Credit Suisse e XP reiteram compra para ações da Vale
Decisão de eliminar barragens como a de Brumadinho é avaliada como passo importante para reduzir preocupações com possíveis eventos parecidos no futuro

O presidente da Vale, Fabio Schvartsman, anunciou, ontem, um plano de segurança em resposta ao rompimento da barragem de Brumadinho, em Minas Gerais. A avaliação imediata do mercado foi positiva, apesar das incertezas que ainda cercam a tragédia que já figura entre as maiores do mundo em função do elevado número de vítimas.
Em relatório, os especialistas da XP e do Credit Suisse têm avaliação semelhante sobre o plano, considerando que a empresa busca eliminar o risco de futuros eventos parecidos aos de Brumadinho e Mariana.
Segundo a XP, a queda de aproximadamente 24% ao longo dos últimos dois dias nos papéis da mineradora, com perda de quase R$ 70 bilhões em valor de mercado, “parece já refletir parte relevante dos riscos”.
Portanto, a XP mantém sua recomendação inalterada em "compra", com preço alvo de R$ 66 por ação. Mas como uma série de incertezas ainda permanecem, a corretora sugere cautela. Ontem, o papel da Vale fechou a R$ 42,74, na B3.
Já o Credit Suisse mantém a classificação “outperform” para a ADR da companhia, negociada no mercado internacional, com preço alvo de US$ 18,50. No dia 29, o papel estava a US$ 11,48.
Na avaliação dos especialistas do Credit Suisse, a possibilidade de mais notícias negativas envolvendo a companhia pode reduzir o apetite do investidor em ir às compras. Mas a recente movimentação no preço dos ativos “já foi bastante dura”, refletindo um cenário muito mais negativo do que aquele sugerido pelo “cenário base” de hoje.
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O plano de segurança terá investimento de R$ 5 bilhões e levará a redução na produção anual da Vale de minério de ferro em 40 milhões de toneladas (mt) e de pelotas em 11 milhões de toneladas durante o período de descomissionamento (10% da produção de minério). O processo de desativação das barragens levará entre um e 3 anos.
O que estaria no preço?
Os analistas do Credit realizam um teste de sensibilidade usando como variáveis desembolsos e investimentos relativos ao plano de segurança. Assumindo os R$ 5 bilhões previstos pela companhia e os atuais R$ 12,5 bilhões em multas e valores já bloqueados para pagamento de indenizações, o preço alvo da ADR seria de US$ 16,4, representando um potencial de alta de 43% sobre os preços atuais (dia 29).
Fazendo um exercício no qual o valor de multas e indenizações é dobrado, para cerca de R$ 25 bilhões (US$ 6,48 bilhões), o preço alvo cairia a US$ 14,3, ainda assim oferecendo um potencial de alta de 25%. Nas contas do Credit, com ADR a US$ 11,48 o mercado coloca no preço um desembolso de US$ 11,3 bilhões em multas e indenizações.
Em seu relatório, a XP reafirma que as duas principais incertezas no campo do impacto financeiro estavam no impacto na produção de curto e médio prazo e potenciais processos judiciais decorrentes do evento. O anúncio do plano de segurança, segundo a corretora, ajuda a mitigar a preocupação em relação à produção.
A XP diz que revisou o seu modelo para incorporar as medidas anunciadas, conservadoramente assumindo queda de 40mt/ano no período de 2019-22 (assim como 11mt/ano a menos de pelota), e o investimento de R$ 5 bilhões.
De forma conservadora, foi mantida a previsão para o preço de minério de ferro estável em US$ 65 por tonelada para os anos em referência. Entretanto, a XP acredita que a redução de 40mt/ano na oferta global de minério pode sustentar os preços em níveis superiores a este. Como referência, o preço se encontra atualmente em US$ 79/t.
A XP ressalta que ainda permanece a incerteza em relação aos potenciais processos judiciais. Por ora, R$ 400 milhões em multas foram confirmados (já incorporados no modelo), enquanto que a justiça solicitou o bloqueio de R$ 12 bilhões em bens da Vale (R$ 6,8 bilhões já foram confirmados pela justiça). Como referência, a corretora explica que R$ 5 bilhões em multas equivaleriam a uma queda do preço alvo em R$ 1,1 por ação.
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