Depoimento de Moro na Câmara acaba em tumulto
Após quase oito horas de sabatina, a sessão foi encerrada depois que o deputado Glauber Braga (PSOL-RJ) chamou Moro de "juiz ladrão" e "o mais corrupto da história do Brasil"

O depoimento do ministro da Justiça, Sérgio Moro, à Comissão de Constituição e Justiça da Câmara terminou nesta terça-feira, 2, em tumulto. Após quase oito horas de sabatina, a sessão foi encerrada depois que o deputado Glauber Braga (PSOL-RJ) chamou Moro de "juiz ladrão" e "o mais corrupto da história do Brasil". Cercado por seguranças e deputados do PSL, partido do presidente Jair Bolsonaro, Moro deixou a sala da CCJ por uma porta lateral sob gritos de "fujão" entoados por petistas.
A confusão pôs fim a uma audiência que já havia se transformado em uma arena de embates entre deputados da oposição e o ex-juiz da Lava Jato. Protegido por bolsonaristas, mas sem contar com a mesma "blindagem" que teve quando foi ao Senado, há duas semanas, Moro se irritou com perguntas, usou de ironia nas respostas, partiu para a ofensiva e afirmou que acompanha como "vítima" as investigações da Polícia Federal sobre a troca de mensagens atribuídas a ele com procuradores da Lava Jato. Os diálogos foram divulgados pelo site The Intercept Brasil.
"O senhor vai entrar, sim, nos livros de História como um juiz que se corrompeu, como um juiz ladrão. A população não vai aceitar como fato consumado um juiz que ganhou uma recompensa por fazer com que a democracia brasileira fosse atingida. É o que o senhor é: um juiz corrupto. O mais corrupto da história do Brasil", disse Braga.
Durante o bate-boca, parlamentares do PSL, em pé, também começaram a gritar "ladrão" para colegas da oposição que assistiam à cena. "Acho que prestei informações, respondi, houve até alguns ataques. No final, um deputado absolutamente despreparado, que não guarda o decoro parlamentar, fez uma agressão, umas ofensas inaceitáveis", afirmou o ministro a jornalistas. "Moro me chamar de desqualificado, para mim, é um elogio", rebateu o deputado.
Convidado para explicar diálogos publicados pelo The Intercept Brasil, o ministro disse não reconhecer a autenticidade das conversas com o coordenador da Lava Jato em Curitiba, Delton Dallagnol, e outros procuradores e classificou como "revanchismo" as críticas recebidas. "Há uma tentativa criminosa de invalidar condenações", insistiu ele. "Se, durante as investigações da Lava Jato, eu tivesse deixado a corrupção florescer, não sofreria esses ataques. Qual foi a mensagem que revela que tem inocente condenado? Que inocentes?", provocou.
Leia Também
'Balão vazio'
Desde o início da audiência, a oposição se revezou nos ataques e o clima esquentou, com ásperas discussões entre deputados. Dois dias depois das manifestações de rua em apoio à Lava Jato, porém, o ministro parecia mais seguro. "Se as minhas mensagens não foram adulteradas, não tem nada ali, nada. É um balão vazio cheio de nada", comparou.
Irônico, Moro chegou a dizer que se fala muito da anulação do processo do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva - preso desde abril do ano passado -, mas também é preciso perguntar se alguém defende o ex-governador do Rio Sérgio Cabral (MDB), o ex-presidente da Câmara Eduardo Cunha (MDB-RJ) e o ex-diretor da Petrobras Renato Duque. "Precisamos de defensores destas pessoas. Que elas sejam colocadas imediatamente em liberdade, já que foram condenadas pelos malvados procuradores da Lava Jato, pelos desonestos policiais e pelo juiz parcial", disse Moro.
Houve gritos e dedos em riste na sala da CCJ. "Dispenso a ironia!", protestou a deputada Maria do Rosário (PT-RS). O ministro mexia nos papéis e desviava o olhar, quando questionado pela oposição. "Eu gostaria que o senhor me olhasse nos olhos. Desconfiem de quem baixa a cabeça!", afirmou a petista.
Na tentativa de provocar os adversários, deputados do PSL levantavam folhas de papel sulfite com apelidos dados por diretores da Odebrecht a políticos do PT beneficiados com recursos nas campanhas. Eduardo Bolsonaro (PSL-SP) comandava a tropa, segurando "placas" com as inscrições "Solução" - apelido atribuído a Maria do Rosário - e "Montanha", alcunha dada ao deputado Paulo Pimenta (PT-RS). Os petistas, por sua vez, empunhavam cartazes com a reprodução do PowerPoint que virou piada nas redes, usado pelo Ministério Público Federal para condenar Lula.
Moro demonstrou impaciência com deputados do PT, do PSOL e da Rede, que cobraram seu afastamento do cargo, e deixou sem resposta algumas perguntas como, por exemplo, se a PF pediu ao Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf) que investigasse movimentações feitas pelo jornalista Glenn Greenwald, do The Intercept Brasil, conforme publicado pelo site O Antagonista.
O ministro reagiu com nervosismo ao ser questionado pela deputada Gleisi Hoffmann, presidente do PT, se tinha contas no exterior. "Se alguém tem algum elemento contra mim, que apresente. Não sou eu investigado por corrupção", respondeu Moro, em referência às apurações da Lava Jato contra Gleisi. O deputado Boca Aberta (PROS-PR) deu um troféu para o ministro e afirmou que a taça simbolizava o combate à corrupção.
'Escolinha do Professor Raimundo'
"Isso aqui parece a Escolinha do Professor Raimundo", reclamou o presidente da Comissão de Constituição e Justiça (CCJ), Felipe Francischini (PSL-PR), aos deputados que a todo momento interrompiam a audiência do ministro da Justiça, Sérgio Moro. Os "alunos" eram deputados que se provocavam durante a "aula", com direito até a "gemidão" do WhatsApp no meio de uma pergunta.
Entre os "travessos" estavam, do lado governista, Eduardo Bolsonaro (PSL-SP) e o líder do PSL, Delegado Waldir (GO). Na oposição, os petistas Paulo Pimenta (RS) e Zeca Dirceu (PR). Dirceu bateu boca com Éder Mauro (PSD-PA), que sentou em seu lugar. Francischini interveio. "Imagina se eu ainda precisar ficar cuidando do lugar de quem foi ao banheiro", disse o relator, completando com o bordão do icônico personagem de Chico Anysio: "E o salário, ó!"
As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.
ELEIÇÕES 2026
Após crise no STF: Flávio Bolsonaro e Augusto Cury passam numericamente o presidente pela primeira vez, mostra pesquisa BTG Pactual/Nexus
8 de setembro de 2026 - 10:33ELEIÇÕES 2026
Primeira pesquisa Quaest após crise no STF mostra Lula com 36% e Flávio com 29% no 1º turno; disputa segue acirrada no 2º turno
7 de setembro de 2026 - 18:51SÍMBOLOS NACIONAIS
Dia da Independência do Brasil: a introdução desconhecida do Hino Nacional e a canção composta por D. Pedro I
7 de setembro de 2026 - 17:00Conteúdo Market Makers
Seus investimentos e patrimônio estão preparados para as Eleições 2026?
6 de setembro de 2026 - 9:00ELEIÇÕES 2026
Lula ironiza ingerência de Trump, Flávio acena a Tarcísio para 2030 e Caiado defende reforma no STF; confira o dia dos candidatos
4 de setembro de 2026 - 19:48ELEIÇÕES 2026
Datafolha: Lula lidera 1º turno e vence cenários de 2º turno, mas vê vantagem sobre Flávio Bolsonaro encurtar
3 de setembro de 2026 - 19:38O DIA NA POLÍTICA
Caso Master-Moraes segue reverberando nas eleições, a cautela de Lula e a batalha pelo voto feminino
3 de setembro de 2026 - 19:03ELEIÇÕES 2026
Ruído no STF traz volatilidade, mas UBS BB vê corrida presidencial aberta e polarização intacta
3 de setembro de 2026 - 13:41ELEIÇÕES 2026
Caso Master segue assombrando corrida eleitoral; acompanhe o dia dos presidenciáveis
2 de setembro de 2026 - 19:46ELEIÇÕES 2026
O dia na política: caso Moraes-Vorcaro incendeia a corrida eleitoral; TSE libera campanha de Renan Santos
1 de setembro de 2026 - 19:41BTG PACTUAL MACRO DAY 2026
Chega de aumentar impostos? Ministro da Fazenda conta os próximos passos do governo Lula para apertar o cinto dos gastos e frear juros
31 de agosto de 2026 - 13:00DISPUTA PRESIDENCIAL
Lula e Flávio Bolsonaro lideram nas eleições, mas Augusto Cury ganha terreno e chega ao 3º lugar, mostra pesquisa BTG Pactual/Nexus
31 de agosto de 2026 - 8:49DECISÕES EM BRASÍLIA
‘Taxa das blusinhas’ e escala 6×1 serão decididas nesta semana, a tempo de entrar na campanha eleitoral
30 de agosto de 2026 - 17:55ELEIÇÕES 2026
Cada vez mais acirrado: Lula e Flávio empatam no segundo turno, mas ainda são os candidatos à presidência mais rejeitados, mostra BTG/Nexus
24 de agosto de 2026 - 9:36ELEIÇÕES 2026
Primeiro Datafolha após início da campanha mostra empate técnico entre Lula e Flávio Bolsonaro; confira os números
21 de agosto de 2026 - 19:05PERGUNTAS E RESPOSTAS
Eleições 2026: tudo o que você precisa saber sobre a votação, os candidatos e as pesquisas
20 de agosto de 2026 - 12:51DISPUTA PRESIDENCIAL
De olho nas eleições: maioria dos eleitores se considera mais ou menos antenada e deve acompanhar debates, mostra BTG/Nexus
17 de agosto de 2026 - 10:01GUIA DO ELEITOR
A campanha eleitoral começou: veja as regras, o que esperar até as eleições e a estreia dos candidatos nas ruas
16 de agosto de 2026 - 13:59Conteúdo Empiricus
Eleições 2026: disputa pode abrir espaço para buscar ganhos de até 586%; entenda
13 de agosto de 2026 - 14:00ELEIÇÕES 2026