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Se as reformas da Previdência e tributária forem aprovadas no Congresso sem grandes penduricalhos daninhos, e as ideias de Paulo Guedes forem em frente, a economia brasileira vai dar uma guinada colossal
Diversas privatizações estão em andamento no Brasil, além de vendas de ativos do governo e de estatais. Isso é apenas um primeiro passo. O grosso do enxugamento do Estado começará a acontecer após a aprovação, pelo Congresso Nacional, da reforma da Previdência.
Em vários estados da União, assim como em boa parte dos municípios, igual processo está sendo estudado, quando não já em andamento.
O Brasil chapa-branca faliu e muitos governadores e prefeitos têm perfeito conhecimento disso.
As privatizações serão uma ótima fonte de recursos, mas se não forem acompanhadas de profundas reformas estruturais, em pouco tempo voltará a faltar verba para pagar as despesas de custeio das paquidérmicas máquinas estatais.
Se essa tragédia acontecer, não haverá mais nada para se leiloar.
Só que há motivos para otimismo. Terça-feira da semana passada, por exemplo, a Petrobras vendeu 30% de sua subsidiaria BR Distribuidora, arrecadando R$ 9,6 bilhões na operação.
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De acordo com um estudo elaborado pelo Bank of América, o Brasil poderá dispor de R$ 389,7 bilhões na venda de empresas como os Correios, a Eletrobras, o Serpro, a Dataprev e a Casa da Moeda. Desse valor, R$ 100 bilhões deverão entrar nos cinco meses restantes de 2019.
Num prazo mais longo, mas ainda dentro do mandato de Jair Bolsonaro, outras centenas de bilhões têm chances de serem arrecadadas.
É costume dizer, e não gosto da expressão, que para que isso aconteça é necessário “vontade política”. Melhor seria “vontade férrea”. Pois bem, isso é o que não falta no ministério da Economia.
Tem mais: se o BNDES seguir com sua postura de venda de participações acionárias em outras empresas, e a União se desfizer de imóveis desnecessários, outros R$ 990 bilhões poderão entrar nos cofres do Tesouro e abatidos da dívida pública.
Isso se chama desmonte do Estado, restando-lhe prover suas funções básicas: educação, saúde e segurança.
O melhor da história é que se torna um círculo virtuoso. Crescendo a economia, sobe a arrecadação. Diminuindo o endividamento interno, os juros tendem a cair.
É o tal círculo virtuoso do qual os economistas tanto falam e que precisa de um pontapé inicial.
A Reagonomics e o Thatcherismo nada mais foram do que isso.
Em outras épocas, o modelo era diferente. Para equilibrar suas contas, os governos vendiam partes de seus territórios, embora muitas vezes coagidos a fazê-lo.
Só para me deter em alguns exemplos:
Em 1803, os Estados Unidos adquiriam a Luisiana da França por US$ 15 milhões.
Quase meio século mais tarde, os americanos compraram, do México, simplesmente a Califórnia, Nevada, Utah e parte do Arizona.
Como se não bastasse, em 1867 os EUA entregaram ao tzar Alexandre II, da Rússia, US$ 7,2 milhões em troca do estado do Alasca. Diz-se, embora isso nunca tenha sido provado, que foi preciso que os russos subornassem alguns congressistas de Washington para conseguir fechar a transação.
O Brasil também participou desse jogo. Em 1903, pagou à Bolívia dois milhões de libras esterlinas pelo território do Acre.
Como esse tipo de negócio é impensável nos dias de hoje, quando nações entram em conflito por causa da posse de uma ilhota desabitada no meio do oceano, só resta vender bens e privatizar empresas.
É essa a intenção do governo brasileiro. Com a esquerda enfraquecida, são pouquíssimas as manifestações contrárias.
Concluindo: se as reformas da Previdência e tributária forem aprovadas no Congresso sem grandes penduricalhos daninhos, e as ideias de Paulo Guedes forem em frente, a economia brasileira vai dar uma guinada colossal.
Nessa hipótese, 200.000 pontos para o Ibovespa até o final de 2020 pode ser mais do que razoável. Isso sem que os papéis se tornem tecnicamente mais caros, já que o lucro por ação de cada um deles deverá crescer na mesma proporção.
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