Menu
2018-12-21T08:17:57-02:00
Mercados

Como o Fed e um muro deixaram os investidores desnorteados em Wall Street

Noticiário do dia e grande oscilação dos índices internacionais sugerem que os mercados estão mais guiados por seu lado emocional do que o normal

20 de dezembro de 2018
19:48 - atualizado às 8:17
Presidente dos EUA, Donald Trump; Facebook; Mark Zuckerberg
Imagem: Shutterstock

O humor nos mercados já não estava bom desde ontem, quando o Federal Reserve (Fed), banco central americano, foi menos “pombo” do que o mercado esperava. Depois vem o presidente Donald Trump e ameaça um “desligamento” forçado do governo se não derem a ele US$ 5 bilhões para construir o muro na fronteira com o México.

O "tuite" abaixo ilustra bem o que aconteceu quando saíram as notícias de que Trump iria vetar qualquer proposta orçamentária que não estive a seu gosto. O Dow Jones caiu quase 3%. No fim do pregão terminou com baixa de 1,99%. O S&P 500 cedeu 1,58% e o Nasdaq cedeu 1,63%.

No mercado de commodities, o petróleo seguiu afundando e barril do tipo WTI fechou negociado na casa dos US$ 46, menor cotação deste julho de 2017. Contrariando correlações históricas, o dólar também perdeu força ante seus pares. O DXY que mede o valor do dólar ante uma cesta de moedas recou cerca de 0,7%, para 96,3 pontos.

Commodities e dólar em baixa parecem condizentes com o "medo" que ronda os mercados de que uma forte desaceleração global está a caminho.

Olhando os dados acima seria de esperar um dia de pânico por aqui também. Mas o Ibovespa caiu apenas 0,47%, para os 85.269 pontos, reforçando um descolamento com relação ao S&P que já dura alguns dias. No câmbio, o dólar passou o dia em baixa e fechou com uma queda de 0,83%, a R$ 3,8561, menor cotação desde a abertura do mês.

Também no "Twitter", o gestor do fundo Alaska Henrique Bredda, invocou o lendário gestor americano Howard Marks para lembrar da prevalência dos ciclos, algo que discutimos aqui antes da decisão do Fed, dizendo que o movimento de juros se mostra menos relevante que o momento do ciclo econômico americano, que parece estar chegando ao fim.

De fato, desde o fim de setembro, Marks vinha alertando sobre alguns exageros no mercado americano e lembrando que o dinheiro relativamente fácil e grande é feito quando os preços estão baixos, o pessimismo é generalizado e os investidores estão fugindo do risco.

  • "Ciclos sempre prevalecem. Nada vai em uma única direção para sempre. As árvores não crescem até o céu"

No meio da tarde, enquanto os investidores (os comprados) se descabelavam em Wall Street, surgiram notícias de um discurso do ex-membro do Fed William C. Dudley com a seguinte frase: “O Fed não está lá para aliviar a dor dos mercados”. Ele também disso que o aperto de juros vai seguir enquanto o BC enxergar que o crescimento da economia está acima do que seria sua tendência de longo prazo de cerca de 2%.

Para alguns isso foi uma grande piada, já que a função do Fed seria, justamente, aliviar os mercados. Já outros observadores avaliam que essa história do Fed garantir a "continuidade da festa", acabou. Powell estaria ciente da pouca "munição" que o Fed dispõe caso uma crise financeira ou forte desaceleração econômica realmente venha prevalecer.

Essas notícias e a grande oscilação dos índices internacionais sugerem que os mercados estão mais guiados por seu lado emocional do que o normal. Para encerrar com Howard Marks, ele ensina que as emoções inevitavelmente levam o preço dos ativos para patamares que são insustentáveis. Ou altas vertiginosas ou quedas extremamente pessimistas.

Assim, ao manter essa consciência de que os ciclos são inevitáveis algumas palavras devem ser excluídas do vocabulário do investidor, como "nunca", "sempre", "para sempre", "não pode", "não deve", "tem que que" e "certamente vai". Essas palavras vão aparecer com maior frequência no noticiário econômico e de investimentos conforme os EUA passam pelo seu "fim de ciclo" e o Brasil parece estar começando o seu. Cuidado com elas.

Comentários
Leia também
A REVOLUÇÃO 3.0 DOS INVESTIMENTOS

App da Pi

Aplique de forma simples, transparente e segura

NOVATA DA BOLSA

Truxt atinge 12,2% de participação no capital da Plano & Plano após IPO

Gestora de fundos passou a deter 24.900.000 de suas ações ordinárias, o equivalente a 12,2% do capital social.

balanço da doença

Brasil acumula 4,55 milhões de casos e 137,2 mil mortes por covid-19

Nas últimas 24 horas, o Brasil registrou 377 mortes por covid-19, segundo o Ministério da Saúde

INSIGHTS ASSIMÉTRICOS

Razão e Sensibilidade no mercado financeiro: a recente pressão de preços e possíveis alternativas

De todos os romances de Jane Austen, prefiro “Razão e Sensibilidade” — talvez pelo fato de estar em um ambiente tão atrelado à ambivalência: os mercados financeiros

Disputa com a Stone

Linx se recusa a assinar protocolo de oferta da Totvs, que sobe tom contra conselheiros da empresa

Totvs ainda não desistiu do negócio, mas disse que os conselheiros independentes da Linx trataram a oferta da companhia de forma desigual em relação à proposta feita pela Stone

seu dinheiro na sua noite

A segunda onda (e o primeiro teste)?

A bolsa brasileira ganhou 1 milhão de pessoas físicas nos últimos seis meses. São novos investidores que praticamente não sabem o que é perder dinheiro na renda variável. O Ibovespa registrou uma alta de respeitáveis 40% entre março — o epicentro do terremoto nos mercados provocado pela crise do coronavírus — e agosto. O ganho […]

Carregar mais notícias
Carregar mais notícias
Fechar
Menu
Advertisements