PF tenta prender dois funcionários do Bradesco em fase da Lava Jato no Rio
Prisões foram determinadas pelo juiz Marcelo Bretas, que também expediu mandados de busca e apreensão em endereços ligados aos suspeitos

A Polícia Federal (PF) tenta prender nesta-terça, 28, dois funcionários do banco Bradesco e um operador de câmbio em mais uma fase da operação Lava Jato no Rio de Janeiro.
A força-tarefa investiga se os bancários ajudaram a lavar dinheiro da quadrilha de doleiros revelada pela Operação Câmbio Desligo. Até as 9h, uma dessas pessoas havia sido presa.
De acordo com o Ministério Público Federal, foram determinadas a prisão preventiva do empresário Júlio César Pinto de Andrade e a temporária dos gerentes do Bradesco Tânia Maria Aragão de Souza Fonseca e Robson Luiz Cunha Silva.
Segundo o MP, as investigações revelaram que o empresário Júlio César Pinto de Andrade e os gerentes do banco Tânia e Robson eram peças importantes em um esquema de lavagem de dinheiro, que funcionava por meio da compensação de cheques do varejo e pagamento de boletos bancários.
O MP explica que, em linhas gerais, os doleiros captavam cheques recebidos no varejo e os depositavam em contas bancárias de empresas fantasmas. "Para abertura e movimentação das contas bancárias, a organização criminosa contava com a participação de gerentes de bancos que descumpriam regras de compliance a fim de permitir a criação das contas de giro".
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O empresário Júlio Andrade, ainda que acordo com o ministério, era responsável por abrir as contas fantasmas utilizadas nas transações, por fornecer telefones “frios” e indicar empresas que alugavam salas por curtos períodos para guardar o dinheiro obtido.
As prisões foram determinadas pelo juiz Marcelo Bretas, que expediu mandados de busca e apreensão em endereços ligados aos suspeitos.
O MP ainda diz que, na época do suposto crime, Tânia e Robson eram gerentes-gerais de agências do Banco Bradesco na Barra da Tijuca e em Vila Isabel, recebiam a documentação das empresas criadas por Júlio e indicavam os locais onde as contas bancárias deveriam ser abertas.
Para os procuradores da República que integram a força-tarefa da Lava Jato no Rio de Janeiro, houve falha no sistema de compliance das instituições financeiras.
“Os elementos ora reunidos não deixam dúvidas de que as instituições financeiras onde as contas foram abertas, em especial o Banco Bradesco, descumpriram os deveres de compliance, possuindo como consequência direta, além do fomento à lavagem de dinheiro acima demonstrado, a violação à livre concorrência, pois as instituições que dispendem recursos no compliance acabam restringindo seus negócios, sem contar no custo que é dedicado aos setores de conformidade”, afirmam os procuradores.
Outro lado
Em nota enviada ao Seu Dinheiro, o Bradesco diz que tomou conhecimento pela imprensa nesta manhã da ação de autoridades policiais envolvendo dois funcionários. "As informações, quando oficialmente disponíveis, serão apuradas internamente", diz a instituição por meio da assessoria de imprensa.
"Como sempre, o Bradesco se coloca à disposição das autoridades no sentido da plena colaboração e esclarecimento sobre as apurações que estão sendo realizadas. Por fim, o Bradesco reitera que cumpre rigorosamente com as normas de conduta ética e governança vigentes para a atividade”.
Câmbio, desligo
Deflagrada em maio de 2018, a Operação Câmbio, Desligo desarticulou um esquema de de movimentação de recursos ilícitos no País e no exterior por meio de operações dólar-cabo, entregas de dinheiro em espécie, pagamentos de boletos e compra e venda de cheques de comércio.
A organização, formada por cerca de 60 doleiros, movimentou entre 2011 e 2016 mais de US$ 1,652 bilhão, em contas que se espalharam por 52 países e envolveram mais de três mil offshores, segundo as investigações.
*Com Estadão Conteúdo
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