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Já parou para pensar que o dinheiro que você gasta com seu carro poderia estar rendendo pequenas fortunas em uma aplicação?
Quando completei uma década de carteira assinada, há alguns anos, decidi que merecia um pouco de conforto na vida. Chega de metrô apertado, fila no terminal de ônibus e caminhadas destruidoras de sapatos. Conferi o dinheiro que tinha na poupança e, com mais algumas parcelas, conquistei minha liberdade: as chaves do carro próprio.
Tive que agir rápido, porque, àquela altura, o ministro Guido Mantega já estava ameaçando acabar com a mamata do IPI zero para veículos novos — estávamos em 2014, época em que o governo abria mão de arrecadar impostos para estimular artificialmente setores como o automobilístico.
Foi então que um novo amor entrou em minha vida, meu Ford KA 1.0 2013/2014. Também ganhei um melhor amigo, o Waze, tão logo me dei conta de que não adiantaria ter a máquina se não soubesse o caminho (eu não vim com GPS no modelo original de fábrica). Descobri até que tenho uma personalidade meio perigosa, depois de algumas multas por excesso de velocidade.
O mais curioso é que dirigir nunca foi um desejo ou prioridade, mas mesmo assim já tinha minha habilitação há um bom tempo. Tirei logo que completei 18 anos. Meu primeiro salário, inclusive, foi direto para pagar a autoescola. Inexplicável essa minha urgência em tirar a CNH, se naquela época até a grana do Bilhete Único era contada...
O fato é que, quando chegou, o carro se encaixou muito bem na minha rotina. Claro, né, quem não gosta de conforto? Mas confesso que, por ter o hábito de acompanhar meus gastos na ponta do lápis (literalmente), comecei a suspeitar que a brincadeira estava saindo cara demais.
A ficha caiu enquanto entrevistava, no ano passado, uma especialista em “Orçamento Base Zero”, método usado por empresas para otimização de recursos. A ideia é debater minuciosamente a necessidade de cada gasto do orçamento. Na matéria, eu investigava se esse sistema poderia ser aplicado além do mundo corporativo. Fui a cobaia da reportagem.
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Mas a certeza de que deveria repensar a ideia de ter um carro veio mesmo quando comecei a aprender mais sobre investimentos na Empiricus — sou funcionária, mas também leitora voraz das publicações da casa. Conclusão: nem tem o que pensar, os números falam por si.
Basta listar quanto se gasta por ano com IPVA, licenciamento e seguro do automóvel. Faça uma média de quanto vai embora todo mês também no posto de gasolina e nos estacionamentos da cidade. Não vou nem falar das multas e manutenções, porque aí já é covardia.
Depois tire duas semanas para testar como fica sua rotina com Uber, ônibus, metrô, bicicleta, caminhada – patinete tenho medo. Agora pense que, enquanto você faz esse experimento, seu dinheiro pode estar trabalhando por você, se multiplicando. Faça a simulação de um investimento bem conservador, como um título público, se for a sua praia.
Obrigada por tudo, meu amigo Ford KA, nunca esquecerei nossas aventuras nas subidas de São Paulo, sempre na primeira marcha e com o ar condicionado desligado para não morrer. Desculpe por tê-lo levado tão poucas vezes ao lava-rápido e também por aquela garrafa de 280 ml de achocolatado derrubada pelo meu moleque no banco de trás. Ficou um discreto aroma de Alpino no ar que vai deixar saudade.
É incrível como conhecimento liberta. Especialmente o conhecimento de boas opções do que fazer com nosso suado dinheiro. Mas também traz junto um incômodo arrependimento. Fico imaginando se eu tivesse destinado parte do meu primeiro salário, em 2004, a algum título público.
Na época, a taxa básica de juros era de 16,5 por cento ao ano, uma moleza, bem distante dos atuais 6,5 por cento. Se em vez de ter comprado um carro, que só se desvalorizou, tivesse adquirido algumas ações lá em 2013, época em que o Ibovespa rondava os 51 mil pontos (mês passado chegamos aos 100 mil)...
Talvez você também esteja passando pelo momento de repensar sua vida financeira ou mesmo tomando coragem para experimentar o mundo dos investimentos. Se aceita uma sugestão, guarde uma quantia para uma oportunidade bem interessante que vai aparecer em breve. Uma forma simples de investir em uma carteira diversificada de fundos, geridos pelas melhores cabeças do país. Quer ser o primeiro a saber dessa novidade? Vem aqui.
A cota cheia vai para a colega Julia Wiltgen, repórter do Seu Dinheiro, que também valoriza o conhecimento – e a investigação de dados. Enquanto você se cansava de ouvir dos youtubers que o Tesouro Direto é uma boa alternativa à poupança, ela apurou que o rendimento do Tesouro Selic (LFT) perdia da caderneta em algumas situações. Isso principalmente pela existência de um spread entre os preços de compra e venda dos títulos públicos.
Quatro dias depois da publicação da matéria da Julia, o Tesouro Nacional anunciou a redução do spread para venda antecipada de títulos. Isso é uma vitória, já que aumentará o retorno líquido dos seus, dos meus, dos nossos investimentos.
Talvez você se considere um investidor pelo simples fato de que, sempre que sobra uma graninha parada na sua conta, ela vai parar em algum fundo automático selecionado pelo seu banco. Ou para um CDB ou até um COE indicado pelo gerente.
Sempre ouvi que, quando evitamos tomar uma decisão, deixamos que os outros a tomem por nós. E daí pode ter certeza que a prioridade não vai ser o seu interesse.
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