BNDES devolverá R$ 48 bilhões ao Tesouro Nacional até fim de maio
Presidente do banco de fomento, Joaquim Levy, nos primeiros cinco meses de 2019, o banco deverá enviar ao governo R$ 48 bilhões

O presidente do Banco Nacional do Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), Joaquim Levy, confirmou nesta terça-feira, 14, o pagamento ainda em maio de R$ 30 bilhões ao Tesouro Nacional, parte de um empréstimo tomado pelo banco entre 2008 e 2014. Segundo Levy, nos primeiros cinco meses de 2019, o banco deverá enviar ao governo R$ 48 bilhões.
Do total enviado, R$ 8 bilhões serão na forma de tributos e R$ 1,6 bilhão em dividendos, correspondente a 25% do lucro, o mínimo legal previsto.
Levy chamou a atenção para prática usual em anos anteriores no banco, quando 100% do lucro era distribuído, o que foi interrompido em 2015.
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"Estamos mandando R$ 48 bilhões para Brasília para ajudar a economia brasileira", afirmou Levy.
Aprovada pela diretoria do banco de fomento, a decisão atende aos pedidos do Ministério da Economia, que quer acelerar as devoluções da dívida do BNDES com a União, como forma de reduzir a dívida pública bruta.
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E por falar em balanço
O lucro do banco de fomento atingiu R$ 11,1 bilhões no primeiro trimestre de 2019, alta de 436,7% em relação ao lucro obtido no mesmo período do ano anterior. De acordo com Levy, o resultado foi turbinado pela venda de ações da Petrobras, principalmente, além da negociação dos papéis da Vale, Fíbria e Rede.
E o BNDESPar?
A empresa de participações do banco teve lucro de R$ 8,6 bilhões no primeiro trimestre do ano, contra R$ 570 milhões em igual período do ano anterior. Ao todo a empresa vendeu R$ 10,3 bilhões em participações, com destaque para Petrobras, Fíbria e Vale.
Somente em Petrobras foram vendidos R$ 4 bilhões, fazendo a participação total do banco na petroleira cair de 15% em 31 de dezembro de 2018 para 13,90% em 31 de março de 2109. Levy ainda ressaltou que no caso da alienação das ações da Fíbria, 75% foi recebido diretamente no caixa e o restante em participação da Suzano.
Segundo o BNDES, o valor da carteira de participações societárias atingiu R$ 108,3 bilhões, crescimento de 12,3% em relação a dezembro de 2018.
Os ativos totais da carteira da BNDESPar subiram de R$ 107 bilhões em dezembro de 2018 para R$ 119,6 bilhões.
O patrimônio líquido fechou o primeiro trimestre em R$ 104,2 bilhões, sendo R$ 77,4 bilhões em participações societárias, contra R$ 93 bilhões no final do ano passado.
Intermediação financeira
O presidente do BNDES disse que apesar da venda de participações societárias terem sido responsáveis por boa parte do lucro do banco no primeiro trimestre deste ano, as intermediações financeiras também contribuíram para o resultado.
As intermediações financeiras subiram 45% em relação ao primeiro trimestre de 2018, para R$ 1,1 bilhão, como resultado da redução da dívida com o Tesouro Nacional ao longo de 2018. Esse processo foi retomado em 2019, informou o banco.
O resultado da equivalência patrimonial também ajudou, segundo Levy, com R$ 1,1 bilhão de janeiro a março deste ano, contra R$ 123 milhões em igual período de 2018.
Apesar das vendas de ações, o valor da carteira das participações remanescentes atingiu R$ 108,3 bilhões, crescimento de 12,3% contra dezembro de 2018.
"Esse ganho se explica principalmente pela valorização da carteira de participações em sociedades não coligadas, especialmente dos investimentos em Petrobras, Suzano e Eletrobras", explicou o banco em nota.
Moderfrota
O presidente do BNDES informou ainda que está elevada a demanda pelo Moderfrota, programa de modernização da frota de tratores agrícolas e implementos associados e colheitadeiras.
Ao todo já foram emprestados R$ 529,4 milhões por meio de 12 bancos, de um limite adicional de R$ 509 milhões liberados pela ministra da Agricultura, Tereza Cristina Dias, em abril.
Os dois maiores empréstimo foram feitos por meio da J. Deere, de R$ 150 milhões, ou 28,5% do total, e CNH, que emprestou R$ 101,5 milhões, ou 19,2% do total.
Crédito direcionado
Levy aproveitou sua fala sobre os resultados para dizer que o banco está liderando a queda do crédito direcionado em relação ao Produto Interno Bruto (PIB) entre as demais instituições financeiras públicas.
Segundo ele, entre 2015 e 2019, o crédito do BNDES caiu de 11,3% para 7% do PIB, enquanto as demais instituições, como Caixa Econômica Federal, Banco do Brasil, entre outras, registraram queda de 15,2% para 14,5% do PIB.
"O BNDES teve redução bastante significativa do crédito direcionado. Se deu basicamente no banco. O BNDES foi, senão a única, a principal fonte de redução de crédito direcionado", afirmou Levy durante coletiva sobre o lucro nos primeiros três meses do ano, um recorde para um trimestre desde o início da série histórica, em 2002, atingindo R$ 11,1 bilhões.
Ele informou que o porcentual do crédito direcionado do BNDES está voltando aos patamares pré-crise de 2008, de 6,5% a 7% do PIB, como registrado em 2007, depois de ter tocado 11,3% em 2015. Juntando todas as instituições com crédito direcionado, em 2015 essa modalidade representava 26% do PIB do País, destacou Levy.
"Estamos fazendo (reduzir crédito direcionado) e vai continuar a ser feito, e é o que permite que a gente devolva dinheiro para o Tesouro, porque o mercado tem capacidade de atender a essas demandas e deve estar contribuindo para diminuir o empréstimo direcionado", disse Levy, lembrando ainda que a redução da atuação do BNDES abre espaço para outros instrumentos, como as debêntures, e para o aumento de crédito livre por outras instituições.
Empréstimo a caminhoneiros
Na próxima semana, o BNDES começa a oferecer a linha de crédito de R$ 500 milhões para caminhoneiros, em empréstimos individuais limitados a R$ 30 mil. A linha foi anunciada pelo governo no mês passado, para que, junto com outras medidas, tentasse se evitar uma nova greve dos caminhoneiros no País.
Segundo Levy, a linha poderá chegar até R$ 1 bilhão se houver demanda. O objetivo é garantir recursos para que os caminhoneiros façam manutenção em seus veículos.
"Caminhão bem tratado dura mais", disse ele, informando que apesar de já aprovada no Ministério da Economia, a linha será oficializada na reunião de diretoria que será realizada nesta terça, 14, no BNDES.
Benefício para caminhoneiro autônomo
A linha de crédito foi anunciada em abril pelo ministro-chefe da Casa Civil, Onyx Lorenzoni. Na ocasião, Onyx ressaltou que se trata de um benefício específico para o caminhoneiro autônomo de até R$ 30 mil, para compra de pneu e manutenção de veículos.
A medida é uma das ações do governo Jair Bolsonaro (PSL) para atender a reivindicações dos caminhoneiros, que ameaçavam fazer uma paralisação.
*Com Estadão Conteúdo.
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