A Bula da Semana: Contagem regressiva
Última semana cheia de 2019 deve ser marcada por liquidez reduzida no mercado financeiro e ajustes de fim de ano nos ativos globais

A última semana cheia de 2019, que antecede o início das festas de fim de ano, deve ser marcada por um volume financeiro mais reduzido, com muitos investidores já deixando as mesas de negócios. Ainda mais após o encaminhamento das duas principais incertezas geopolíticas, que assolaram os ativos globais há bastante tempo.
Com a vitória larga do primeiro-ministro britânico, Boris Johnson, nas eleições parlamentares e o anúncio da primeira fase do acordo comercial entre Estados Unidos e China, os últimos dias deste ano devem ser dedicados aos ajustes finais nos mercados, em meio à contagem regressiva para a chegada de 2020, dando início a mais uma década.
E as perspectivas para o novo ano, ao menos por enquanto, são favoráveis. Afinal, na última sexta-feira, retirou-se dois bodes da sala, que já estavam lá há meses. Agora, a expectativa é de que haja a assinatura concreta do acerto preliminar entre as duas maiores economias do mundo e que o Reino Unido consiga, enfim, seu tão esperado Brexit.
A data para a saída da União Europeia (UE) em 31 de janeiro de 2020 deve ser mantida. Já EUA e China não formalizaram uma data para assinar o acordo. Mesmo assim, a guerra comercial esfriou, tanto que uma nova rodada de tarifas, prevista para ontem, foi cancelada. O próximo passo, do lado dos EUA, será reduzir em fases as tarifas já implementadas.
Já a lista de obrigações chinesas é maior. Além de aumentar as compras de produtos agrícolas dos EUA, como soja e carne de porco, a China também aumentará a proteção aos direitos de propriedade intelectual e expandirá o acesso ao seu mercado interno, principalmente no sistema financeiro. Mais mudanças poderão ocorrer no futuro.
Ganha-ganha
Por ora, o acordo comercial de primeira fase injeta confiança, tanto no mercado financeiro quanto nas relações entre EUA e China, renovando as esperanças de que as duas maiores economias do mundo conseguem realmente dialogar e negociar questões difíceis. Portanto, encerrada a fase um, os dois países dão um passo adiante, em direção a um novo começo.
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Mas muitos ainda se perguntam se realmente é possível chamar de acordo os compromissos preliminares assumidos por Pequim e Washington. Afinal, o caminho para um tratado abrangente ainda é distante e esse longo percurso dificulta a restauração completa da confiança dos mercados ou uma recuperação significativa das exportações e dos investimentos.
Ou seja, manter os efeitos positivos da fase um do acordo comercial e acumular energia para avançar rumo às próximas etapas dependerão de esforços adicionais de Washington e Pequim. Do contrário, os investidores podem voltar a ficar preocupados com a disputa tarifária e o crescimento econômico global ao longo do próximo ano.
Afinal, a solução ganha-ganha para esfriar a guerra comercial foi uma maneira eficaz de resolver a competição estratégica entre as duas maiores potências globais. Tanto os EUA quanto a China seriam capazes de prolongar o conflito no front econômico, o que enfraqueceria o crescimento do mundo.
Mas ambos os lados tiveram de recuar, assumindo compromissos e aceitando condições que não atendiam os interesses ao máximo. E quanto mais bem entendida for essa visão, de que é preciso ceder para promover o desenvolvimento saudável das relações sino-americanas, mais longe se poderá ir.
Semana de agenda cheia
A semana que antecede as festividades de Natal e ano-novo reserva uma agenda carregada de indicadores e eventos econômicos relevantes, tanto no Brasil quanto no exterior. Por aqui, os destaques ficam com as publicações do Banco Central. Amanhã, será conhecida a ata da reunião da semana passada do Comitê de Política Monetária (Copom).
Na ocasião, o BC surpreendeu ao não “fechar a porta” para novas quedas na taxa básica de juros no ano que vem. Ao mesmo tempo, o Copom não referendou um ajuste adicional na Selic já na primeira reunião de 2020, marcada para fevereiro. Por isso, os investidores devem buscar pistas no documento para tentar captar os próximo passos.
Também será importante observar as estimativas e os cenários do BC, contemplados no Relatório Trimestral de Inflação (RTI). O documento será divulgado na quinta-feira e pode ajudar a calibrar a extensão do ciclo de cortes e a magnitude das quedas, considerando-se as previsões para a inflação, o dólar e o crescimento econômico.
Aliás, ainda no Brasil, também merece atenção a prévia de dezembro do índice oficial de preços ao consumidor brasileiro, que sai na sexta-feira. O IPCA-15 deve continuar mais “salgado”, diante da alta nos preços das carnes (bovinas, frango etc.). Ainda assim, o IPCA deve encerrar 2019 em 4,0% - portanto abaixo do alvo perseguido pelo BC, de 4,25%.
Antes disso, no front político, espera-se a votação no Congresso Nacional do Orçamento de 2020. A sessão conjunta está marcada para terça-feira, à tarde. Antes disso, na manhã do mesmo dia, a proposta do governo deve ser apreciada pela Comissão Mista de Orçamento (CMO). Trata-se da última grande votação no Legislativo antes do recesso, que vai até fevereiro.
No exterior, serão conhecidos dados de atividade nos EUA, na Europa e na China, já nesta segunda-feira. Nos próximos dias, saem números sobre o setor imobiliário norte-americano, a confiança do consumidor nos dois lados do Atlântico Norte e a leitura final do PIB nos EUA. Também merece atenção a reunião do Banco Central da Inglaterra (BoE).
Confira a seguir os principais destaques desta semana, dia a dia:
Segunda-feira: A semana começa com a agenda cheia no Brasil, trazendo o resultado do primeiro IGP de dezembro, o IGP-10 (8h), o relatório de mercado Focus (8h25) e os dados semanais da balança comercial (15h). Já no exterior, saem índices preliminares deste mês sobre a atividade nos setores industrial e de serviços na zona do euro, no Reino Unido e nos Estados Unidos, ao longo da manhã.
Terça-feira: O Banco Central publica, logo cedo, a ata da última reunião de política monetária deste ano. O Orçamento do governo para 2020 pode ser votado no Congresso. Nos EUA, saem o desempenho da produção industrial em novembro, dados sobre a construção de moradias e o relatório Jolts sobre o número de vagas de emprego disponíveis.
Quarta-feira: A agenda econômica está mais fraca hoje, no Brasil e no exterior. Aqui, saem a segunda prévia deste mês do IGP-M e os dados semanais do fluxo cambial. Lá foram, serão conhecidos índices de preços na Europa e os estoques semanais norte-americanos de petróleo bruto e derivados.
Quinta-feira: O BC brasileiro volta à cena para publicar o relatório de inflação (RI) referente ao quarto trimestre deste ano. Também será conhecida a prévia da sondagem da indústria neste mês. No exterior, destaque para a decisão de juros do BC inglês, na primeira reunião do BoE após a vitória esmagadora dos conservadores indicar um desfecho ao Brexit.
Sexta-feira: A semana chega ao fim, trazendo como destaque, no Brasil, a prévia da inflação oficial ao consumidor brasileiro (IPCA-15) em dezembro. Também serão divulgados os índices de confiança da construção civil e do consumidor no país. No exterior, saem as leituras revisadas do PIB dos EUA e do Reino Unido no trimestre passado, além dos dados sobre a renda pessoal e os gastos com consumo nos EUA e da confiança do consumidor na zona do euro.
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