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Política

Caso envolvendo Moro não afeta agenda econômica do governo, diz Arko Advice

Cristiano Noronha avalia que vazamento de conversas não atinge governo Bolsonaro diretamente e Câmara deve levar adiante votações da semana

Sergio Moro
Ministro Sergio Moro - Imagem: Marcos Corrêa/PR

O vazamento de conversas entre o ministro da Justiça, Sérgio Moro, e procuradores da Operação Lava Jato não deve afetar de forma consistente a agenda econômica do governo. A avaliação é do cientista político e vice-presidente da Arko Advice, Cristiano Noronha.

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Segundo Noronha, esse episódio não afeta o governo, pois é uma revelação que aconteceu no âmbito da Lava Jato, quando Moro era juiz do caso. Ainda assim, pondera Noronha, temos de aguardar para ver se surgem novas gravações e revelações. Assim, Moro deve ficar na defensiva, mas isso não deve resultar na demissão do ministro. “Isso cria ruído político, mas ainda está com impacto delimitado”, avalia.

Com relação à reforma da Previdência, Noronha aponta que as negociações estão em torno do parecer do relator, Samuel Moreira (PSDB-SP). A votação de seu parecer deve acontecer na última semana do mês, acredita Noronha, e o caso envolvendo Moro não teria impacto sobre isso.

O caso pode ter algum reflexo sobre as discussões envolvendo o projeto de lei de combate à corrupção encaminhado pelo próprio Moro. Para Noronha, o episódio pode resultar em novas tentativas de impor algum tipo de controle na atuação do Ministério Público.

O que ganha força, segundo Noronha, é a retórica da oposição e do PT, que devem fazer movimentos para convocar o ministro a dar explicações no Congresso. Também fica reforçada a retórica de que o ex-presidente Lula foi alvo de perseguição política.

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Regra de Ouro

Uma das votações mais relevantes prevista para a semana envolve a chamada regra de ouro. O governo pede autorização para emitir até R$ 248 bilhões em dívida, caso contrário faltará dinheiro para pagamento de aposentadorias, Bolsa Família e Plano Safra.

Para Noronha, o episódio não impacta essa votação, pois o pedido de crédito é justamente para o pagamento de benefícios sociais e Plano Safra, que interessa à bancada ruralista.

Além disso, se o crédito não for concedido, a conta pode recair sobre o Congresso. Noronha lembra que o próprio Bolsonaro já foi às redes sociais para dizer que a atuação da oposição prejudica os mais pobres. “Acho que isso pode acabar se voltando contra o Congresso”, diz.

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https://twitter.com/jairbolsonaro/status/1137753375867641857?s=20

Opinião pública

Ainda de acordo com Noronha, para a opinião pública a revelação das conversas não parece clara em termos de que tipo de erro teria sido cometido ou não por Moro e pelos procuradores.

Segundo ele, diálogos fora de contexto ganham conotações distintas. Por isso mesmo, temos de aguardar para ver quais podem ser as eventuais consequências.

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