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Novos rumos

Davos testa antiglobalismo de Bolsonaro

Desde que assumiu o governo, Bolsonaro adotou medidas que destoam da tradição diplomática do país, como sair do acordo de migração da ONU

Jair Bolsonaro
Jair Bolsonaro - Imagem: Shutterstock

Meca da globalização, Davos vai testar o tom antiglobalista atribuído ao governo de Jair Bolsonaro. A partir da semana que vem, o Fórum Econômico Mundial recebe a elite das finanças de 70 países, além de ser palco da estreia internacional do novo presidente brasileiro.

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Bolsonaro viaja no próximo dia 21, acompanhado do filho, Eduardo Bolsonaro, do chanceler Ernesto Araújo, do ministro da Economia, Paulo Guedes, e do ministro da Justiça, Sergio Moro.

"Ele (Bolsonaro) será muito bem-vindo e a comunidade global está muito curiosa para ouvi-lo", disse Klaus Schwab, fundador do fórum. Questionado se o presidente brasileiro não teria valores contrários ao de Davos, o executivo minimizou. "Veremos. O que significa ser antiglobal? Ele também tem de trabalhar num cenário global. Caso contrário, não viria para Davos", apontou.

Desde que assumiu o governo, Bolsonaro adotou medidas que destoam da tradição diplomática do País. O Brasil deixou o acordo de migração da ONU, questiona a existência de mudanças climáticas e passou a criar uma secretaria de Soberania no Itamaraty, enquanto o chanceler Ernesto Araújo prolifera textos apontando para um alinhamento com os EUA e tecendo críticas ao globalismo.

Schwab, em seu discurso na terça, 15, para apresentar a edição de 2019 de Davos, também criticou o globalismo. Mas o definiu de uma forma diferente daquela feita pelo governo Bolsonaro. "Temos de diferenciar globalização e globalismo", disse. "A globalização vai continuar, já o globalismo é apenas uma ideologia, em que tudo o que fazemos deve se submeter às leis do mercado. Nunca acreditamos nisso e eu, no passado, já alertei que isso não era sustentável."

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Multilateralismo

No fundo, Schwab deseja que Davos se transforme na antítese defendida por alguns setores do governo brasileiro: cooperativo, multilateral, com atores privados e sociedade civil e plural.

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O fórum, porém, sabe que esse modelo está sob ataque e que eleições recentes têm colocado no poder líderes que questionam essa onda. "Temos de definir uma nova globalização, mais inclusiva", defendeu Schwab. "Ela gera perdedores e ganhadores. Tivemos, de forma geral, mais ganhadores que perdedores. Mas agora temos de ir atrás daqueles que perderam. Ela precisa ser mais sustentável, num mundo de maior colaboração e mais inclusivo."

Schwab também apontou para uma direção diferente da que vem sendo desenhada pela nova diplomacia brasileira. "Estamos indo de um mundo unipolar para multipolar", insistiu. "Precisamos entender o outro mundo onde não compartilhamos valores, mas compartilhamos interesses", disse.

Com 3,2 mil participantes e 70 chefes de Estado, Davos tem objetivo ambicioso: moldar a agenda futura da globalização. "Esse é o evento mais completo do mundo", defendeu o executivo.

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Entre os temas do ano em Davos estará o combate às mudanças climáticas, a busca de soluções comuns, imigração e até mesmo a criação de uma solução para o "déficit de líderes" no mundo.

Desafio

Bolsonaro, segundo Davos, tem um desafio imediato: unificar o Brasil, depois de um processo eleitoral tenso. Respondendo a uma pergunta do Estado, o presidente do evento, Borge Brende, deixou claro que o desafio maior do novo governo é, acima de tudo, político. Davos, portanto, vai querer saber como Bolsonaro fará para superar as divisões no País.

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