Gávea Investimentos mostra ceticismo com sucesso da agenda de reformas
Gestora do ex-BC Arminio Fraga avalia os casos de México, Índia, Indonésia e Argentina nos quais as reformas se mostraram insuficientes ou retumbantes fracassos

A carta de gestão da Gávea Investimentos, do ex-presidente do Banco Central Arminio Fraga, conta a história de países emergentes que despertaram interesse pela chegada de governos com agendas reformistas, mas que não tiveram um final feliz.
Os casos analisados são do México, Índia, Indonésia e Argentina e, segundo a gestora, "nos quatro casos, as reformas se mostraram insuficientes face às expectativas, senão retumbantes fracassos". Assim, a experiência desses países ajuda a pensar sobre o encaminhamento das reformas no Brasil.
“Livrar-se das amarras do capitalismo de Estado e da ação dos grupos de interesse que ao longo de décadas se encrustaram no aparelho de governo, requer uma combinação de condições e circunstâncias muito rara.”
Conclusões:
- quanto maior o peso da herança estatal mais difícil o sucesso da empreitada
- com um Congresso fragmentando é difícil o presidente angariar apoio político para a agenda
- a agenda requer continuado compromisso do governo
- a agenda precisa ser abrangente porque uma ou duas peças que estiverem faltando podem botar tudo a perder
Fardo estatista
Segundo a gestora, os planos do governo tampão de Michel Temer e de Paulo Guedes trouxeram esperanças para um novo ciclo de reformas e desenvolvimento.
“Mas a nossa herança estatista é um fardo pesado e o apoio político a essa longa empreitada é duvidoso, até porque a nossa estrutura partidária é essencialmente amorfa e as bases do governo no Congresso são frágeis.”
Assim, diz a Gávea, o encaminhamento das reformas fica à mercê de circunstâncias e personagens, que são importantes, muito mais que de um movimento político forte e consistente.
“O presidente mostra-se titubeante com a agenda econômica, o que evidentemente é um aspecto que fragiliza o projeto. Já do ponto de vista programático, o Ministério da Economia tem uma agenda tão ambiciosa que, por vezes, torna-se difícil coordenar e sequenciar as iniciativas de forma coerente.”
Finalizando, a gestora afirma que “não se pode negar que tem havido relevante progresso, mas há de se considerar esses aspectos no encaminhamento das reformas à luz da recente experiência de outros países”.
Posição
O portfólio da casa se caracteriza por posições consistentes com um cenário de desaceleração global e “risk-off” (fuga de risco) associado à escalada protecionista dos EUA. A gestora está liquidamente vendida em bolsa, comprada em dólar e com estratégias a favor da queda dos juros globais. Porém, frente à heterogeneidade de histórias globais, há uma carteira diversificada com algumas posições compradas, em particular na Europa periférica e no Brasil.
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