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Análise

Controle de preço de combustíveis: Desta vez é diferente?

Bolsonaro desautoriza reajuste no diesel, Petrobras acata e Mourão fala em caso isolado

Presidente da República, Jair Bolsonaro, durante entrevista para o jornal do SBT
Jair Bolsonaro: ordem sobre combustíveis partiu do Palácio do PlanaltoImagem: Alan Santos/PR

Há um adágio nos mercados que diz que toda vez que o investidor se deparar com a afirmação “desta vez é diferente” e suas variantes para explicar fenômenos que já resultaram em tragédias financeiras, ele deve sair correndo sem olhar para trás.

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O episódio envolvendo Jair Bolsonaro, seu vice, Hamilton Mourão, a Petrobras e o preço do diesel, parece muito com um caso desses.

A Petrobras anunciou o reajuste no diesel de acordo com regras previamente anunciadas, horas depois revisita sua posição e diz que vai esperar mais alguns dias. No noticiário na TV e nos jornais vemos que ordem partiu do Palácio do Planalto, afinal de contas o combustível é importante para caminhoneiros e para o transporte de cargas.

No mercado, a reação é imediata, a notícia é um famoso caso de “gritaram fogo no cinema”, como as portas de saída são pequenas, a correria se reflete no preço das ações da Petrobras, que pedem valor de forma acentuada no mercado internacional e local.

No meio tempo, chega um “bombeiro”, o ponderado vice-presidente, Hamilton Mourão, que em entrevista à “Radio CBN” disse que a intervenção do presidente é “um caso isolado”, que a decisão foi feita pensando em um “bem maior” e que o modelo Dilma Rousseff, que quase levou à empresa à falência, não será retomado.

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Eu leio aí um grande “desta vez é diferente”. E, por ora, tudo indica que não é. A desculpa aqui é o medo com uma nova greve dos caminhoneiros. Novos episódios de elevação e queda de preços invariavelmente ocorrerão e poder-se-á elencar quaisquer outros “bens maiores”.

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Se o governo quer ter pleno controle sobre os preços que avise isso, não há problema algum, o mercado incorpora no preço da ação e jogo que segue. A questão aqui é que toda a história de resgate e reconstrução da Petrobras começa a emborcar.

Em janeiro, o ministro de Minas e Energia, Bento Albuquerque, falou: “não há qualquer possibilidade de intervenção no preço dos combustíveis”.

Alinhamento dos preços

O presidente da estatal, um “Chicago Oldie”, Roberto Castello Branco, também defende o alinhamento de preços com o mercado externo e se mostrou contrário a um malabarismo tributário que foi pensado na campanha visando amortecer eventuais volatilidade dos preços.

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Liberal e conhecedor do que o sistema de preços representa em uma economia, Castello Branco definiu a questão de maneira simples e direta: “Preços de mercado exercem papel importante numa economia, sinalizando o que se pode consumir mais e o que se pode consumir menos.”

O caso gera surpresa, mas nem tanto, pois o próprio Bolsonaro vive às turras com seu antigo “eu econômico” e o “novo eu econômico” que vem sendo forjado pelo ministro da Economia, Paulo Guedes.

Ainda em outubro do ano passado, Bolsonaro já tinha descido uma de suas “caneladas” na Petrobras e seus acionistas, ao falar que a empresa não poderia ter “uma política predatória” para o preço dos combustíveis.

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