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Confrontos podem prejudicar a reforma da Previdência, mas sigla continua dividida e o governo, fragilizado
A crise provocada por uma sucessão de brigas no governo de Jair Bolsonaro fez o PSL, partido do presidente, montar uma estratégia para impedir que o tiroteio contamine votações no Congresso, principalmente a reforma da Previdência. O plano, porém, mostrou que a sigla continua dividida e o governo, bastante fragilizado.
Enquanto a deputada Joice Hasselmann (PSL-SP) afirmava que não pode haver um "puxadinho" da família do presidente com o Palácio do Planalto, o líder do PSL na Câmara, Delegado Waldir (GO), defendia a divulgação das divergências pelas redes sociais. "Aqui todo mundo fala as coisas na lata", argumentou ele, tentando mostrar que o PSL vai imprimir um "novo estilo" na política. "Não fazemos acordos às escondidas, como era antes."
Para Joice, porém, o vereador Carlos Bolsonaro (PSL-RJ), filho do presidente, abalou o governo do próprio pai ao fazer acusações contra o ministro da Secretaria-Geral da Presidência, Gustavo Bebianno. "É uma coisa de louco. É inimaginável uma coisa dessas. Tem que ter separação. Casa do presidente é uma coisa, palácio é outra. O Palácio [do Planalto] não pode invadir a casa do presidente. Não pode ter puxadinho", criticou ela.
Na avaliação da deputada, os rumores de que irregularidades em candidaturas do PSL poderiam provocar a queda de Bebianno - ex-presidente do partido - não apenas expõem o ministro como todo o governo. "Quem pode fazer crítica pública é o próprio presidente da República", insistiu Joice.
Mais cedo, Carlos tinha chamado Bebianno de mentiroso. Em mensagem postada no Twitter, o vereador disse que o ministro com assento no Planalto não havia conversado três vezes com Bolsonaro sobre como candidaturas do PSL foram financiadas na campanha de 2018.
"O Bebianno andou a campanha inteira ao lado do Bolsonaro. Os dois sempre tiveram total confiança um no outro, pelo menos até aqui. Na presidência do PSL, o Bebianno fazia o estilo rainha da Inglaterra, que reina, mas não governa", disse Joice.
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O presidente do PSL, deputado Luciano Bivar (PE), se recusou a comentar acusações envolvendo candidaturas do partido. O Estado apurou que Bebianno e ele protagonizam uma disputa de bastidores, mas, em público, não demonstram as desavenças. "Bebianno sempre foi correto na administração do PSL e não me consta que à frente do ministério tenha ocorrido qualquer problema", amenizou Bivar.
Depois de muitas conversas políticas, o deputado Eduardo Bolsonaro (PSL-SP), filho do presidente, foi orientado a não esticar a polêmica. "Eu prefiro me resguardar no silêncio."
Na tribuna da Câmara, porém, o deputado Alexandre Frota (PSL-SP) lembrou casos de corrupção no PT para dizer que em seu partido o tratamento será diferente. "Seja quem for - ministro, secretário ou deputado -, laranja podre aqui vai pagar. Ao contrário do PT, nós não passamos a mão na cabeça de bandido."
*Com o jornal O Estado de S. Paulo.
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