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Eduardo Campos

Eduardo Campos

Jornalista formado pela Universidade Metodista de São Paulo e Master In Business Economics (Ceabe) pela FGV. Cobre mercado financeiro desde 2003, com passagens pelo InvestNews/Gazeta Mercantil e Valor Econômico cobrindo mercados de juros, câmbio e bolsa de valores. Há 6 anos em Brasília, cobre Banco Central e Ministério da Fazenda.

BRIGA COM MAIA

Paulo Guedes: Não tem caos nenhum

Ministro diz que Congresso deve aprovar reforma e este pode ser um ano extraordinário para o parlamentares

Eduardo Campos
Eduardo Campos
25 de março de 2019
15:18 - atualizado às 15:39

O ministro da Economia, Paulo Guedes, disse estar confiante que o Congresso sabe o tamanho do desafio e atuará construtivamente. O ministro reconheceu que há um evidente problema de comunicação em um governo que está chegando, mas que as lideranças políticas vão superar eventuais problemas de comunicação.

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Segundo Guedes, “não tem caos nenhum”, tem um pessoal chegando cheio de ideias e outro que já está lá dentro. “Não pode ter toma lá, dá cá. Mas tem que tem conversa”, disse.

Guedes disse que se o presidente (Bolsonaro) não quer dançar de rosto colado porque está uma confusão aí dentro (Congresso), o par diz, “tudo bem, não querer dançar de rosto colado, mas tem que dançar”.

“Bolsonaro sabe que é uma reforma difícil, mas que vai libertar as futuras gerações”, disse Guedes.

Segundo Guedes, este pode ser um ano extraordinário para o Congresso, na definição da nova política, pois aquele sistema antigo ruiu.

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O ministro também disse que “na hora de colocar o votinho lá, acredito que teremos a reforma aprovada”, pois o tema interessa a todos, Estados, municípios e a União.

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Guedes participa de evento na 75ª reunião geral da Frente Nacional de Prefeitos (FNP). Pela manhã, Guedes esteve reunido com o presidente Jair Bolsonaro e Onyx Lorenzoni (Casa Civil ), general Santos Cruz (ministro da secretaria de governo), e o general Augusto Heleno (Gabinete de Segurança Institucional). Agora à tarde, Guedes tem duas novas reuniões no Palácio do Planalto.

Apagando incêndio

A manifestação do ministro é a primeira fala pública desde o aumento da tensão entre Executivo e Legislativo, que começou na semana passada e entrou pelo fim de semana, com o Bolsonaro trocando farpas com o presidente da Câmara, Rodrigo Maia, sobre a articulação política do governo.

Guedes fez menção de falar sobre certas “práticas políticas”, mas disse que não iria fazer uma avaliação e voltou a repetir a sua tese de que o modelo econômico no qual o governo comanda 50% do recursos, por definição, ele corrompe a política. Algo que aconteceu em Cuba, Venezuela e União Soviética.

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Ainda de acordo com Guedes, a classe política tem que assumir seu protagonismo via comando dos orçamentos públicos. O ministro questionou se é inteligente da parte da classe política passar um ano discutindo o que tirar da reforma da Previdência.

Para Guedes, seria melhor discutir o “US$ 1 trilhão de dólares que vai sair do chão em barril em petróleo”, em referência aos leilões do pré-sal.

O ministro também voltou a falar que uma economia menor de R$ 1 trilhão ao longo de 10 anos é um "saque contra" as gerações futuras. "Quem votar contra está contra gerações futuras e está a favor do colapso fiscal. É simples assim, você pode colocar a roupa política que quiser", disse o ministro.

O presidente da FNP, Jonas Donizette, disse a Guedes que os prefeitos declaram apoio público e expressivo à reforma da Previdência. Com reforma aprovada, segundo Donizette, municípios terão economia de R$ 32 bilhões em quatro e em 10 anos, a economia vai a R$ 150 bilhões.

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Donizette também manifestou, em nome dos prefeitos, preocupação as declarações desencontradas do Executivo e Legislativo, dizendo que esse trabalho político é muito importante.

“Temos muita confiança no presidente da Câmara, Rodrigo Maia, que tem propósito de aprovar o projeto, compreende a importância do projeto e temos preocupação desse ambiente político”, disse Donizette.

'Inteligente, sofisticada e sábia'

Guedes disse estar “absolutamente confiante” e deitou elogios à classe política, que é “inteligente, sofisticada e sábia”, por ter se adaptado a um sistema de financiamento que colapsou. Para Guedes a classe política “vai se adaptar” ao novo momento.

Ele se diz otimista pelos sinais que recebe da própria interação que tem com os parlamentares. Para Guedes, dentro de três a quatro meses tudo pode estar resolvido e “vocês [prefeitos] poderão ir para uma eleição com um ano de notícias positivas para frente. Todos na classe política vão se beneficiar”.

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Guedes disse que “precisamos de muita ajuda, todos tem de ajudar, estamos pedindo ajuda para todo mundo, para parente do presidente, pedindo que vocês conversem com os deputados”.

Vencida a etapa da reforma da Previdência, Guedes disse que o próximo passo é a PEC do Pacto Federativo, que vai fazer “algo dramático”, transferindo até 70% das receitas para Estados e municípios ao longo do tempo.

Depois da explanação do ministro, Donizette voltou a destacar a importância da afinidade com o Congresso. Segundo Donizette, Bolsonaro pode manter a postura que ele quiser, mas ele não pode “não interagir” com os parlamentar, e achar que seu papel acaba com o envio da proposta.

O prefeito de Manaus, Arthur Virgílio, pediu para que Guedes seja um articulador político, por mais que o perfil do ministro seja mais técnico. “Com um Congresso que não tem como dizer não, ou aprova ou racha”, disse Virgílio.

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