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Pessimismo no mercado

Honda inaugura fábrica sem novos modelos, vagas e aumento de produção

Fábrica estava pronta havia três anos, mas empresa decidiu esperar a melhora da economia para iniciar operações. Projeto de duplicar a capacidade produtiva com a nova unidade foi travado pela crise econômica

Honda
Honda - Imagem: shutterstock

Foi uma cerimônia simples, com um terço dos convidados presentes na festa do lançamento da pedra fundamental da fábrica, em 2013. Sem novos modelos, vagas e aumento de produção, a Honda inaugurou ontem sua segunda unidade no País, em Itirapina, no interior de São Paulo.

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A fábrica estava pronta havia três anos, mas a empresa decidiu esperar a melhora da economia para iniciar operações. Quando anunciou o investimento de R$ 1 bilhão, cinco anos atrás, o mercado brasileiro batia recorde, com 3,8 milhões de unidades vendidas. Inaugurada em 1997, a fábrica de Sumaré operava em capacidade máxima de 120 mil veículos ao ano com horas extras diárias, inclusive em fins de semana.

O projeto de duplicar a capacidade produtiva com a nova unidade, que seria inaugurada em 2016 com 2 mil empregos diretos, foi travado pela crise econômica, que derrubou as vendas totais à metade. A recuperação começou lentamente e, este ano, as fabricantes esperam vender 2,9 milhões de unidades.

Ainda que o grupo continue atuando com horas extras e tenha produzido 138 mil carros em 2018, acima portanto da capacidade em dois turnos e jornada normal, o presidente da Honda América do Sul, Issao Mizoguchi, diz que a decisão de abrir a fábrica neste momento tem mais a ver com a necessidade de reduzir custos operacionais - já que a nova unidade é mais moderna, ampla e eficiente - do que com a ainda insuficiente recuperação do mercado.

“Não houve melhoria significativa no mercado que justifique o aumento da produção, mas, como o segmento é cada vez mais competitivo, aqui temos melhores equipamentos e melhor eficiência para buscarmos redução de custos”, diz Mizoguchi.

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A solução encontrada pelo grupo foi transferir gradualmente a produção de automóveis de Sumaré para Itirapina, e concentrar na fábrica antiga a fabricação de motores, ferramentas, componentes, além de centro de pesquisa e desenvolvimento e a sede administrativa.

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A fábrica começou a operar no fim de fevereiro, com a produção de 90 unidades ao dia do Fit. No segundo semestre chegará o utilitário-esportivo HR-V e os demais modelos da marca (WR-V, Civic e City) serão transferidas gradualmente até 2021, quando o grupo espera atingir a capacidade de 120 mil unidades da nova fábrica.

Sem novas vagas

Neste momento, a fábrica opera em um turno, com 450 funcionários, todos transferidos de Sumaré. Ao longo dos próximos dois anos, a intenção é trazer, ao todo, 2 mil trabalhadores, e manter 1 mil nas linhas de componentes.

A estratégia para evitar cortes em Sumaré frustrou os moradores de Itirapina, muitos dos quais já haviam feito cursos no Senai, passado por entrevistas e aguardavam ser convocados. Hoje, a maior empregadora da cidade é a Prefeitura, com 800 funcionários, e dois presídios, com 400 trabalhadores.

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O prefeito de Itirapina, José Maria Cândido (MDB), diz que estão sendo contratados terceirizados para áreas de limpeza, restaurantes e conservação. "Ocorreram por volta de 200 contratações até agora", diz.

Presente no evento, o governador João Doria (PSDB), que recentemente lançou o programa IncentivAuto, afirmou que a Honda poderá usufruir do incentivo de redução de ICMS futuramente. "O setor pode crescer e a Honda dobrar seu investimento e ter acesso ao programa", disse. Ao ser questionado sobre o tema, Mizoguchi respondeu: "Antes de pensar em investir mais, teremos primeiro de recuperar o R$ 1 bilhão que enterramos aqui."

O IncentivAuto prevê desconto de ICMS de 2,7% a 25% para empresas que investirem no Estado a partir de R$ 1 bilhão e gerarem no mínimo 400 empregos diretos. O programa foi lançado após negociações com a General Motors, que ameaçava suspender investimentos no País. Após vários acordos para redução de custos, a montadora anunciou investimentos de R$ 10 bilhões até 2024.

As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.

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