Por reforma da Previdência, Bolsonaro se reúne com presidentes partidários, incluindo Romero Jucá
Presidente do MDB foi um dos responsáveis pela reforma do governo Temer; reunião faz parte de uma série de encontros com dirigentes partidários prevista para hoje

Em busca de uma base de apoio no Congresso, o presidente Jair Bolsonaro tem programado, em agenda pública, um encontro com o presidente do MDB, Romero Juca.
A reunião faz parte de uma série de conversas com dirigentes partidários programadas para hoje, 4.
O diálogo com as siglas vem num momento em que a proposta da reforma da Previdência começa a ser discutida para valer. Ontem, 3, o ministro da economia Paulo Guedes participou na Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) de uma intensa sabatina sobre o assunto.
Bolsonaro tentou inicialmente não participar da articulação política, criticando o que chama de "velha política".
Maratona de encontros
O presidente do PRB e bispo licenciado da Igreja Universal do Reino de Deus, Marcos Pereira, teve o primeiro encontro com Bolsonaro hoje. Mais cedo, o deputado federal disse, entrevista ao jornal O Estado de S. Paulo, que presidente precisa "descer do palanque" e se colocar no seu papel de chefe do executivo.
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Na saída da reunião, Pereira disse que a conversa com o presidente não levará seu partido a fechar questão a favor da reforma da Previdência no Congresso. A legenda tem 31 deputados na Câmara.
Perguntado se a reunião com Bolsonaro fará o partido apoiar a proposta, ele respondeu: "De jeito nenhum". "Isso nem foi discutido na bancada ainda", observou.
Bolsonaro também se reuniu com Gilberto Kassab (PSD) e parlamentares do mesmo partido. Kassab disse que manterá independência em relação ao governo e não fechará a questão sobre a reforma da Previdência, apesar de apoiá-la.
Ele disse que as reformas, incluindo a tributária, são compatíveis com o programa do partido. Questionado se Bolsonaro convidou o partido para integrar a base aliada, Kassab negou.
"Não... O partido tem uma posição muito clara em relação a sua independência em relação ao governo, portanto essa posição continuará. Independência significa total condição de apoiar projetos que estão sintonizados com o que prega o nosso programa."
Do PSDB, Bolsonaro ainda recebeu Geraldo Alckmin e, em seguida, Ciro Nogueira, do PP. O ex-governador de São Paulo afirmou que os tucanos apoiam a reforma da Previdência de Guedes, mas com restrições. Alckmin destacou como prioridade na reforma apenas as questões da idade mínima e do tempo de contribuição.
O partido é contra outros pontos, segundo ele, como mudanças no Benefício de Prestação Continuada (BPC), que é pago para idosos e deficientes de baixa renda, e alterações propostas na aposentadoria rural. "Não aprovaremos nenhum benefício menor do que um salário mínimo", destacou.
Ao meio dia, o presidente do DEM, ACM Neto, acompanhado do governador de Goiás, Ronaldo Caiado, almoçaram com o presidente. O Democratas tem três ministros na Esplanada, mas, formalmente, não faz parte da base do governo no Congresso Nacional.
Na saída do encontro, ACM Neto admitiu que o partido pode fechar questão em torno da reforma, mas quer esperar o término da tramitação nas comissões para verificar o teor da proposta que irá ao plenário da Câmara. Ele também não descartou integrar formalmente a base do governo em algum momento, mas sem especificar quando isso ocorreria.
Por último, Bolsonaro recebeu o presidente do MDB, Romero Juca, que foi líder do governo Temer no Senado Federal e um dos principais articuladores da reforma da Previdência do MDBista.
Após o encontro, Jucá admitiu que é preciso construir uma "nova modelagem na relação política", pois a antiga foi "vencida pelas urnas".
Vale lembrar que o presidente do MDB não conseguiu se reeleger como senador na última eleição, após três mandatos consecutivos. Ele também deixou claro que o partido não quer fazer parte da base aliada do governo e não garantiu apoio irrestrito à reforma da Previdência.
Jucá também declarou que "não se faz política sem diálogo" e o MDB estará disposto a conversar com o governo. "Com diálogo, tem menos chance de errar. E sei que o governo quer acertar."
Na próxima semana, a série de reuniões deve continuar. O presidente receberá dirigentes do PSL, PR, PROS, Podemos e Solidariedade. O ministro da Casa Civil, Onyx Lorenzoni, responsável pela articulação, acompanha os encontros.
*Com Estadão Conteúdo
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