A guerra comercial com a China está funcionando?
Segundo Donald Trump, disputas comerciais são boas e fáceis de vencer, mas a realidade dos fatos é menos trivial

A guerra comercial declarada pelo presidente americano Donald Trump à China é um dos itens que consta em todos os balanços de risco de Bancos Centrais e demais autoridades responsáveis pela política econômica no mundo. Nosso BC fala disso, o Federal Reserve (Fed), banco central americano, também. Assim como organismos internacionais, como Fundo Monetário Internacional (FMI) e Organização Mundial do Comércio (OMC). Mas a imposição de tarifas aos produtos chineses funciona?
Segundo Trump, guerras comerciais são boas e fáceis de vencer, mas a realidade dos fatos é um pouco menos trivial. A equipe do Instituto Internacional de Finanças (IIF) se debruçou sobre os dados e obteve algumas respostas interessantes.
Primeiro, as importações dos EUA provenientes da China continuaram aumentando apesar das tarifas (ou mesmo por causa delas). Já a compra da lista de produtos com taxas de 25%, “a lista de US$ 50 bilhões” caiu sensivelmente, mas esses produtos estão sendo comprados em volumes até maiores de outros países. Além disso, o efeito “antecipação a maiores tarifas” (frontloading) também tem impacto relevante.
Segundo o IIF, que reúne mais de 450 bancos de 70 países, metade das importações chinesas pelos EUA estão sujeitas a tarifas, mas o déficit comercial bilateral continua a crescer (gráfico abaixo). A pergunta é se isso é um sinal de que as taxa não funcionam?

Para tentar responder à pergunta, o IFF analisou os dados de cerca de 7 mil produtos taxados e descobriu que os itens com taxa de 25% desde julho/agosto, a “lista de US$ 50 bilhões”, mostram acentuada queda na sua importação. Considerando preços e volumes, os EUA estão importando menos bens chineses, e os exportadores do país asiático estão reduzindo preços como forma de compensar as tarifas.
Fazendo analise semelhante, mas para outra lista de produtos com taxas de 10%, “a lista de US$ 200 bilhões”, a conclusão é que houve redução de importação pelos EUA e queda de preço de parte dos chineses, que estão conseguindo contornar essa taxa.
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No entanto, o impacto total parece pouco relevante, com agentes se antecipando à entrada em vigor dessa lista de US$ 200 bilhões. Além disso, diz o IIF, o forte crescimento da economia dos EUA em 2018 elevou a demanda por importação de todos os países, reduzindo o impacto das tarifas no déficit fiscal americano.
Depois de avaliar dados de preço e volume das duas listas, o IIF afirma que não encontrou evidências de que produtos tarifados vindos da China estão restringindo o mix de itens importados pelos EUA.
De fato, os importadores estão adquirindo quantidades crescentes dos bens da lista de US$ 50 bilhões de outros países, mais do que compensando as importações menores da China.

Ainda de acordo com o IIF, o déficit bilateral também cresce em função de uma redução nas importações da China provenientes dos EUA. Falta agora tentar medir o impacto das retaliações chinesas aos produtos americanos, algo que o IIF diz que fará em novos estudos.

Em discurso feito ontem, Trump disse que vem revertendo décadas de "políticas comerciais calamitosas". Desde o fim do ano passado, os países tentam um acordo abrangente para fim às disputas comerciais. Para o presidente americano, o acordo deve incluir "mudança estrutural para encerrar práticas de comércio injusto, reduzir crônico déficit comercial e proteger empregos americanos".
Interessante que Trump não culpou o líder da China, Xi Jinping, por ter obtido vantagens dos Estados Unidos, mas sim os presidentes americanos anteriores. "Tenho grande respeito pelo presidente Xi e nos agora estamos trabalhando em um novo acordo comercial", afirmou.
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