Previdência é urgente, mas se país ficar só nela terá crescimento medíocre, diz Itaú
Candido Bracher, presidente do maior banco privado do país, destaca a necessidade de avanços na educação como forma de o país melhorar seus índices de produtividade, além de reforma política

A medida principal e mais urgente do novo governo eleito no último domingo é a reforma da Previdência. Mas se ficar só nela o país estará condenado a ter um crescimento “medíocre” nos próximos anos. A afirmação é do presidente do Itaú Unibanco, Candido Bracher.
Ele conversou com jornalistas hoje pela manhã para tratar do balanço do banco no terceiro trimestre. Sobre as eleições, Bracher disse que o resultado, com a vitória do candidato Jair Bolsonaro (PSL), expressa a vontade soberana do povo brasileiro.
“Se de um lado a eleição criou um clima de divisão, por outro envolveu as pessoas em discussões relevantes para o nosso futuro”, disse.
Na ordem de prioridades do novo presidente, Bracher coloca a previdência como a mais urgente e como pré-condição para que o país tenha um desenvolvimento mais tranquilo.
Logo na sequência, ele destaca a necessidade de avanços na educação como forma de o país melhorar seus índices de produtividade. “Esse é um sonho e deve ser objetivo de qualquer governo”, afirmou.
O presidente do Itaú também defendeu a aprovação de uma reforma política que permita uma melhor representatividade da população no Congresso.
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Ainda no tema macroeconômico, Bracher disse que ser favorável à redução de parte das reservas internacionais do país, atualmente em US$ 380 bilhões, seria saudável. Desde que os recursos sejam usados para reduzir o endividamento do país, e não para investimentos, como chegou a ser cogitado por candidatos durante a campanha presidencial.
“Ter reservas elevadas é importante e nos diferenciou de outros países, mas talvez não precisemos de tanto assim para fazer frente à oscilação do câmbio.”
Dividendos
Com um lucro de R$ 19,3 bilhões de janeiro a setembro e a perspectiva de passar dos R$ 25 bilhões em 2018, o Itaú deve ter mais um ano de distribuição bem generosa de dividendos.
O banco já pagou R$ 8,2 bilhões aos mais de 130 mil acionistas nos sete primeiros meses do ano. Bracher não quis fazer previsões sobre os dividendos para o ano como um todo.
Desde o ano passado, o Itaú adotou a política de distribuir aos sócios todo o capital considerado acima do índice mínimo de 13,5% considerado apropriado para operar.
No ano passado, mais de 70% do lucro foi parar no bolso dos acionistas, incluindo os mais de 120 mil minoritários na bolsa.
Como o Itaú encerrou o trimestre com 14,8% de capital, e o índice deve subir ainda mais com os resultados dos últimos três meses do ano. “Acho que haverá boa distribuição, não sei se maior ou menor neste ano”, disse Bracher.
Taxa zero e crédito
Questionado sobre a estratégia de zerar as taxas de aplicação no Tesouro Direto e de carregamento da previdência privada, Bracher disse se trata de uma forma de atrair e clientes no banco.
"A redução de tarifa impacta nossa receita, mas o crescimento de clientes e negócios compensa", afirmou.
O Itaú também espera acelerar o crescimento na concessão de crédito, segundo o presidente do banco. "Vejo com grande entusiasmo a atividade em todos os segmentos."
Com o fim da incerteza eleitoral, os financiamentos às grandes companhias, que vêm em um ritmo mais lento do que as linhas para pessoas físicas e pequenas empresas, também devem ser retomados, de acordo com Bracher.
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