Relógio de R$ 1 milhão e combo com expedição ao Ártico… Conheça as tendências da alta relojoaria
Grandes marcas da alta relojoaria apresentam recentemente suas novidades e muitas buscam seduzir o consumidor com espírito de aventura

Comprar um relógio de luxo, ultrassofisticado, por si só já alimenta um desejo muito pessoal, mas a experiência de consumo pode ir além: explorar o Ártico, treinar com a elite da marinha italiana ou mergulhar na Polinésia Francesa.
Pode parecer estranho, mas são “atrativos” como esses que a italiana Panerai apresentou em conjunto com os lançamentos da marca durante o Salão Internacional de Alta Relojoaria (SIHH, na sigla em francês), realizado neste ano em Genebra (Suíça).
A combinação de natureza, esporte e aventura, aliás, também foi tema de novidades de outras grandes grifes do ramo.
Limitada a 19 peças, uma das edições especiais do relógio Panerai oferecerá aos proprietários “alguns dias de treinamento intensivo” junto com o explorador Mike Horn entre os blocos de gelo flutuantes do Ártico.
O objetivo não é apenas enfrentar os desafios da natureza, mas também despertar a consciência sobre os danos causados pelo homem ao ecossistema.
Como parte do espírito de preservação, a estrutura principal e a correia do relógio são feitos respectivamente, de titânio e PET reciclados. Preço: cerca de R$ 182 mil.
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Pelo mesmo valor, é possível adquirir o “Carbotech Submersible Marina Militare” da Panerai, edição limitada a 33 peças, que dá direito a uma sessão de treinamento com a Comsubin, tropa especial italiana pioneira em operações navais.

Gosta de mergulhar? Um dos modelos inspirados no atleta francês Guillaume Néry foi lançado com apenas 15 unidades, a R$ 176 mil cada, e tem como ‘plus’ um mergulho na companhia do campeão mundial de apneia. Resiste a uma profundidade de até 300 metros (30 bares) e têm um bisel rotativo unidirecional que indica com precisão o tempo de imersão.

Ainda na temática do mar, outra opção é a coleção Luna Rosa Challenger, em homenagem à equipe italiana que irá competir na 36ª edição da America’s Cup, mais famosa e prestigiada regata do iatismo do mundo.
Vale lembrar que os modelos da Panerai apresentados durante o Salão Internacional, assim como os de outras fabricantes de luxo, são itens que podem demorar algum tempo para chegar às boutiques das marcas – muitas delas, no Brasil, situadas no shopping JK Iguatemi, em São Paulo.
R$ 1 milhão no seu pulso
Lá é possível encontrar também relógios da suíça IWC Schaffhausen, que durante o Salão Internacional apresentou novidades ligadas ao universo da aviação.
Uma delas foi o “Big Pilot’s Constant-Force Tourbillon” edição “Le Petit Prince” (O Pequeno Príncipe, clássico do escritor francês Antoine de Saint-Exupéry, que também era piloto), feito em ouro rígido – uma versão especial do ouro rosa, até dez vezes mais resistente.
A peça tem tiragem limitada a apenas dez unidades e o preço faz jus à exclusividade: quase R$ 1 milhão! Ou, mais precisamente, R$ 997 mil.

Da mesma IWC, a edição “The Longest Flight” tem o relógio “Pilot Timezoner Spitfire”, cujo esquema de cores, com caixa de aço inoxidável, mostrador preto e pulseira de tecido verde, lembra o cockpit do famoso caça britânico da Segunda Guerra Mundial.
A peça teve 250 exemplares lançados, custa R$ 52,5 mil, e pode ser configurada para um fuso horário diferente com uma simples rotação do aro, diz a fabricante.
Outra opção é o “Pilot Top Gun Ceratanium”, ao preço de R$ 63,6 mil, com duplo cronógrafo e design totalmente em preto, feito de um material que a marca descreve como leve e inquebrável como o titânio e tão resistente a arranhões quanto a cerâmica.

Na Montblanc, uma das apostas é o “1858 Geosphere”, dedicado ao desafio mundial de montanhismo Seven Summits e que custa R$ 29,6 mil. A companhia alemã diz que a nova linha de relógios da coleção 1858 aproxima-se da natureza com caixas em bronze polido e acetinado e mostradores em verde-cáqui, combinando com pulseiras coloridas.
Durante o evento, foram apresentados quatro modelos diferentes, inspirados nos históricos relógios da Minerva das décadas de 1920 e 1930.
Na parte de trás das peças está gravada a emblemática montanha Mont Blanc (mais alta da União Europeia), uma bússola e duas picaretas de gelo cruzadas, “como um aceno ao espírito de exploração”.
Outros detalhes incluem coroas caneladas e caixas recobertas por cristal de safira abaulado, para dar uma aparência vintage.
Para quem não é assim tão aventureiro, mas gosta, por exemplo, de acompanhar as fases da Lua, uma alternativa entre os mais recentes lançamentos são os relógios ultrafinos da Jaeger-LeCoultre, outra marca suíça. Sua linha máster traz os modelos “Tourbillon”, “Perpetual” e “Moon”.

O primeiro tem um cristal de safira transparente e calendário perpétuo que indica, simultaneamente, a lua nos hemisférios Norte e Sul.
No caso do Perpetual, um dos diferenciais é o alongado marcador de horas. O modelo é feito à mão, com atenção especial à ergonomia.
Já o Master Ultra Thin Moon apresenta, entre outros detalhes, design diferenciado dos marcadores de horas e um novo cenário de fases da lua.
Em todos esses casos, os lançamentos da Jaeger-LeCoultre se restringem a um total de 50 a 100 peças, com edições limitadas em ouro branco e esmalte azul guilloché.
Os preços são de R$ R$ 189 mil (Moon), R$ 290 mil (Perpetual) e R$ 465 mil (Tourbillon).
Eventos sincronizados
Após o recorde de mais de 23 mil visitantes únicos no SIHH deste ano, um aumento de 15% em relação a 2018, fica a expectativa quanto a outro evento de alta relojoaria, a Baselworld, que acontece entre os dias 21 e 26 de março, também na Suíça, com marcas como a icônica Rolex, que não esteve em Genebra.
Isso mesmo, duas feiras mundiais do setor, no mesmo país, no intervalo de dois meses! Algo que acaba incomodando mesmo os bolsos mais fartos e é alvo de críticas do ponto de vista comercial. A boa notícia, porém, é que no próximo ano será diferente.
A partir da edição 2020, o SIHH e a Baselworld vão coordenar as datas: o evento de Genebra será realizado de 26 a 29 de abril e, no dia seguinte, começa a feira realizada na Basileia, que terminará em 5 de maio. “Os calendários foram sincronizados até 2024”, diz a organização.
Menos é mais
“Foi a melhor coisa do mundo”, comemora Freddy Rabbat, CEO da TAG Heuer no Brasil. Ele esteve em Genebra no mês passado e, com o olhar de um especialista com quase 30 anos no ramo, conta que um detalhe lhe chamou atenção: o tamanho dos relógios parou de crescer.
Segundo ele, havia uma tendência de modelos masculinos cada vez maiores, mas nos últimos anos isso vem mudando, e o diâmetro médio tem diminuído.
“Creio que é uma influência do mercado asiático, que é gigante e prefere peças menores”, afirma Rabbat. “E também porque, no passado, os mecanismos mais sofisticados demandavam um espaço maior. Hoje é possível acomodá-los em peças menores.”
Sobre as peculiaridades de cada mercado, o executivo conta que, na Ásia, a preferência é por relógios pequenos e mais finos, para uso social, ao passo que no Brasil há uma forte procura por modelos que suportam também o uso esportivo.
“Em geral, tem que ser à prova d’água, com cronógrafo, para ser usado em corridas, mergulho, partidas de golfe ou passeios de moto, por exemplo.” Perfil semelhante, diz o especialista, é visto nos Estados Unidos.
Carbono chegou nos pulsos
Durante o SIHH, a TAG Heuer apresentou uma inovação técnica que considera ser uma quebra de paradigma na indústria. Um relógio cuja mola de balanço (que zela pela precisão) é feita em composto de carbono, ao invés de aço, ficando imune a campos magnéticos e apresentando forte resistência.
Em termos de design, o “Carrera Calibre Heuer 02T Tourbillon Nanograph” apresenta, entre outros detalhes, um mostrador multicamadas com hexágonos jateados. O preço é de aproximadamente R$ 128,4 mil.
Na opinião de Rabbat, os “relógios inteligentes”, eletrônicos e modernos, seguem um caminho próprio e não devem no futuro representar o fim dos produtos tradicionais.
Ao contrário, diz, ele, pode ser uma porta de entrada para itens mais elaborados. “O público jovem entra nesse mercado consumindo o smartwatch e acredito que, com o passar dos anos, tende a ir para um relógio mais sofisticado.”
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