2019-02-22T16:43:31-03:00
Eduardo Campos
Eduardo Campos
Jornalista formado pela Universidade Metodista de São Paulo e Master In Business Economics (Ceabe) pela FGV. Cobre mercado financeiro desde 2003, com passagens pelo InvestNews/Gazeta Mercantil e Valor Econômico cobrindo mercados de juros, câmbio e bolsa de valores. Há 6 anos em Brasília, cobre Banco Central e Ministério da Fazenda.
Resultados Contundentes

Sem reforma da Previdência você estará R$ 5,8 mil mais pobre em 2023

Além de perder renda, estaremos assombrados por uma taxa de desemprego de mais de 15% e com Selic de 18,5% ao ano. As simulações são do Ministério da Economia

22 de fevereiro de 2019
16:16 - atualizado às 16:43
O ministro da Economia, Paulo Guedes
Imagem: Valter Campanato/Agência Brasil

A Secretaria de Política Econômica (SPE) do Ministério da Economia fez uma série de simulações para avaliar impacto econômico da aprovação ou não da reforma da reforma da Previdência. Sem reforma, estaremos mais pobres, endividados, convivendo com maior desemprego e pagando juros não vistos desde 2005.

O documento pode ser visto como mais uma estratégia do governo na chamada “batalha da comunicação”, pois um tema controverso como esse já gera críticas de quase todo espectro político e social. Já tem até funcionário do alto escalação do funcionalismo público chamando a reforma de “comunista” por elevar a contribuição para até 22% para os salários acima de R$ 39 mil, outros falam em "confisco" e ameaçam recorrer à Casa de Suplicação (STF).

O ministro da Economia, Paulo Guedes, defende que a proposta não seja diluída na sua previsão de economizar R$ 1,1 trilhão ao longo de dez anos e também disse que que cada vez que se reduz esse número, “estamos sacando contra o futuro de nossos filhos e netos”.

A SPE, comandada pelo secretário Adolfo Sachsida, afirma que o estudo tem por objetivo revelar a importância da reforma para além da promoção de equilíbrio fiscal ou da justiça social.

“Procura-se, aqui, evidenciar de forma clara o elevado risco para a geração de renda e para a estabilidade macroeconômica do país que a não aprovação da reforma poderia causar”, diz o documento.

Em nota, Sachsida, afirma que com a reforma, o país terá, em 2023, oito milhões de empregos a mais do que teria sem a aprovação, e que cada brasileiro terá R$ 5,8 mil a mais em seu bolso, em decorrência da reforma.

"Uma família de quatro pessoas, com pai, mãe e dois filhos, terá em 2023 aproximadamente 24 mil a mais graças a reforma. É claro que esse efeito se distribui de acordo com as classes de renda da população, mas o fundamental é que a reforma é justa e favorece os mais pobres. A crise econômica bate de maneira ainda mais pesada nas classes menos favorecidas", enfatiza Sachsida.

Ainda de acordo com o secretário, em um eventual cenário inverso, sem a reforma, a dívida pública dará um pulo, haverá aumento dos juros, redução do crescimento econômico e queda de empregos.

"O efeito desse aumento de juros sobre o PIB é muito rápido, então já no segundo semestre de 2020 o país voltará ao cenário recessivo. Sem a reforma, o Brasil voltará a ter problemas daqui a um ano", diz.

"Resultados contundentes"

Para fazer o estudo foram estimados dois cenários. Um considerando a aprovação e outro com a manutenção das regras previdenciárias atuais. Eles foram comparados a um cenário “básico” que reflete aproximadamente o consenso de mercado atual.

Entre as premissas está que na ausência de reforma, o aumento dos gastos previdenciários seria financiado pelo aumento da dívida pública, afetando negativamente o crescimento econômico devido ao seu efeito de elevação da taxa de juros. Um verdadeiro ciclo vicioso.

 

Segundo a SPE, “os resultados do exercício são contundentes”. Caso nenhuma reforma fosse aprovada no horizonte de projeção (2019 a 2023), o crescimento anual do PIB tenderia a ser, em média, 2,9 ponto percentual menor nos próximos cinco anos em comparação com o cenário com mudança das regras previdenciárias.

A diferença de crescimento entre os dois cenários se concentra principalmente na expressiva deterioração da atividade. No cenário sem reforma da previdência, o crescimento do PIB em 2019 seria inferior a 1% e o Brasil já entraria em recessão a partir do segundo semestre de 2020, caminhando para perdas comparáveis às ocorridas no período 2014 a 2016.

A SPE nota que o PIB sob o cenário “básico” (consenso de mercado) se situa em nível intermediário entre os dois cenários elaborados, mas relativamente mais próximo do cenário de reforma. “Isso indica que o cenário de mercado embute uma probabilidade relativamente alta de aprovação da reforma, mas subestima seus impactos positivos sobre o nível de atividade.”

 

Todos mais pobres

Segundo a SPE, o menor crescimento pode ser interpretado como um custo para cada brasileiro. Assim, foi estimado o custo da manutenção das regras atuais em termos per capita.

Na ausência de reforma cada brasileiro receberia, em média, R$ 2,5 mil a menos por ano, equivalente a 2,6 salários mínimos por ano nos próximos cinco anos. Esse custo (a preços constantes de 2018) tende a se elevar com o passar dos anos.

Quanto mais a reforma da previdência fosse postergada, maior seria o custo para a população brasileira. Por exemplo, na ausência de reforma da previdência, no ano de 2023 cada brasileiro teria uma perda em sua renda anual de R$ 5,8 mil em relação ao cenário com reforma. “Em outras palavras, em 2023, na ausência da reforma da previdência, cada brasileiro estaria R$ 5,8 mil Reais mais pobre.”

Com menos empregos

Na avaliação da SPE, ao gerar um impacto sustentável no crescimento econômico, a reforma também implica em um resultado significativo sobre a geração de empregos na economia.

Nesse sentido, em um ambiente sem reforma a queda de investimentos seria acompanhada por uma elevação da taxa de desemprego, alcançando em 2023 a taxa de 15,1%.

Já no cenário com a implementação integral da reforma da previdência reduziria continuamente a taxa de desemprego, levando o mercado de trabalho a uma tendência de convergência para os níveis pré-recessão.

O volume médio de criação de empregos devido à reforma é de 1,33 milhão por ano, alcançando um valor total de empregos gerados até 2023 de quase 8 milhões de empregos em comparação ao cenário sem realização da reforma.

Pagando mais juros

A SPE explica que o a taxa de juros é o principal canal de transmissão por meio do qual a deterioração fiscal reduz a atividade e a renda.

No cenário sem reforma, o resultado primário do setor público consolidado (receitas menos despesas, sem considerar conta de juros) continuaria permanentemente deficitário. Já com a reforma, são gerados superávits a partir de 2021, subindo a 1,1% do PIB em 2023.

Consequentemente, na ausência de reforma, a dívida bruta do governo seguiria em “trajetória explosiva”, batendo 102% do PIB em 2023. Ao passo que, no cenário de reforma, sem considerar receitas extraordinárias, a dívida começaria a declinar a partir de 2021, para 78%, contra os atuais 78%, caindo a 76% em 2023.

Essa deterioração fiscal no cenário sem reforma aumentaria a percepção de risco em relação à sustentabilidade das contas públicas, elevando a taxa de juros, o que deprimiria a atividade.

Enquanto no cenário com reforma o modelo projeta uma taxa Selic em torno de 5,6% ao ano em 2023 (abaixo da projeção de 8% da pesquisa Focus do BCB), no cenário sem reforma as estimativas preveem um aumento da taxa de juros neutra que implicaria em um aumento drástico dos juros para 18,5% ao ano, patamar não visto desde o fim de 2005.

A SPE encerra a nota dizendo que apesar da incerteza inerente a qualquer cenário econômico, a magnitude dos efeitos potenciais estimados da aprovação (ou não) da reforma previdenciária não deixam dúvidas quanto à relevância da sua aprovação para o futuro do país.

Comentários
Leia também
A REVOLUÇÃO 3.0 DOS INVESTIMENTOS

Que pi… é essa?

Eu decidi sair do banco, mas não queria entrar em uma enrascada. Bem, acredito que eu tenha encontrado um portal para fugir dessa Caverna do Dragão das finanças. E cá estou para explicar essa descoberta.

CHAPA CONFIRMADA

Eleições 2022: Veja quantos milhões Lula e Alckmin declararam ao Tribunal Superior Eleitoral (TSE)

7 de agosto de 2022 - 12:49

O ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva e o ex-governador de São Paulo Geraldo Alckmin confirmaram a chapa ao Tribunal Superior Eleitoral (TSE)

NÃO ENTRE NESSA

AMTD Digital (HKD): A ação desconhecida que subiu mais de 32.000% em menos de um mês e agora entra em queda meteórica

7 de agosto de 2022 - 11:18

Recém-chegada a Nova York, as ações da AMTD Digital levaram a companhia a valer mais do que grandes bancos como o Goldman Sachs e BofA

ROTA DO BILHÃO

O Lobo de Cashmere: Como Bernard Arnault, dono da LVMH, fez uma fortuna de US$ 168,6 bilhões a partir de bolsas e joias

7 de agosto de 2022 - 8:15

Formado em engenharia e apelidado como “Exterminador do Futuro”, o francês transformou uma empresa de tecidos falida na maior companhia da Europa

IVAN SANT'ANNA

Sob a névoa da guerra: as chances de Rússia e Ucrânia após seis meses de conflito

7 de agosto de 2022 - 7:29

As coisas não se passaram da maneira que Putin queria, e já é muito remota a chance de a Rússia anexar integralmente o seu vizinho do oeste

Existe esperança

Elon Musk flerta com a possibilidade de seguir em frente com a compra do Twitter — mas antes quer certeza sobre o número de usuários da rede

6 de agosto de 2022 - 15:19

O bilionário Elon Musk, dono da Tesla, voltou a usar o próprio Twitter para pressionar os executivos da rede social

Carregar mais notícias
Carregar mais notícias
Fechar
Menu

Usamos cookies para guardar estatísticas de visitas, personalizar anúncios e melhorar sua experiência de navegação. Ao continuar, você concorda com nossas políticas de cookies