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câmbio

Sobrou dólar no país pela primeira vez desde o começo de novembro

Fluxo cambial foi positivo em US$ 1,448 bilhão na segunda semana de janeiro, com ingressos concentrados na conta financeira

Imagem: Shutterstock

Pela primeira vez em oito semanas, a entrada de dólar superou as remessas para fora do país. Segundo dados do Banco Central (BC), o fluxo cambial foi positivo em US$ 1,448 bilhão na semana encerrada dia 11 de janeiro, primeiro resultado semanal positivo desde o começo de novembro.

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Os ingressos se concentraram na conta financeira, que registra operações de investimento em carteira e demais modalidades, com US$ 1,347 bilhão. Na conta comercial, a entrada foi de US$ 101 milhões.

O volume de ingressos líquidos, no entanto, ainda é pouco expressivo, tendo em vista que nas oito semanas de saques, o volume de dólares que deixou o país foi de US$ 20 bilhões.

Na primeira semana de janeiro, o fluxo tinha sido negativo em US$ 1,312 bilhão. Na ocasião ponderamos que a expectativa, em função do comportamento sazonal do mercado, era de que a entrada de dólares voltasse a superar as saídas com mais consistência ao longo das próximas semanas e meses. O resultado conhecido hoje, no entanto, não permite falar, ainda, em confirmação dessa tendência.

Em dezembro, o fluxo foi negativo em US$ 12,756 bilhões, maior para meses de dezembro desde 2014, quando a saída foi de US$ 14,050 bilhões. A saída na conta financeira ficou em US$ 14,635 bilhões, refletindo o forte aumento nas remessas de empresas para fechamento de balanços e outros compromissos. Em 2018, no entanto, fluxo foi negativo em US$ 995 milhões. Agora em 2019, o fluxo está levemente positivo em US$ 136 milhões.

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A saída de dólares em novembro e dezembro levou o Banco Central (BC) a atuar no mercado com leilões de linha com compromisso de recompra. Foram dez atuações que somaram US$ 12,25 bilhões, sendo US$ 11 bilhões em “dinheiro novo” e outro US$ 1,25 bilhão em rolagem de linha.

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Essas operações vão vencer no começo dos meses de fevereiro e março. O BC decidirá se deixa as linhas vencerem, com efeito "compra" no mercado, ou se renova as operações via rolagens.

Formação de preço

Como já dissemos, o acompanhamento do fluxo à vista é algo relevante, mas a formação de preço do dólar ocorre, mesmo, no mercado futuro da B3, pois é lá que os comprados, que ganham com a alta do dólar, e os vendidos, que ganham com a queda da moeda, protegem suas exposições em outros mercados e fazem apostas direcionais na moeda americana.

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O dólar começou o ano com firme trajetória de baixa, acumulando queda de 4,3% nas duas primeiras semanas de 2019. Nos últimos pregões, no entanto, se percebe certa resistência à novas queda na linha de R$ 3,70. Nas mínimas do período, o dólar foi a R$ 3,68, algo que não se via desde o fim de outubro, quando a moeda marcou R$ 3,65.

Os maiores vendedores de moeda são os fundos de investimento, que estão com uma posição líquida vendida de US$ 34 bilhões em dólar futuro e cupom cambial. Na ponta de compra, seguem os estrangeiros, com US$ 34,9 bilhões. Em 10 de dezembro, essa posição bateu recorde a US$ 41,7 bilhões.

Os bancos deixam de ser relevantes nesse mercado, após um firme ajuste de posições iniciado no fim do ano passado. A posição líquida é vendida em apenas US$ 2,885 bilhões, depois de passar de US$ 17 bilhões em meados de dezembro.

Os bancos também carregam uma expressiva posição vendida no mercado à vista, na casa dos US$ 25 bilhões, reflexo do fluxo cambial negativo do fim do ano passado somado às atuações do BC no mercado via leilões de linha com compromisso de recompra.

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