Menu
2019-04-02T13:30:52-03:00
Eduardo Campos
Eduardo Campos
Jornalista formado pela Universidade Metodista de São Paulo e Master In Business Economics (Ceabe) pela FGV. Cobre mercado financeiro desde 2003, com passagens pelo InvestNews/Gazeta Mercantil e Valor Econômico cobrindo mercados de juros, câmbio e bolsa de valores. Há 6 anos em Brasília, cobre Banco Central e Ministério da Fazenda.
Devo, não nego

Brasil é destaque negativo entre emergentes quando se considera dívida do governo

Levantamento do IIF mostra que endividamento público do país só perde para Egito e Líbano. Instituto apresentou seu levantamento sobre a dívida mundial, que somou US$ 243 trilhões ou 317% do PIB global em 2018

2 de abril de 2019
13:30
Paulo Guedes
Paulo Guedes - Imagem: Jefferson Rudy/Agência Senado

O aumento no endividamento mundial apresentou forte desaceleração em 2018. A constatação é do Instituto Internacional de Finanças (IIF) que computou um aumento de apenas US$ 3,3 trilhões na dívida global no ano passado, depois um salto de US$ 21 trilhões em 2017.

Ainda assim, a montanha de dívida mundial é de US$ 243 trilhões, o equivalente a 317% do Produto Interno Bruto (PIB) global, considerando população, empresas, governos e bancos.

O acompanhamento dessas cifras astronômicas é relevante pois ajudam a mostrar o quadro geral de alavancagem da economia e quão desastrosas pode ser a próxima crise financeira.

Não por acaso vimos o mundo tremer quanto o Federal Reserve (Fed), banco central americano, chegou a falar em três ou quatro elevações de juros neste ano de 2019, no fim do ano passado, e o consequente alívio com o aceno de que novas elevações no custo do dinheiro saíram no radar ao menos no curto prazo.

Segundo o IIF, todo o aumento de dívida aconteceu no primeiro trimestre do ano passado, quando a soma atingiu US$ 248 trilhões. Depois houve um recuou e relativa estabilidade para o restante do ano.

dívida mundial

E o Brasil com isso?

Olhando apenas as economias emergentes, onde o Brasil está incluso, o crescimento da dívida foi de US$ 1 trilhão, menor ritmo desde 2001, e ficou concentrado no setor doméstico não financeiro. Como as economias também cresceram, a relação dívida sobre o PIB emergentes ficou praticamente estável em 212%.

O Brasil é destaque negativo quanto se olha a dívida governamental, que na métrica do IIF, bateu 86,8% do PIB no ano passado, contra 83,2% em 2017.

A média dos pares emergentes é de 49,7% do produto. Segundo o IIF, esse percentual é recorde e foi puxado pelos países da América Latina e Ásia.

De toda a amostra considerada, a dívida pública brasileira só não é maior que a do Egito (92,5%) e a do Líbano (150%).

O IIF alerta que esse elevado estoque de dívida tem resultado em crescente pagamento de juro da dívida, notadamente no Brasil, Egito e Líbano, cenário que pode resultar em maiores impostos junto com um esvaziamento do investimento público.

Esse alerta do IIF nos é bastante familiar, pois é o crescimento das despesas públicas, financiadas via emissão de dívida, que o governo quer atacar com a reforma da Previdência. Ao mesmo tempo, Paulo Guedes fala em fazer grandes privatizações para reduzir essa conta de juros.

Ainda sobre o Brasil, o IIF mostra que a dívida das famílias equivale a 28,1% do PIB, contra a média emergente de 37,6%. Já a dívida das empresas é pequena se comparada aos pares, totalizando 42,2% do PIB, contra 91,7% do PIB dos emergentes. Já a dívida do setor financeiro se mostra em linha com os demais, ficando em 35,5% do PIB, ante 33,6% da média.

Desenvolvidos

Entre os mercados desenvolvidos a relação dívida/PIB ficou em 390% do PIB. A estabilidade do dado agregado, no entanto, mascara discrepâncias entre os países. Japão, França e Austrália se endividaram mais, enquanto Irlanda, Holanda e Portugal reduziram seus patamares de endividamento.

Dívida nos EUA

A dívida total nos EUA subiu em US$ 2,9 trilhões, somando US$ 68 trilhões em 2018, maior crescimento anual desde 2007. Quem puxou o aumento do endividamento por lá foi o governo, respondendo por 40% do aumento, tendência que deve se repetir em função do elevado déficit público.

No entanto, como a economia cresceu de forma vigorosa no ano passado, a relação dívida total sobre o PIB ficou em 326%, menor patamar desde 2005.

Enquanto a dívida doméstica e do setor financeiro cresceram de forma moderada, permanecendo em patamares inferiores ao da crise de 2008, a dívida das empresas não financeiras foi a 73% do PIB do país, se aproximando dos patamares pré-crise.

A dívida das empresas é vista como um vetor de risco, ainda mais se o Fed retomar alta de juros e a economia entrar em recessão. Juros mais altos aumentam o gasto com o serviço da dívida em um momento de perda de receita.

A dívida do governo se mantém ao redor dos 100% do PIB desde 2015 e segue cerca de 30 pontos percentuais acima do período pré-crise.

China

Os esforços governamentais para reduzir a alavancagem financeira mostram resultado, com a dívida total da China rondando os 290% do PIB desde 2016. A dívida do setor não financeiro está entre 150% a 155% do PIB, abaixo do pico de 2016, mas ainda entre os maiores patamares do mundo.

Já a dívida doméstica, carregada pelos chineses, subiu mais de 40% desde 2016, marcando 52% do PIB, com o aumento do endividamento da população acontecendo em velocidade muito superior ao crescimento de sua renda. O IIF alerta que tal crescimento deixa a população muito mais vulnerável às oscilações do ciclo econômico.

Comentários
Leia também
OS MELHORES INVESTIMENTOS NA PRATELEIRA

Garimpei a Pi toda e encontrei ouro

Escolhi dois produtos de renda fixa para aplicar em curto prazo e dois para investimentos mais duradouros. Você vai ver na prática – e com a translucidez da matemática – como seu dinheiro pode render mais do que nas aplicações similares dos bancos tradicionais.

mp 925

Câmara conclui votação de MP da Aviação e texto segue para Senado

A proposta traz ações emergenciais ao setor de aviação civil para mitigar os efeitos da crise gerada pela pandemia

mundo aéreo

Azul vende participação de 6% na TAP para governo português, por R$ 65 milhões

A companhia aérea Azul informou nesta quarta-feira, 8, que vendeu a participação indireta de 6% que detinha na aérea portuguesa TAP, para o governo de Portugal. O valor fechado foi de R$ 65 milhões

Um milhão em três meses

Em meio à pandemia, Banco Inter alcança 6 milhões de clientes da conta digital

No mês de abril, o banco havia informado que tinha alcançado 5 milhões de clientes. Na ocasião, também disse que só no primeiro trimestre o número de novas contas bateu recorde

seu dinheiro na sua noite

Quanto vale um triz? Hoje, 231 pontos

No seu livro de crônicas “Comédias para se ler na escola”, Luis Fernando Verissimo discorre sobre os possíveis significados e origens das expressões “tintim” e “triz” – seriam unidades de medida que caíram em desuso? Subdivisões do espaço e do tempo? – e sai com a ótima tirada de que ambos pertenceriam ao obscuro mundo […]

coronavírus no país

Covid-19: Brasil tem 67,9 mil mortes e 1 milhão de curados

País acumula 1,7 milhão de casos confirmados do novo coronavírus

Carregar mais notícias
Carregar mais notícias
Fechar
Menu
Advertisements