Não teve FGTS, mas teve queijo artesanal e cenas explícitas de política
Presidente do Congresso, Davi Alcolumbre, fez questão de comparecer à comemoração de 200 dias de governo para estender a mão ao presidente, mas gesto não teve resposta

Antes mesmo da festa, já sabia que a atração principal estava cancelada. O esperado anúncio da liberação das contas ativas e inativas do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço (FGTS) não aconteceria mais na cerimônia para comemorar os 200 dias de governo Jair Bolsonaro. Ainda assim, vesti o terno e fui ao Palácio do Planalto na tarde de quinta-feira.
No fim das contas, sem afagos à população, a estrela do evento foi o queijo artesanal, alvo de um corrida à degustação ao fim do evento, e pude assistir a cenas explícitas de política entre os Poderes Executivo e Legislativo.
Além do queijo, quem roubou a cena foi o senador Davi Alcolumbre, alvo de um bem-humorado Bolsonaro, falando que o senador era seu amigo, apesar da gravata cor-de-rosa.
Política também se faz com gestos, e Alcolumbre não foi discreto nos seus. Ele lembrou que o Congresso está em recesso, mas que fazia questão de estar ali em nome dos 513 deputados e 81 senadores como demonstração de respeito e participação do Parlamento, tão criticado pelo presidente e sua base mais aguerrida durante boa parte desses 200 dias.

Alcolumbre foi lá para marcar presença e fazer a prestação de contas do Poder que preside, falando que Senado e Câmara tiveram a maior produção legislativa dos últimos 25 anos e destacar a importância do diálogo, do entendimento e da conciliação para ultrapassar as barreiras entre o Legislativo e o Executivo.
Para Alcolumbre, o Congresso está conciliado com o povo brasileiro, com a vontade do povo que elegeu Bolsonaro e o vice, general Mourão. A votação da reforma da Previdência na Câmara seria um sinal disso.
Leia Também
Alcolumbre também foi lá para falar que não há caminho para um país melhor fora das avenidas da política. Ele clamou, novamente, por entendimento, por diálogo e pela busca de consensos. Pois só a política e os políticos têm as ferramentas para dar as respostas que 210 milhões de brasileiros estão esperando.
“Quero, no meu gesto de humildade, cumprimentar vossa excelência, que busca mais acertar que errar, e dizer que tem no Congresso o esteio da democracia. Só o fortalecimento das instituições, Judiciário, Executivo e Legislativo. Só com essas instituições fortes, poderemos dizer que vivemos em uma democracia consolidada e que estamos cumprindo nosso papel”, disse, reforçando um ponto já abordado por Rodrigo Maia no dia da votação da Previdência.
No fim, o emissário do Legislativo levantou a bandeira branca: “Minha presença aqui é para estender a mão ao Executivo e deixar claro que não tem vaidade entre o Parlamento e o Executivo, mas união de homens e mulheres de bem, de mão dadas trabalhando para os brasileiros.”
Mas Bolsonaro não estendeu a mão de volta. O presidente optou por falar de si, de como andou sozinho pelo país e de como é um super-homem sentado em uma cadeira de criptonita.
O presidente preferiu seguir falando apenas para o seus, comemorando o fim de um vestibular exclusivo para transgêneros e que não se pode dar dinheiro público para filmes como o da Bruna Surfistinha.
Correto, mas limitado. Ainda mais para quem já se lançou candidato à reeleição, com 200 dias do primeiro mandato. É uma boa estratégia manter sua base de apoio mais aguerrida sempre próxima e pronta para o ataque. Mas apenas esse eleitorado não vai garantir mais quatro anos no Planalto, como não garantiu os primeiros quatro.
O anti-petismo formou um arco mais amplo de gente na eleição passada e esse sentimento de que basta ser contra os vermelhos começa a se diluir diante da própria incapacidade dos petistas e demais siglas de oposição de evoluírem. O inimigo não é mais vermelho, esses estão afogados na própria burrice. Os 379 votos na Previdência mostraram isso.
Mas o presidente não parece disposto a capitalizar essa guinada do pêndulo da história para a centro-direita. Ele vem se esquecendo de falar ao centro, que é maioria na sociedade e, não por acaso, no Parlamento.
O Congresso e suas lideranças parecem ter entendido esse movimento. Já abraçaram a Previdência e ditaram a agenda de reformas para o restante dos anos.
O Congresso foi até o Palácio do Planalto estender a mão ao presidente. Seria de bom tom ele retribuir o gesto se não quiser virar uma rainha da Inglaterra, como já disse temer.
Os donos do dinheiro também já entenderam isso. Não por acaso fazem mais esforço para ter uma reunião com Maia e Alcolumbre do que com o próprio presidente.
APÓS DECISÃO HISTÓRICA
“Temos absoluta segurança de todo o processo eleitoral”, diz Nunes Marques em declaração no TSE após eleições
25 de outubro de 2026 - 22:58ELEIÇÕES 2026
Flávio Bolsonaro diz que vai questionar resultado da eleição após derrota para Lula: “é inaceitável”
25 de outubro de 2026 - 22:54ELEIÇÕES 2026
O que tirou votos de Flávio Bolsonaro e colocou Lula na Presidência, segundo especialista
25 de outubro de 2026 - 22:52ELEIÇÕES 2026
“Zanin criou um monstro jurídico”: o que a decisão do STF de estender a votação pode significar para a eleição de 2026
25 de outubro de 2026 - 20:40ELEIÇÕES 2026
Mudança no horário das eleições por Zanin abre discussão sobre limites do STF, avalia advogado
25 de outubro de 2026 - 20:18ELEIÇÕES 2026
Seis estados escolhem seus governadores; confira os candidatos eleitos
25 de outubro de 2026 - 20:13RESULTADOS DAS URNAS GRINGAS
Lula ou Flávio? Saiba quem leva a maioria dos votos entre brasileiros no exterior
25 de outubro de 2026 - 20:05DECISÃO HISTÓRICA
Eleição será anulada? Especialista vê decisão do STF como excepcional e avalia os riscos eleitorais
25 de outubro de 2026 - 19:34ELEIÇÕES 2026
Urnas fechadas, votação prorrogada: o impasse que marcou o 2º turno das eleições 2026
25 de outubro de 2026 - 19:01DISPUTA NAS URNAS
Bolsa, dólar e juros: como a incerteza na apuração afeta os mercados, segundo Matheus Spiess
25 de outubro de 2026 - 18:56ELEIÇÕES 2026
Urnas podem ser reabertas para cumprir decisão de prorrogar votação? Saiba o que acontece
25 de outubro de 2026 - 18:12ELEIÇÕES 2026
Lula é reeleito e conquista quarto mandato inédito em votação histórica; entenda o que está em jogo agora
25 de outubro de 2026 - 17:01ELEIÇÕES 2026
Zanin prorroga votação até 19h em todo o país após problemas com transporte
25 de outubro de 2026 - 16:55ELEIÇÕES 2026
Ônibus parados no 2º turno: caos no transporte leva a pedidos de prisão e multa milionária
25 de outubro de 2026 - 16:48ELEIÇÕES 2026
Mais de mil urnas trocadas: alguma seção eleitoral voltou a usar cédula de papel na votação?
25 de outubro de 2026 - 16:37SEM AMPLA MAIORIA, NÃO HÁ MANDATO CLARO
Por que uma eleição apertada manteria investidores em alerta, seja qual for o resultado, segundo o Goldman Sachs?
25 de outubro de 2026 - 11:59ELEIÇÕES 2026
Lula agradece apoio no segundo turno antes de votar: “nunca vi alguém ser tratado com tanto carinho”
25 de outubro de 2026 - 10:00ELEIÇÕES 2026
Flávio Bolsonaro vota no Rio de Janeiro, diz que país precisa mudar e encerra campanha com chamado às urnas
25 de outubro de 2026 - 9:31ELEIÇÕES 2026
Pesquisas BTG Pactual/Nexus e Datafolha mostram empate técnico, mas com um detalhe
24 de outubro de 2026 - 19:03ELEIÇÕES 2026