A irmã do Dow Jones e do Wall Street Journal
Análise técnica foi criada por Charles Dow, que também é 'pai' do índice Dow Jones e do Wall Street Journal

Eu nunca tinha parado para pensar nisso, mas recentemente me toquei que o jornal Wall Street Journal, o índice Dow Jones e (pasmem!) e a análise técnica são irmãos. O americano Charles Henry Dow (sim, o dono de ‘Dow’ de ‘Dow Jones’) é o pai de todos. Foi simplesmente um gênio que deixou não apenas um, mas três legados para a história do mercado financeiro.
Dow cobria economia nos Estados Unidos no fim do século XIX e foi um dos fundadores do Wall Street Journal. Era obcecado pelos mercados e começou a estudar o comportamento dos preços. Chegou até mesmo a “inventar” um índice para a bolsa de Nova York - nada menos que o Dow Jones, usado até hoje.
Logo ele percebeu que as oscilações dos preços dos ativos seguem padrões. Dow escreveu sobre isso nos editoriais do Wall Street Journal. Infelizmente ele morreu cedo, aos 51 anos, em 1902, e nem teve tempo de agrupar seus estudos em um livro. Mesmo assim, seus textos publicados no jornal se tornaram a base da análise técnica e vieram a compor a famosa “Teoria de Dow”, estudada até hoje. Ou seja, os leitores do Wall Street Journal provavelmente foram os primeiros grafistas do Ocidente.

Os japoneses já sabiam...
Falo do Ocidente porque lá no Oriente essa técnica começou a ser usada já no século XVIII. Diz a história que os primeiros trades feitos com análise técnica foram na bolsa de Osaka, nos contratos de compra e venda de arroz.
Um dos traders mais famosos foi o japonês Munehisa Homma. Ele fazia suas operações com base em apenas quatro informações: os preços de abertura, de fechamento, máximo e mínimo do dia anterior. Com esses números, ele formava um gráfico de âncora, que depois evoluiu para o famoso “candlestick”.
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Mas o que REALMENTE me impressionou não foi isso. Em uma de suas aulas do curso no Seu Dinheiro, o Fausto Botelho conta que Homma nem ia ao pregão. Ele morava em Sakata, a cerca de 800 km de Osaka, e montou uma rede de mensageiros para conseguir as cotações do dia anterior e transmitir as ordens na bolsa. Ou seja, ele confiava apenas nestes números para montar seus trades. Impressionante… Imagino o que ele faria com a internet e os terminais de informações em tempo real disponíveis hoje.

Muitos anos depois, Steve Nison, um operador de Wall Street, trouxe a teoria japonesa ao Ocidente e atualizou os gráficos de âncora para o formato de “candlestick”, o mais utilizado hoje pelos analistas técnicos. Você com certeza já esbarrou em figuras como as que estão na imagem abaixo.

Como você pode ver, a análise técnica é usada há séculos em diferentes mercados. Até hoje ela é útil para qualquer investidor que se interesse em negociar ativos de renda variável, como ações, commodities, moedas ou mesmo criptomoedas. Só bons resultados justificam que uma metodologia sobreviva tanto tempo assim...
Gostou do conteúdo? Se você quiser saber mais sobre essa técnica, sugiro que você entre na próxima turma do curso do Fausto Botelho feito exclusivamente para os leitores do Seu Dinheiro. Saiba mais
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