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Encontro rolou em Brasília

Discursos na Marcha dos Prefeitos focam em Previdência e recuperação da economia dos Estados e municípios

Participam da abertura do evento em Brasília Jair Bolsonaro, Rodrigo Maia, Davi Alcolumbre e o ministro Paulo Guedes

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9 de abril de 2019
15:34 - atualizado às 17:11
Marcha dos prefeitos 2019, em Brasília - Imagem: Marcos Corrêa/Presidência da República

Os discursos oficiais da abertura da 12ª Marcha dos Prefeitos, que acontece nesta terça-feira, 9, em Brasília foram marcados por defesas e promessas com relação ao resgate financeiro de Estados e municípios do País e a reforma da Previdências.

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Em um breve fala, de cerca de 10 minutos, o presidente da República, Jair Bolsonaro, citou três vezes o nome do presidente da Câmara, Rodrigo Maia (DEM-RJ), defendeu o "uso racional da Amazônia", os valores da família e também a Nova Previdência.

Em uma das citações ao deputado do DEM, Bolsonaro se referiu a ele como "prezado irmão". Esse foi o primeiro evento público em que Bolsonaro e Maia se encontraram após a troca de farpas protagonizada pelos dois ao longo do mês de março.

"Sobre a Previdência, temos uma encruzilhada pela frente. Como disse Maia aqui, quem gostaria de fazer a reforma? Nós somos obrigados a fazer. Pelas minhas andanças pelo mundo, aguardam uma sinalização nossa de que queremos equilibrar nossas contas, que temos responsabilidade", disse Bolsonaro durante a abertura 12ª Marcha dos Prefeitos em Brasília.

Bolsonaro ressaltou a necessidade de se investir em educação e tecnologia e disse que a economia brasileira não pode continuar dependendo de commodities. Nessa área, ele elogiou a atuação do ministro da Ciência e Tecnologia, Marcos Pontes, a quem chamou de "orgulho da nação" e afirmou que Pontes está em busca de parcerias pelo mundo para suas áreas.

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Em relação à educação, Bolsonaro afirmou que "temos de formar profissionais e não militantes". "Temos a função das nossas escolas, que é formar bons profissionais", disse. "Queremos homens e mulheres, nossos filhos melhores do que nós. E nós faremos nossos filhos melhores do que nós", disse antes de citar que "nossos valores" foram desgastados nos últimos anos.

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"Vamos trabalhar para isso. Eu, Maia, (Davi) Alcolumbre (presidente do Senado) podemos fazer. E o povo vai estar do nosso lado. O povo deve dizer para onde devemos ir e não o contrário", disse.

O presidente disse ainda ser um defensor do Bolsa Família. "Tanto é que vamos apresentar amanhã o 13º", disse.

Ele afirmou ainda que fará viagens para China, para os países árabes e novamente para os Estados Unidos. Na sequência, o presidente emendou que pretende explorar racionalmente a Amazônia. "Queremos o índio do nosso lado. Ele é nosso irmão", disse. "Não podemos criar impedimentos", disse.

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O presidente fez ainda um pedido de união entre os brasileiros e confessou que acabou abandonando o script de seu discurso, levado pela emoção de se dirigir a uma plateia a qual ele classificou como "seleta, patriota e temente a Deus".

"Meus amigos, meus irmãos, disseram Maia e Alcolumbre aqui, temos pouco realmente (orçamento da União), mas queremos dividir o pouco com vocês com o pacto federativo", afirmou.

O ministro da Economia, Paulo Guedes, também foi citado. Bolsonaro disse que teve o sinal verde do chefe da equipe econômica ontem para "majorar fundo de participação dos municípios". "Na busca do mesmo objetivo que é o bem-estar da população brasileira. O Brasil é nosso!". Bolsonaro deixou o evento sob aplausos e gritos de "mito".

Maia promete ajuda a municípios

O presidente da Câmara, Rodrigo Maia (DEM-RJ), afirmou durante a abertura do evento com prefeitos que vai instalar a comissão que analisará a Proposta de Emenda à Constituição (PEC) que destina mais 1% das receitas obtidas com Imposto de Renda e Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI) para o Fundo de Participação dos Municípios (FPM).

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A PEC, já aprovada no Senado, daria uma injeção adicional de R$ 5,2 bilhões anuais ao final de um período de transição.

No mesmo evento, Bolsonaro já havia falado sobre um "sinal verde" do ministro da Economia, Paulo Guedes, para majorar o FPM.

Depois do presidente da Confederação Nacional dos Municípios (CNM), Gladimir Aroldi, cobrar o Congresso, Maia falou que vai instalar a "comissão do 1%" e que está trabalhando com o "brilhante" ministro Guedes, mas pediu o apoio dos prefeitos para a aprovação da reforma da Previdência.

"Vamos instalar a comissão do 1%. Estamos trabalhando com o brilhante ministro Guedes sobre Lei Kandir, sobre cessão onerosa e tantos outros temas. Mas vim aqui pedir o apoio de vocês. A reforma da Previdência não é para o governo federal, estadual ou municípios, e sim para a gente mudar essa curva de recessão que prejudica a vida dos brasileiros."

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Guedes põe a culpa no sistema

Já o ministro da Economia, Paulo Guedes, defendeu que a situação financeira apertada dos entes federativos é "algo sistêmico". "

Se fosse um prefeito apertado e um governador apertado, você diria que seria um caso de má gestão. Mas estão todos apertados", afirmou Guedes. "Se Estados e municípios estão muito apertados financeiramente, é porque há algo sistêmico", disse.

Guedes voltou a defender a ideia de que a concentração de recursos no governo federal corrompeu a política e estagnou a economia. Segundo ele, os orçamentos podem até ser formulados em Brasília, mas a execução tem que ser descentralizada. "Execução é com governadores e prefeitos", afirmou.

O ministrou exemplificou ainda que, em países mais avançados, municípios geralmente cuidam de assuntos ligados à saúde e à educação, enquanto Estados tratam de rodovias. No caso da área de defesa, a responsabilidade é federal. "Tudo que o município pode fazer, ele faz", afirmou.

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Guedes defendeu ainda que nenhum presidente da República pode ter tanto poder. "O poder tem que ser limitado e descentralizado", disse.

No início de sua fala, Guedes citou o slogan "Mais Brasil, menos Brasília", que fez parte da campanha do presidente Jair Bolsonaro. Guedes foi aplaudido pelos prefeitos. Ao mesmo tempo, o ministro alertou que iria para São Paulo encontrar um grupo de "10 ou 20 artistas" que querem apoiar a reforma da Previdência.

Alcolumbre: mais propaganda do governo

E por falar em "menos Brasília", a fala do presidente do Senado, Davi Alcolumbre (DEM-AP), foi marcada pela defesa do chamado pacto federativo.

Em apoio à pauta municipalista, Alcolumbre afirmou que o Senado "não irá se abster de responsabilidade como Casa da Federação".

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Para ele, há uma "abusiva centralidade fiscal" em Brasília e, por causa disso, prefeitos passam por "situação de mendicância". "Vemos prefeitos tendo que implorar recursos para ministros e parlamentares. Isso não pode mais continuar", declarou.

Também disse que "tem certeza que o Congresso encontrará caminho para que tenhamos mais agilidade na destinação de recursos" para os municípios. "Essa marcha resume toda a luta municipalista do nosso País e traz em evidência as dificuldades dos prefeitos do Brasil afora. Esse convite vai ao encontro de meu histórico posicionamento de defesa de uma profunda rediscussão do pacto federativo e a formatação de um novo modelo."

Alcolumbre também defendeu a Proposta de Emenda à Constituição (PEC) do orçamento impositivo, aprovado na semana passada, que reduz a autonomia do governo federal.

"Podem argumentar que retira autonomia do governo federal, mas creio que ajude na descentralização (do orçamento)", avaliou.

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"Brasília tem testemunhado grande renovação seja no Executivo, seja no Legislativo. De um lado mostra democracia forte, mas e outro lembra que povo tem fiscalizado cada vez mais. Não podemos falhar, não podemos permitir que municípios continuem a caminhar para total insolvência. Temos que rediscutir o tão sonhado pacto federativo."

Mattar e a maior fatia do bolo

Em seu discurso, o secretário especial de Desestatização e Desinvestimento do Ministério da Economia, Salim Mattar, defendeu que os municípios recebam a maior parte dos impostos arrecadados no País.

"O mais lógico seria que municípios tivessem a maior parte dos impostos", afirmou à plateia de prefeitos.

De acordo com Mattar, cada vez mais os prefeitos são "reféns" dos governos estaduais e federal. Ao mesmo tempo, ele defendeu que os municípios são o "maior poder do País".

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O secretário defendeu ainda a reforma da Previdência e pontuou que o governo precisa que ela garanta R$ 1 trilhão de economia. "O governo federal não deve fazer o que Estado é capaz de fazer", citou Mattar. "As demandas estão nos municípios. No mínimo 40% de toda arrecadação tem que ir para municípios", acrescentou.

Na visão dele, os prefeitos devem parar de vir a Brasília "com o pires na mão", para solicitar recursos. "E o fim disso é a aprovação da nova Previdência, com R$ 1 trilhão", afirmou.

*Com Estadão Conteúdo.

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