Tchau, Bebianno! Cai o primeiro ministro da equipe de Bolsonaro
Decisão foi de "foro íntimo" do presidente Bolsonaro. Persistem dúvidas sobre possível impacto do episódio para a votação da agenda de reformas. Oposição quer que ex-ministro preste esclarecimentos no Senado

O governo federal exonerou no fim da tarde desta segunda-feira (18) o ministro da Secretaria-Geral da Presidência, Gustavo Bebianno. A saída do ministro foi anunciada pelo porta-voz da Presidência da República, Otávio do Rêgo Barros.
A vaga será ocupada pelo general Floriano Peixoto. Segundo Barros, a mudança é definitiva e ele não deve ser substituído.
Em nota à imprensa, lida por Barros, o presidente Jair Bolsonaro agradeceu a Bebianno e desejou sorte ao agora ex-ministro. Perguntado sobre o motivo da exoneração, Barros disse ser "de foro íntimo" do presidente.
Sobre a demora em anunciar a decisão, o porta-voz, disse que o presidente "demandou o tempo necessário para a consecução de sua decisão final", por envolver vários atores e "é natural que pensando no país isso se faça de forma mais consensual e, ao mesmo tempo, mais maturada possível".
Peguntado sobre o ministro do Turismo, Marcelo Álvaro Antônio, que também tem o nome envolvido em suspeitas de candidaturas laranjas, Barros disse que as decisões sobre exoneração e nomeação são do presidente, e que não caberia a ele avançar em qualquer suposição sobre isso.
A história envolvendo Bebianno começou em 10 de fevereiro, com a publicação de denúncias sobre candidaturas laranjas do PSL, partido de Bolsonaro, ganhou novos contornos com divulgação de áudios para confirmar que o ministro mentiu ao dizer que falou com o presidente, pelo filho Carlos Bolsonaro. E nos últimos dias foi recheado de diversas notas sobre Bebianno estar magoado, que não cairia sozinho, ofertas de cargos no governo e até mesmo embaixadas na Europa.
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Família forte, militares como fiel da balança
Segundo o diretor de Relações Governamentais da Barral M Jorge Consultoria, Juliano Griebeler, a demissão do ministro confirma a influência do núcleo familiar no governo e como isso pode influenciar a escolha dos nomes mais próximos ao presidente.
Também é perceptível, segundo Griebeler, a atuação dos militares de aproveitar a situação para passar a imagem de “fiel da balança”, como pessoas de perfil mais técnico e isolados da influencia familiar.
Outro ponto citado pelo especialista, é que por mais que se tente passar a ideia de que Bebianno não seria relevante por não ser conhecido do público, o agora ex-ministro tinha posição importante nos bastidores, sendo um interlocutor importante com a Câmara dos Deputados e seu presidente, Rodrigo Maia (DEM-RJ).
Ainda segundo Griebeler, essa “queima de ministro” por desentendimentos com filho do presidente não foi bem recebida por outros membros do PSL.
“Não é bom para o governo esse tipo de mudança tão rápida. O ministro foi importante na campanha e foi trocado por desentendimento com o núcleo familiar. O que o governo não precisa, agora, é de instabilidade, insegurança e investigação de ministros”, diz Griebeler.
Para o especialista, a questão, agora, é entender o papel e a força de cada um dentro do governo e ver como isso vai funcionar com o Congresso operando de fato.
Para a agenda de reformas, Griebeler, acredita que o episódio deve forçar o governo a pensar em como fica sua articulação no Congresso. Maia entende a importância das reformas e buscou essa posição de defensor/mediador das reformas, mas ele já teria emitido sinais de que a estratégia do ministro da Casa Civil, Onyx Lorenzoni, não agrada.
O risco, segundo o especialista, decorre das notícias de que Bebianno teria informações para usar contra o governo. “Fica essa dúvida, mas é um cenário que não estamos contando como o mais provável ainda”, concluiu.
Oposição se movimenta
Tínhamos dito mais cedo que o episódio envolvendo Bebianno fortalece apenas a oposição, que usarias as ferramentas que tem para ir minando o governo. Há pouco, o senador Randolfe Rodrigues (Rede-AP), líder da oposição no Senado, informou, por meio de sua assessoria, que acabou de protocolar na Comissão de Transparência, Fiscalização e Controle requerimento convidando o ex-ministro Gustavo Bebianno a prestar esclarecimentos. Como se trata de convite, o ex-ministro não é obrigado a comparecer.
"A melhor forma do Sr. Bebiano se redimir pelos seus malfeitos é comparecer ao Senado e abrir o jogo, sem permitir que sua exoneração sirva pra varrer a sujeira para debaixo do tapete", diz o senador.
Vídeo de agradecimento
Em vídeo divulgado pela assessoria do Planalto, Bolsonaro reconheceu a dedicação e esforço de Bebianno na época de campanha e como ministro. O presidente disse que desde a semana passada, diferentes pontos de vista sobre questões relevantes “trouxeram a necessidade de uma reavaliação”.
Para Bolsonaro, pode ter havido incompreensões e questões mal entendidas de parte a parte, "não sendo adequados pré julgamentos de qualquer natureza.”
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