Em discurso na Câmara de Comércio dos EUA, Guedes faz chamado aos investidores americanos
Ministro da Economia disse que o Brasil vive um novo momento econômico e citou as mudanças fiscais que o governo tem promovido como exemplo

O ministro da Economia, Paulo Guedes, fez nesta segunda-feira, 18, um grande chamado a investidores americanos para que estabeleçam novas parcerias comerciais com o Brasil.
Em discurso na Câmara de Comércio dos Estados Unidos, o "posto Ipiranga de Bolsonaro" citou que o país vive um novo momento econômico, com um presidente que possui "colchões" para controlar as contas públicas. Em tom de brincadeira, Guedes também disse que o presidente "adora Coca-cola e a Disneylândia".
Mas o ministro deixou claro que "se os EUA querem vender carne de porco para nós, então comprem nossa carne (bovina). Querem vender etanol? Ok, comprem nosso açúcar”. E emendou dizendo que "o mais importante é que sejamos parceiros comerciais estratégicos para o futuro.”
Guedes ainda comentou sobre a fusão entre a Boeing e Embraer. Na ocasião, ele destacou que é um exemplo de maravilhoso que está por vir na relação entre os dois países.
O ministro teve uma reunião com o secretário do Comércio dos EUA, Wilbur Ross. “Vamos pegar as 50 maiores empresas dos EUA e do Brasil para conversarem”, apontou Guedes.
Alô, alô China
O ministro da Economia também fez uma provocação aos americanos ao falar sobre as relações comerciais existentes entre Brasil e China. Ele disse que o país está aberto e que deve continuar a fazer negócio com o país. "Os chineses querem dançar conosco e querem investir lá. Disse ao presidente: amamos os EUA, mas vamos fazer comércio com quem for mais lucrativo”.
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Guedes falou, principalmente que o Brasil está interessado em negócios que envolvam o pré-sal.
Outro ponto abordado pelo ministro foi o tema dos investimentos em infraestrutura. "Nós vemos vocês comerciando com chineses há anos. Por que nós não podemos? Por que não podemos deixá-los investir em infraestrutura?", questionou. O objetivo central seria reduzir o "custo Brasil" e a abertura da economia.
OCDE
O ministro fez ainda um apelo e pediu ajuda para que os Estados Unidos apoiem a candidatura do Brasil à Organização para Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE). Para Guedes, a entrada seria positiva, porque funcionaria como um selo de confiança internacional.
“Os EUA são o único obstáculo para que entremos e é compreensível, porque estávamos na esquerda a maior parte do tempo, mas agora estamos na direita”, destacou o ministro. Na visão dele, os americanos pretendem apoiar o trabalho e reformas estruturais do Brasil, sem se comprometer com datas para afirmar e endossar politicamente a adesão do país à OCDE.
Previdência
Ao aprofundar sobre a situação da economia brasileira, o ministro da Economia voltou a dizer que o principal problema do país é o sistema previdenciário. Nesse sentido, ele afirmou que a reforma da Previdência virá para acabar com "a fábrica de privilégios". Citou também que "ninguém será deixado de lado".
E emendou dizendo que "todo mundo entrou na reforma da Previdência e militares têm de entrar também". Ele destacou ainda que a se reforma for menor do que R$ 1 trilhão, "o compromisso com futuras gerações será relativo".
O ministro disse também que o novo regime previdenciário pretende aumentar o salário médio do trabalhador brasileiro. "A nova Previdência vai dar um choque de empregabilidade... vai democratizar a poupança e reduzir encargos", destacou Guedes.
O ministro de Bolsonaro disse ainda que na proposta de reforma da Previdência, o governo vai criar um novo regime de capitalização.
Guedes também fez uma crítica ao crescimento dos gastos públicos nas últimas décadas. Ao falar sobre os governos anteriores, o ministro afirmou que a corrupção e a estagnação geraram um colapso econômico. "Nosso controle estatal estagnou a economia e corrompeu a democracia", completou.
O ministro disse ainda que a aliança entre conservadores e liberais é a “música” atual do Brasil.
*Com Estadão Conteúdo
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