Recurso Exclusivo para
membros SD Select.

Gratuito

O SD Select é uma área de conteúdos extras selecionados pelo Seu Dinheiro para seus leitores.

Esse espaço é um complemento às notícias do site.

Você terá acesso DE GRAÇA a:

  • Reportagens especiais
  • Relatórios e conteúdos cortesia
  • Recurso de favoritar notícias
  • eBooks
  • Cursos

O que não te falam sobre investimentos de risco

Mesmo sem saber nada, absolutamente nada, de investimento, o sujeito, pela leitura mais superficial da coisa, já sabe com o que está lidando

28 de agosto de 2019
14:31 - atualizado às 14:59
bols
Imagem: Shutterstock

Algumas coisas me preocupam no rápido e acelerado processo de aumento do número de investidores no Brasil. Outras me animam, claro.

CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE
CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE

Com efeito, em termos líquidos, fico mais empolgado do que temeroso. É ótimo que as pessoas físicas tenham acesso a investimentos mais sofisticados e rentáveis, num mundo de juros cada vez menores. O trabalho das plataformas de investimento, ao facilitar a grande migração da poupança ou de coisas parecidas para alternativas mais lucrativas, no geral, também merece elogios.

Não acho que o investidor de varejo deva ser tratado como o Homer Simpson (ele, aliás, costuma ser muito mais inteligente do que boa parte dos “especialistas”, esses ternos vazios lotados de palavras complicadas e desprovidos de conteúdo), tampouco condenado a uma espécie de série B dos investimentos — ele pode e deve jogar a Champions League, com a devida responsabilidade e o aconselhamento apropriado. Basta que você se comunique com ele de forma inteligente, diligente e, principalmente, simples, porque a simplicidade é a maior das sofisticações.

Algumas questões, porém, merecem cuidado. E dificilmente você vai ler sobre isso por aí. Admito: essa aqui é apenas uma opinião, descrita pela minha própria lente, pela forma com que vejo o mundo e pela minha filosofia de investimento e, arrisco dizer, de vida.

Ainda que de forma não deliberada, os comentários a seguir, portanto, estão carregados de viés pessoal, contando com margem de erro de dois pontos percentuais para mais — sempre para mais. Não adianta tentar alçar a ciência social à condição celeste, pois o viés do observador estará sempre lá. Estamos no Quarto Quadrante de Nassim Taleb e aqui as coisas são mais aleatórias e incertas do que nossa planilha gostaria de supor.

CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE
CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE

Deixe-me expor meu ponto.

Leia Também

Numa boa, se você ouve a palavra “bitcoin”, o que pensa logo de cara, naquela reação instantânea descrita pelo Malcolm Gladwell no Blink? Sem pensar muito, se você é mais ou menos parecido comigo e com todas as pessoas que conheço, imediata e mentalmente recorre a uma imagem de alto risco, volatilidade enorme, chance de isso não ter qualquer valor intrínseco, muito espaço para pirâmides financeiras e por aí vai.

Talvez você também pense num alto potencial de valorização, na possibilidade de alguma supermultiplicação, mas, no fundo, vai sempre saber que esse negócio é um perigo. E tudo bem que seja um perigo — sem uma dose de aventura, a vida seria um porre mesmo. Como diria o megainvestidor das criptomoedas Lou Reed: “Take a walk on the wild side”.

O ponto central aqui é que, mesmo sem saber nada, absolutamente nada, de investimento, o sujeito, pela leitura mais superficial da coisa, já sabe com o que está lidando. A não ser que ele viva em Marte ou não esteja em suas plenas faculdades mentais, não vai vender a casa para comprar bitcoin e afins. Aprecie com moderação vem estampado no rótulo das criptomoedas.

CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE
CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE

Se pararmos para pensar, mesmo com as ações, rola algo parecido. Todo mundo sabe que ação é ativo de risco. A volatilidade, que nada mais é do que um instrumento da revelação da verdade, como precisamente define a Artemis Capital, nos lembra disso todo dia. Está no imaginário popular aquela coisa: “Bolsa não é muito arriscado?”.

Agora, repare uma coisa: quando falamos de crédito privado, esse instrumento sem volatilidade, ninguém o associa diretamente a um elevado perfil de risco. Ao mesmo tempo, ao falarmos de fundo de investimento, a narrativa semioficial nos conduz àquele “ótimo instrumento para quem está começando, em que o investidor delega a gestão de seu dinheiro a uma equipe profissional” — de largada, coloca-se o gestor numa condição de superioridade, como se ele fosse um super-herói capaz de penetrar o futuro e entregar o paraíso na Terra para o coitado do investidor comum, alijado desse superpoder.

Confunde-se risco com volatilidade. Não há culpados aqui. É a natureza humana. Não gostamos de ver o valor de nossas coisas pulando para cima ou para baixo, ainda que isso resulte apenas de uma marcação a mercado momentânea, sem perda permanente de capital. Preferimos o conforto dos imóveis à volatilidade das ações, somente porque não vemos o preço dos primeiros se mexendo até o dia em que temos de vendê-los.

Qual é o resultado disso? Montamos uma máquina de distribuição de produtos sem volatilidade ao investidor, que acaba embarcando nessa e incorrendo em riscos escondidos sob o tapete e disfarçados da baixa variação diária de preços. O investidor quer e a originação e distribuição dos produtos de crédito rende cifras brutais para as áreas de Capital Markets das plataformas de distribuição. Demanda encontra oferta e, então, boom!

CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE
CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE

Aquela empresa com créditos agrícolas a receber, sabe-se lá em quanto tempo e em qual preço de grãos (veja a volatilidade das soft commodities neste ano), está precisando de uma liquidez de curto prazo, com balanço pressionado. Liga na corretora de pessoa física, que empacota num CRA, numa debênture estruturada ou num FIDC qualquer. Aquilo é vendido como um “delta importante sobre o CDI, sem volatilidade”. Sem saber direito o que está comprando (quem sabe fazer análise de crédito?), o investidor de varejo preenche toda a oferta. Com o tempo, os spreads vão sendo pressionados e o prêmio de risco não compensa o investimento. A bolha vai sendo inflada até o primeiro calote. Silverado aconteceu há pouco tempo e ninguém mais lembra.

Outro tema cujos riscos costumam ser subdimensionados se refere aos fundos de investimento. A percepção estilizada aqui não é de alto risco ou coisa semelhante. Ao contrário, a retórica normalmente sugere “investir com uma gestão profissional, capaz de saber os movimentos de mercado ou as ações certas para se comprar, alinhada ao investidor, porque cobra taxas de performance, ou seja, só recebe o grosso da sua remuneração quando lucra acima da média do mercado.”

Primeiro, ataco a falácia da “gestão profissional”. Não necessariamente um gestor será melhor do que um investidor pessoa física. Se por um lado ele é, de fato, mais técnico, mais preparado em finanças, goza de uma equipe ajudando e tem muito mais acesso, por outro enfrenta dificuldades também. Ser grande inibe a montagem de posições em empresas pequenas e a pressão de gerir dinheiro de terceiros, com divulgação de cota diária, impõe mais desafios do que se supõe. A gestão do passivo é tão importante quanto do ativo.

No final do dia, por mais competente que seja, o gestor é humano. Demasiadamente humano, como todos nós. E todos nós somos um grande escândalo. O profissional de investimento também está tomando decisões todos os dias num ambiente de enorme aleatoriedade e incerteza. Os superpoderes não existem além das HQs.

CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE
CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE

Agora, sobre o suposto alinhamento gestor-cotista. Seria a taxa de performance um elemento capaz de garantir a solução desse conflito agente-principal?

Você paga taxa de performance se o fundo vai bem. Ou seja, se ele oferece rendimento superior ao de seu respectivo benchmark. Ok, legal. Mas o gestor não devolve seu dinheiro quando desempenha muito aquém da sua referência. Lembre-se de que a maior parte da remuneração do gestor vem justamente da performance. Então, o sujeito, para ir atrás da performance gorda, tem um incentivo claro para correr mais riscos do que deveria em suas posições. Você está alinhado com ele no upside, mas não está no downside.

Algumas questões adicionais:

  • Cuidado com os líderes dos rankings. Há sempre uma tentação em acreditar que esses são os melhores gestores. Falso. Normalmente, o líder do ranking é alguém que se concentrou e se alavancou. Depois, teve a sorte de ter o cenário materializado convergindo para o seu cenário projetado. Era apenas uma entre milhões de possibilidades. Num ambiente de incerteza e aleatoriedade (bem-vindo ao mundo real), o gestor pode errar. Mais do que isso: uma hora ele vai errar. E, se estiver concentrado e alavancado nesse momento, vai explodir. Procure gestores que estejam no entorno dos 75 por cento mais aptos com consistência anual. No final da década, provavelmente eles serão os vencedores.
  • O agente autônomo e o gerente do seu banco também têm incentivos para lhe oferecer fundos mais arriscados do que seu perfil tipicamente pediria. Eles ganham taxas de rebate sobre a performance dos fundos. Logo, estão interessados justamente em distribuir aqueles fundos com mais alto potencial de valorização, ainda que sejam excessivamente arriscados. Tome cuidado com isso.
  • Diante da liquidez grande, da queda das taxas de juro e da facilitação do acesso, hoje qualquer um levanta a mão e capta 2 bilhões de reais. Cuidado com gente nova e imaculada — por mera aleatoriedade, algum do zibilhão de fundos que nasce por mês vai performar bem. Não seja atraído por um desempenho de curto prazo, que pode não ser consistente no tempo. Em paralelo, muita gente ficou grande demais e as estratégias que foram adotadas no passado, que inclusive atraíram os cotistas atuais, não são replicáveis agora. A tendência para frente é simplesmente a de frustração dos cotistas, que dificilmente vão se deparar na prática com aquilo que esperavam. Fundos de ações que antes podiam comprar small caps agora estão restritos às large caps. Fundos multimercados com 30 bi agora precisam recorrer ao exterior, onde o jogo é outro.
  • Fundos multimercados são tratados normalmente como instrumentos de diversificação, quando na verdade podem ser veículos de concentração. Você assina um cheque em branco aqui e delega ao gestor a atuação nos mais variados mercados. Se calhar de você e o gestor terem a mesma posição (ocorre mais vezes do que se supõe), o sizing da sua exposição estará desequilibrado. Você perde visibilidade da sua exposição final ao investir no fundo e isso pode sair do seu controle.

CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE
CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE

COMPARTILHAR

Whatsapp Linkedin Telegram
POR POUCO

Lotofácil 3667 faz 2 ‘quase-milionários’ na volta do feriado; Mega-Sena 2999 promete prêmio de R$ 70 milhões neste Dia de São Jorge

23 de abril de 2026 - 6:52

Lotofácil foi a única loteria a ter ganhadores na noite de quarta-feira (22). Hoje (23) o destaque é a Mega-Sena, mas a Quina e a Timemania também oferecem prêmios de oito dígitos.

MAÇÃ TRILIONÁRIA

Como Tim Cook salvou a Apple da falência e permitiu que Steve Jobs moldasse o mercado e o consumo de tecnologia no século 21

22 de abril de 2026 - 15:50

Tim Cook decide deixar o posto de CEO da Apple após 15 anos de liderança; big tech virou trilionária durante sua gestão

'TUDO EM DOBBBRO'

Como uma campanha de marketing do BBB 26 fez com que campeã da edição, Ana Paula Renault, ganhasse o maior prêmio da história do reality

22 de abril de 2026 - 13:30

Prêmio do Big Brother Brasil saiu de R$ 2,7 milhões para R$ 5,4 milhões, além do rendimento de R$ 200 mil que Ana Paula embolsará

QUANTO RENDE

Veja quanto Ana Paula pode ganhar se investir o prêmio do BBB 26 em renda fixa conservadora com a Selic a 14,75% ao ano

22 de abril de 2026 - 10:58

Ana Paula, campeã do BBB26, ganhou R$ 5,4 milhões e poderá aumentar esse valor se investir na renda fixa conservadora

FINANCIAMENTO DE IMÓVEIS

Minha Casa, Minha Vida: Novas regras já estão valendo; confira as condições para ter a casa própria por meio do programa

22 de abril de 2026 - 10:23

Teto de renda mensal para participar do Minha Casa Minha Vida passa de R$ 12 mil para R$ 13 mil

PASSADO O RECESSO

Quem dá mais? Loterias da Caixa voltam do feriado com Quina e +Milionária prometendo prêmios de mais de R$ 30 milhões nesta quarta-feira (22)

22 de abril de 2026 - 7:35

Mega-Sena lidera as estimativas de prêmios das loterias da Caixa, mas seu próximo sorteio está programado para ocorrer somente na quinta-feira (23)

CONCORRÊNCIA

Lotomania 2914 tira proveito de boa sequência da Lotofácil e paga maior prêmio da emenda do feriado de Tiradentes nas loterias da Caixa

21 de abril de 2026 - 8:03

Lotofácil 3666 fez um novo milionário na noite de segunda-feira (20), mas o valor não foi páreo para o prêmio principal da Lotomania. Loterias tiram ‘folga’ hoje (21).

QUANTO RENDE

Veja quanto Ana Paula, Milenaou Juliano Floss pode ganhar se investir o prêmio do BBB 26 em renda fixa conservadora com a Selic a 14,75% ao ano

21 de abril de 2026 - 7:00

Ganhador do BBB 26 ganhará R$ 5,4 milhões e poderá aumentar esse valor se investir na renda fixa conservadora

CÂMBIO FAVORÁVEL?

Dólar abaixo dos R$ 5 é o novo normal? XP traça três possíveis cenários para o câmbio no ano

20 de abril de 2026 - 17:10

Com o mundo mais turbulento e eleições no segundo semestre, sustentar o dólar em patamares baixos será um desafio

BOATO É FALSO

Receita desmente fake news de que vendedora de marmitas foi notificada por transação de R$ 52 mil no Pix

20 de abril de 2026 - 16:20

O órgão afirmou que não monitora transações individuais nem envia notificações com base apenas no volume de movimentações financeiras

RELATÓRIO FOCUS

O pior está por vir? Se depender do mercado, sim. As novas previsões para a inflação e para os juros no Brasil

20 de abril de 2026 - 12:00

No caso do dólar, a estimativa indica que a moeda norte-americana não deve continuar operando abaixo de R$ 5,00 até o final de 2026; confira a cotação projetada para o câmbio

OLHO NO CALENDÁRIO

Mega-Sena segue no topo do pódio das loterias com os maiores prêmios da semana; Quina pode pagar R$ 30 milhões na emenda do feriado

20 de abril de 2026 - 7:12

Mega-Sena entrou acumulada em abril e foi recuperando posições até retomar o topo do ranking de maiores prêmios das loterias da Caixa, que estarão em recesso na terça-feira (21)

EMENDA DE FERIADO

Bolsa de valores (B3), Ibovespa, bancos e Pix: Veja o que abre e o que fecha na emenda do feriado de Tiradentes

20 de abril de 2026 - 6:01

Amanhã, terça-feira (21), será feriado no Brasil. O país para para marcar o Dia de Tiradentes. Diante disso, muitos investidores podem estar se questionando como será o funcionamento da Bolsa de Valores, do Ibovespa, dos bancos e do Pix nesta segunda-feira (20). Pensando em auxiliar os leitores, a equipe do Seu Dinheiro confirmou com a […]

OPORTUNIDADE NO CHÃO

América Latina quer mais que exportar: o plano para capturar valor na transição energética

19 de abril de 2026 - 18:51

Região concentra minerais-chave da transição energética e pode ganhar protagonismo na disputa entre EUA e China, dizem autoridades

EFEITO DA GUERRA

Menos voos, passagem mais cara: petróleo em alta vira problema para quem vai viajar

19 de abril de 2026 - 17:47

Com bloqueio no Estreito de Ormuz, companhias aéreas cortam rotas e criam taxas extras diante da disparada do combustível

QUEDA DE BRAÇO

Novo nome no conselho da Petrobras (PETR4), Gasparino defende reajuste dos combustíveis

19 de abril de 2026 - 16:58

Marcelo Gasparino chega ao conselho defendendo alinhamento ao mercado internacional, enquanto governo tenta segurar reajustes

PROTEÇÃO NA CARTEIRA

Guerra entre EUA e Irã testa mercados — e UBS WM aponta onde se proteger (com sinal amarelo para o dólar)

19 de abril de 2026 - 15:41

Com riscos geopolíticos e inflação no radar, banco sugere diversificação global e vê força no petróleo e metais industriais

AGENDA ECONÔMICA

Feriado no Brasil, agenda cheia no mundo: os indicadores e eventos para ficar de olho nesta semana

19 de abril de 2026 - 13:59

Com feriado de Tiradentes, semana começa mais lenta no Brasil, enquanto EUA, Europa e China concentram dados relevantes de atividade, inflação e consumo

BOMBOU NO SD

Petrobras (PETR4) aprova R$ 41,2 bilhões em proventos, ganhos nas loterias e oportunidade na renda fixa: as mais lidas do Seu Dinheiro na semana

19 de abril de 2026 - 11:52

A estatal voltou ao centro das atenções após a aprovação, em assembleia, de proventos referentes a 2025; crescimento da ação também foi destaque

INVESTIGAÇÃO

Diálogos de Vorcaro mostram que BRB cobriu buraco do Master desde 2024: ‘Precisamos com urgência’

19 de abril de 2026 - 9:47

O anúncio da oferta de compra do Master pelo banco estatal controlado pelo governo do Distrito Federal foi feita em março de 2025

Menu

Usamos cookies para guardar estatísticas de visitas, personalizar anúncios e melhorar sua experiência de navegação. Ao continuar, você concorda com nossas políticas de cookies

Fechar
Jul.ia
Jul.ia
Jul.ia

Olá, Eu sou a Jul.ia, Posso te ajudar com seu IR 2026?

FAÇA SUA PERGUNTA
Dúvidas sobre IR 2026?
FAÇA SUA PERGUNTA
Jul.ia
Jul.ia