Smiles ON (SMLS3): -3,27%

Comentários
Leia também
A REVOLUÇÃO 3.0 DOS INVESTIMENTOS

Quem é a Pi

Uma plataforma de investimentos feita para ajudar a atingir seus objetivos por meio de uma experiência #simples, #segura, #acessível e #transparente.

DIA DE DECISÃO

Mais um ‘manteu’! Federal Reserve mantém juros inalterados, mas bolsas reagem negativamente à leitura de cenário

Iniciando oficialmente a “Super Quarta”, que ainda contará com a decisão do Copom após o fechamento do mercado, o Comitê Federal de Mercado Aberto do Federal Reserve (Fomc, na sigla em inglês) manteve inalterada a sua taxa básica de juros, entre 0% e 0,25% ao ano, em mais uma decisão unânime nesta quarta-feira (16). Repetindo […]

Pressão para todo lado

Comissão inicia discussões sobre a Reforma Administrativa; relator afirma que Bolsonaro precisa manifestar seu apoio

A comissão especial formada na Câmara dá hoje o pontapé inicial na discussão da reforma administrativa. A primeira reunião é cercada de forte pressão para definir a lista das categorias de Estado a serem incluídas na Proposta de Emenda à Constituição (PEC). O crescimento desse movimento é uma das preocupações do relator do projeto, deputado […]

Matéria-prima salgada

Commodities vão inflacionar o mercado de carros, diz presidente de consórcio que reúne Fiat, Jeep, Peugeot e Citroën

Além da pandemia e da falta de chips, o executivo vê com preocupação o movimento inflacionário das commodities usadas pelo setor

MERCADOS HOJE

Dólar fica abaixo dos R$ 5 pela primeira vez em um ano; confira as razões para a queda da moeda

Entrada de fluxo estrangeiro no país é acompanhada de alguns critérios técnicos e uma melhora na percepção de risco.

Ampliando investimentos

GM amplia em 75% investimentos em carros elétricos e automáticos até 2025

A projeção da empresa é de que seu Ebit fique entre US$ 8,5 bilhões e US$ 9,5 bilhões na primeira metade do ano

Carregar mais notícias
Carregar mais notícias
Fechar
Menu

Usamos cookies para guardar estatísticas de visitas, personalizar anúncios e melhorar sua experiência de navegação. Ao continuar, você concorda com nossas políticas de cookies