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2019-03-24T03:43:19-03:00
Vinícius Pinheiro
Vinícius Pinheiro
Formado em jornalismo, com MBA em Derivativos e Informações Econômico-Financeiras pela FIA. Trabalhou por 18 anos nas principais redações do país, como Agência Estado/Broadcast, Gazeta Mercantil e Valor Econômico. É coautor do ensaio “Plínio Marcos, a crônica dos que não têm voz" (Boitempo) e escreveu os romances “O Roteirista” (Rocco), “Abandonado” (Geração) e "Os Jogadores" (Planeta).
Fintech

Fundo do BNDES investe em ‘bolsa’ de cotas de consórcio

Com sede na Bahia, o Bom Consórcio funciona como uma plataforma de compra e venda de cotas de pessoas que desistiram ou deixaram de pagar as prestações

24 de março de 2019
3:44 - atualizado às 3:43
Casa consórcio imóvel
Imagem: Shutterstock

É preciso deixar claro desde a primeira linha: consórcio não é investimento. Mas pode ser uma alternativa interessante para quem deseja adquirir um bem a prazo que pode ser mais barata do que o financiamento tradicional.

Trata-se de um mercado que, só no ano passado, movimentou R$ 106 bilhões, uma alta de 4,6% em relação a 2017. Existem hoje consórcios para quase tudo, incluindo carros, imóveis, viagens e até cirurgias.

Mas eu me lembro de um problema recorrente nos tempos em que eu trabalhava no atendimento ao consumidor no Procon, antes de virar jornalista. Todos os dias chegavam pessoas que foram excluídas dos grupos de consórcio por inadimplência e buscavam recuperar os valores.

O problema é que, nesse caso, a regra estipula que a devolução das parcelas só acontece no fim do grupo, depois que todos os participantes foram contemplados.

Uma empresa de tecnologia financeira (fintech) da Bahia se propõe a resolver esse gargalo. O Bom Consórcio se propõe a ser uma espécie de “bolsa” de consórcio, unindo na plataforma vendedores e compradores de cotas de administradoras parceiras.

Dinheiro novo

A empresa acaba de receber um investimento do Criatec 2, fundo capitaneado pelo BNDES que investe em startups nacionais de tecnologia. O investimento pode chegar a R$ 10 milhões e o fundo terá uma participação minoritária no capital do Bom Consórcio, que além dos sócios fundadores tem o Grupo Gaia como sócio.

Com o dinheiro novo, o plano é ampliar a atuação. Desde 2017, quando começou a operar, a empresa realizou 11 mil negócios e tem outros 45 mil em andamento. O volume de transações realizadas até o momento soma R$ 60 milhões, segundo me contou Jorge Freire, sócio e presidente do Bom Consórcio.

Atualmente, a empresa tem acordos com a BB Consórcios, do Banco do Brasil, Caixa Consórcios e Bancorbrás, e está em negociações para incluir mais duas administradoras na plataforma.

Embora não seja a única a oferecer esse serviço, a companhia espera resolver dois dos principais problemas envolvendo a negociação de cotas: as fraudes e as taxas de desconto muitas vezes extorsivas de quem se dispõe a antecipar os recursos para o participante.

"Procuramos oferecer uma taxa que faça sentido para quem vai comprar, mas que também seja justa para o vendedor", afirma Freire.

Ele diz que a referência da taxa de desconto a adotada pelo Bom Consórcio é a usada pelo Banco do Brasil nas linhas de antecipação da restituição do imposto de renda.

Quem adquire as cotas não é o Bom Consórcio, mas investidores como bancos e fundos de crédito, que pagam pelo serviço. Além de fazer a intermediação dos negócios, a empresa acompanha todo o ciclo da transferência da cota para o comprador e do dinheiro para o vendedor, em um processo 100% digital.

Por enquanto, a empresa trabalha apenas com cotas que foram canceladas por inadimplência. O próximo passo é fazer oferecer no site (www.bomconsorcio.com.br) a compra e venda de contratos que continuam ativos.

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