A intensificação da guerra comercial aumenta a volatilidade, mas cria uma série de oportunidades
A afirmação é de Marcus Vinicius Gonçalvez, CEO da Franklin Templeton no Brasil, uma das maiores gestores de ativos do mundo. Para ele, o momento é o mais propício para abrir uma conta fora e diversificar os seus investimentos

Um dos temas que voltaram ao radar dos investidores na última semana foi a reativação da guerra comercial entre os Estados Unidos e a China. E ele vem fazendo estragos. Ontem (5), a disputa entre ambos e guerra cambial foram os principais fatores responsáveis por derrubar as principais bolsas mundo afora e fazer com que o dólar fosse além da marca de sete yuans, algo que não era visto havia 10 anos.
Mas há quem veja bastante oportunidade em um ambiente marcado por incertezas e disputas entre países. Durante um evento voltado exclusivamente para investidores em São Paulo, Marcus Vinicius Gonçalvez, CEO da Franklin Templeton no Brasil, uma das maiores gestores de ativos do mundo, disse que o cenário de guerra comercial abre espaço para um período de grande volatilidade, mas que isso gera uma "série de oportunidades".
"Vai ter muita liquidez. As pessoas vão poder optar por ficar compradas (em que apostam na alta de um ativo) ou vendidas (em que apostam que o ativo perderá valor ao longo do tempo). Além disso, terão que abrir uma conta fora. Agora é o momento", disse Gonçalvez.
De olho na segurança e diversificação
Um dos motivos para a fala do CEO da Franklin Templeton é que os investimentos em dólar são vistos como seguros, já que costumam proteger o investidor em tempos de crise. Por exemplo, o dólar e a bolsa possuem uma correlação negativa. Logo, quando a bolsa brasileira perde um pouco de folêgo, o dólar costuma subir e vice-versa. Além da proteção, os investimentos em ativos atrelados a dólar ou a outras moedas fortes como o yuan são bons para diversificar o portfólio que está focado unicamente em ativos domésticos.
Uma das opções para quem está de olho lá fora pode ser por meio da renda fixa e mais especificamente dos títulos do tesouro americano, os Treasuries. Para Luis Otávio Oliveira, vice-presidente da gestora americana Pimco para a América Latina, esse tipo de investimento tende a melhorar a sua performance diante de um clima de maior instabilidade nos mercados acionários.
No caso dos Treasuries de 10 anos, por exemplo, o título de dívida norte-americana com vencimento em setembro de 2019 fechou o pregão de ontem (5) cotado em US$ 129,98, sendo que em maio deste ano, ele estava sendo negociado por volta de US$ 122.
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"Nesse tipo de cenário, o que tende a performar pior são os ativos de risco, como as bolsas. Mas há algumas oportunidades interessantes como apostar em treasuries dos Estados Unidos. Por conta do clima de incertezas, os investidores podem buscar esse tipo de porto seguro, o que faz com que o preço do ativo possa aumentar", destacou Oliveira.
Segundo ele, a volatilidade deve marcar o curto prazo, mas uma recessão deve vir mesmo apenas em 2021.
"Acreditamos que quando a recessão chegar, ela será igual a uma panela chinesa wok que é pouco profunda, mas bastante longa porque há pouca margem de corte de juros para estimular a economia porque os juros já estão bem baixos", afirmou o vice-presidente da Pimco.
Usando a volatilidade a seu favor
E o segredo para passar por esse momento não é entender quando comprar ações, mas sim estar investindo desde já. A afirmação é de Giuliano De Marchi, head para América Latina da JP Morgan Asset Management, que também falou no painel. Ao ser questionado pela plateia sobre a recessão e a guerra comercial, ele destacou que é importante estar posicionado logo agora porque há estudos que mostram que os 15 piores dias da bolsa costumam ser seguidos pelos 15 melhores.
"A guerra comercial que ocorre é um retrato do que teremos daqui a 30 ou 50 anos com a briga entre as duas nações maiores nações do mundo pela liderança mundial. Para o curto prazo, vemos uma volatilidade muito grande, mas que será mais fraca do que em 2018. Ainda assim, acredito que o mercado acionário vai ficar um pouco mais devagar, porém vai continuar a oferecer retornos positivos", afirmou De Marchi.
Por conta da alta volatilidade que os próximos anos reservam, o head para a América Latina da JP Morgan destaca que será cada vez mais importante ter uma posição mais estratégica em ativos no exterior.
Quem deseja investir no exterior, pode fazer isso por meio de fundos com exposição fora, como em fundos globais, ou diretamente em ações de empresas, ou em ETFs que replicam índices de lá e que são negociados aqui como o IVVB11 e o SPXI11, ou nos chamados Certificados de Operações Estruturadas (COE).
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